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Salvador, BA

Editorial Dignidade Sempre!

O Custo da Verdade.

A Face Invisível da Perseguição ao Jornalismo na Bahia.

18/03/2026 às 00h24
Por: Redação Fonte: Fábio Costa Pinto*
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Foto: Arquivo pessoal. Imagem com recurso de IA.
Foto: Arquivo pessoal. Imagem com recurso de IA.

A última década na Bahia consolidou um cenário paradoxal: enquanto a comunicação digital se expandia, o espaço para o jornalismo independente encolhia sob o peso de uma perseguição multifacetada. O que testemunhamos entre 2016 e 
2026 não foi uma série de incidentes isolados, mas a implementação de um cerco deliberado em que o poder e o silêncio institucional se fundem para sufocar a fiscalização social. No tabuleiro da democracia baiana, a estratégia de
silenciamento evoluiu, alternando entre a brutalidade no interior e a sofisticação do assédio administrativo nos grandes centros. 

A face mais cruel dessa realidade é o rastro de sangue deixado no estado. O Sul e o Extremo Sul da Bahia tornaram-se zonas de silenciamento letal. Casos como os de Manoel Leal (Itabuna, 1998), Gel Lopes (Teixeira de Freitas, 2014) e Djalma Santos da Conceição (Conceição da Feira, 2015) são marcos de uma impunidade que atravessa décadas. Essa falta de punição rigorosa aos mandantes alimenta a percepção de que a caneta pode ser interrompida pela bala sem consequências reais, padrão reforçado pelas mortes mais recentes de Marlon de Carvalho Araújo (2018) e Weverton Rabelo, o Toninho Locutor (2021). 

Contudo, onde a violência física não chega, o sistema utiliza o assédio institucional e a descredibilização sistêmica. O objetivo não é o esclarecimento dos fatos, mas a falência financeira e o esgotamento emocional do profissional, como visto no cerco a Carlos Augusto (Jornal Grande Bahia, desde 2020). Como jornalista e membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), enfrento hoje uma campanha de aniquilação humana que se intensificou entre 2016 e 2026. Trata-se de um método que busca o “assassinato de reputação” e a “morte civil”, tentando destruir a dignidade do indivíduo perante a sociedade. 

Para quem a vive, essa perseguição é um agente biológico corrosivo. O corpo não ignora o estresse traumático de ser alvo de calúnias constantes e de ser seguido em locais públicos, como mercados e bancos. Hoje, o meu cotