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OS GOVERNOS DE HITLER E DE TRUMP: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS.

Na era contemporânea, nos Estados Unidos, o neofascismo cresceu no solo de uma democracia madura em crise.

10/09/2025 às 02h44
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
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Foto: Ilustrativa / Divulgação
Foto: Ilustrativa / Divulgação

Este é resumo do artigo de 7 páginas que tem por objetivo apresentar as semelhanças e as diferenças entre os governos do ditador nazista Adolf Hitler, que governou a Alemanha de 1933 a 1945, e o do atual presidente dos Estados Unidos, com pretensões de ditador, o neofascista Donald Trump. Para tanto, analisou-se o que foi o nazismo e o fascismo, o que é o neofascismo nos Estados Unidos e as semelhanças e diferenças entre o governo de Hitler e o governo de Trump.

O fascismo foi um movimento político que surgiu na Itália após a Primeira Guerra Mundial, na década de 1920, sob a liderança de Benito Mussolini. Além do regime de Mussolini na Itália, são considerados fascistas o regime nazista da Alemanha de Adolf Hitler e a ditadura de Francisco Franco na Espanha, entre outros, que se estabeleceram entre a 1ª e a 2ª Guerra Mundial, na década de 1930. O fascismo e o nazismo representaram uma reação das forças conservadoras, respectivamente da Itália e da Alemanha, contra a ascensão dos trabalhadores ao poder após a vitória do socialismo na União Soviética em 1917 e se baseava em concepções fortemente nacionalistas e no exercício totalitário do poder, portanto, contra o sistema democrático e liberal, e repressivo ante as idéias socialdemocratas, socialistas e comunistas. 

O fascismo implantado durante a década de 1920 e o nazismo implantado durante a década de 1930 se baseavam em um Estado forte, totalitário, que se afirmava encarnar o espírito do povo, no exercício do poder por um partido único cuja autoridade se impunha através da violência, da repressão e da propaganda política. O líder fascista é uma figura que está acima dos homens comuns. Mussolini era denominado como Il Duce, que deriva do latim Dux (General) e Hitler era chamado de Fuehrer (Condutor, Guia, Líder, Chefe). Ambos eram lideranças messiânicas e autoritárias, com um poder que era exercido de maneira unilateral sem consulta a quem quer que fosse. Na Alemanha, o fascismo recebeu a denominação de nazismo. Este movimento teve também um forte componente racial, que defendia a superioridade da raça ariana e procurava exterminar os judeus, os ciganos, os homosexuais e os negros.

Na era contemporânea, nos Estados Unidos, o neofascismo cresceu no solo de uma democracia madura em crise. O nascimento do neofascismo sob o comando de Donald Trump nos Estados Unidos resultou, fundamentalmente, de seu declínio econômico e da perda da hegemonia do país na cena mundial em um prazo temporal muito curto. Todas as relações mundiais dos Estados Unidos se modificaram profundamente nos últimos tempos, sendo obrigado a compartilhar com outros países o poder em escala mundial. A era em que os Estados Unidos procuravam impor sua vontade no cenário internacional nos planos econômico e militar acabou. Foi o que ocorreu a partir da grande recessão de 2008 nos Estados Unidos que fez com que se acelerasse a crise geral do sistema capitalista mundial e a mudança geopolítica de longo prazo anunciando o declínio do poder norte-americano e da influência europeia e a ascensão da China como potência economicamente dominante. Donald Trump representa uma reação dos Estados Unidos visando reverter esta tendência. Donald Trump faz parte de uma Internacional de extrema direita neofascista que está sendo construída no mundo, com financiamento robusto de alguns grandes grupos econômicos, visando oferecer resistência à ascensão da China como potência hegemônica.

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O neofascismo nos Estados Unidos surgiu, portanto, como resposta pela preservação da supremacia norte-americana no mercado mundial e no sistema internacional, envenenando a consciência de dezenas de milhões de norte-americanos com um nacionalismo exaltado. O neofascismo nos Estados Unidos responde ao ressentimento de setores das camadas médias da população diante de seu empobrecimento e do fim do sonho americano de prosperidade. O neofascismo nos Estados Unidos é uma manifestação de caráter racista contra os imigrantes, de rancor machista contra uma nova onda feminista, de histeria homofóbica contra os LGBTs e de negacionismo ao aquecimento global. Trump é um caudilho neofascista sendo a expressão de um movimento de massas reacionário, apoiado por frações da burguesia norte-americana, diante da ininterrupta decadência dos Estados Unidos no mundo. O slogan MAGA - Make América Great Again (torne a América grande de novo) do neofascismo trumpista é uma expressão tipicamente neonazista.  

O projeto político de Trump para os Estados Unidos é a implantação de um regime bonapartista. Isto significa a subversão do regime presidencialista democrático-liberal estabelecido nos Estados Unidos nos últimos duzentos anos. Bonapartismo, derivado de Bonaparte, significa um regime autoritário em que a Presidência se eleva acima das outras instituições, Congresso e Judiciário, e concentra poderes excepcionais, em nome da defesa da unidade da nação. O projeto de Trump, apoiado na mobilização de um movimento de massas de ressentidos e desesperados existente nos Estados Unidos, movido pelo slogan “Make America Great again”, sugere o plano de um regime autoritário que, dependendo das condições da luta político-social, pode anular os freios e contrapesos históricos do regime democrático dos Estados Unidos.

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No atual governo Trump, muitos dos direitos constitucionais estão sendo corroídos, senão diretamente atacados nos Estados Unidos. Trump compromete os interesses dos trabalhadores, dos pobres, das pessoas negras e indígenas, dos imigrantes indocumentados e das pessoas transgênero, enquanto ao mesmo tempo concede aos bilionários e ao 1% mais rico ainda mais poder e controle. A administração Trump não apenas está consolidando a posição dos ultra-ricos nos Estados Unidos, mas está fazendo isso de forma semelhante, em certos aspectos, àquelas usadas pelos fascistas e nazistas na década de 1930.

A análise da evolução do neofascismo nos Estados Unidos permite constatar que Donald Trump não é a reencarnação de Adolf Hitler, mas há muitas semelhanças entre algumas das ações do governo Trump em 2025 e do governo nazista em 1933. Os períodos em que Hitler e Trump chegaram ao poder exibem muitas semelhanças sinistras, mas também diferenças claras durante seus respectivos primeiros dias de governo repressivo. Hitler conseguiu implementar uma série de políticas e decretos que desmontaram as instituições democráticas da República de Weimar na Alemanha em um período relativamente curto. Trump está tentando fazer a mesma coisa nos Estados Unidos durante o atual mandato presidencial.

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Os primeiros dias de governo de Trump se caracterizaram, como os de Hitler, por uma enxurrada de decretos executivos autoritários que ele emitiu desde sua posse em 20 de janeiro de 2025, muitos dos quais os tribunais consideram ilegais. Trump rasgou os acordos comerciais que os Estados Unidos tinham com vários países aplicando tarifaços contra produtos importados pelos norte-americanos na vã esperança de que suas políticas tarifárias melhorarão a economia americana, forçarão empresas a se mudarem para os Estados Unidos, compensarão o déficit orçamentário do governo e aumentarão a receita do governo federal, já que prometeu a seus apoiadores bilionários que fará um corte de impostos para os super-ricos até o fim deste ano. Para cumprir sua promessa eleitoral sobre imigração, Trump fez todo o possível para aumentar o número de deportações de trabalhadores indocumentados, supostamente expulsando primeiro imigrantes condenados por crimes, promoveu a deportação de estudantes internacionais pró-palestinos e evocou a Lei dos Inimigos Estrangeiros de 1796, sob a alegação de que a gangue venezuelana Trem de Aragua invadiu o país e está em guerra com os Estados Unidos em flagrante desrespeito ao devido processo legal. Trump tentou interferir na educação superior como a Universidade Harvard, Columbia, entre outras, e sobre grandes escritórios de advocacia que defendem clientes que ele considera inimigos. Não há dúvidas de que há uma semelhança evidente entre o governo Hitler e o governo Trump e entre o movimento nazista e o culto trumpista MAGA (Make America Great Again).

Pode-se afirmar que o neofascismo não é uma cópia do fascismo. O programa do neofascismo não leva à expansão do aparato estatal e de seu papel econômico, mas se inspira no pensamento neoliberal em seu apelo para reduzir o papel econômico do Estado em favor do capital privado. No entanto, a necessidade de reprimir movimentos de resistência poderá fazer com que ele siga na direção oposta. Enquanto o fascismo do século XX cresceu no contexto da grave crise econômica que se seguiu à Primeira Guerra Mundial e atingiu seu auge com a “Grande Depressão Econômica” em 1929, o neofascismo cresceu com o agravamento da crise do neoliberalismo, especialmente após a “Grande Recessão” resultante da crise financeira de 2007-2008. Enquanto o fascismo do século XX surgiu para combater o avanço do socialismo no continente europeu, o neofascismo surgiu em consequência do fracasso do capitalismo neoliberal e do ressentimento racista e xenófobo contra as ondas crescentes de imigração que acompanharam a globalização neoliberal e resultaram das guerras que essa última alimentou, paralelamente ao colapso das regras do sistema internacional.

Pelo exposto, pode-se afirmar, também, que Donald Trump é um neofascista, ou um fascista da etapa histórica em que vivemos. Trump representa um perigo, não apenas para a democracia nos Estados Unidos, mas também, para a estabilidade do sistema internacional. O tarifaço aplicado contra todos os países que mantêm relações comerciais com os Estados Unidos e a ingerência do governo Trump nos assuntos internos do Brasil e de outros países são apenas uma faceta deste perigo para o sistema internacional e para a paz mundial. A mudança recente do nome de Departamento de Defesa para Departamento de Guerra mostra o caráter belicista do neofascista governo Trump.  Em síntese, Trump representa um perigo muito grande para os Estados Unidos, para o sistema internacional e para a própria humanidade. A ascensão de Trump ao poder nos Estados Unidos representa uma fortíssima inflexão reacionária em todo o mundo. Vai ser preciso uma luta como nunca houve ao longo da história para derrotar o neofascismo nos Estados Unidos e no mundo. Trump é o Hitler contemporâneo que precisa ser derrotado dentro e fora dos Estados Unidos.

Para assistir o vídeo, acessar o website https://www.youtube.com/watch?v=xuDU_A1ac10

Para ler o artigo completo de 7 páginas em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/143861651/OS_GOVERNOS_DE_HITLER_E_DE_TRUMP_SEMELHAN%C3%87AS_E_DIFEREN%C3%87AS>, <https://www.academia.edu/143861676/THE_HITLER_AND_TRUMP_GOVERNMENTS_SIMILARITIES_AND_DIFFERENCES> e <https://www.academia.edu/143861707/LES_GOUVERNEMENTS_HITLER_ET_TRUMP_SIMILITUDES_ET_DIFF%C3%89RENCES>, do SlideShare <https://pt.slideshare.net/slideshow/os-governos-de-hitler-e-de-trump-semelhancas-e-diferencas-pdf/283030989>, <https://pt.slideshare.net/slideshow/the-hitler-and-trump-governments-similarities-and-differences-pdf/283031015> e <https://pt.slideshare.net/slideshow/les-gouvernements-hitler-et-trump-similitudes-et-differences-pdf/283031044> e do Linkedin <https://www.linkedin.com/pulse/os-governos-de-hitler-e-trump-semelhan%C3%A7as-diferen%C3%A7as-alcoforado-qghsf/?trackingId=itd4RPWRTG2OQkcBBJvvJA%3D%3D>, <https://www.linkedin.com/pulse/hitler-trump-governments-similarities-differences-alcoforado-z1iif/?trackingId=DjzZvXUV5GoFLUXveJfM0Q%3D%3D> e <https://www.linkedin.com/pulse/les-gouvernements-hitler-et-trump-similitudes-alcoforado-8n9ff/?trackingId=AM%2Ff5yj1IajL3HUB6GeOFQ%3D%3D>.

  • Fernando Alcoforado, 85, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).  
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Fernando Alcoforado
Sobre Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona. Professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997),De Collor a FHC — O Brasil.
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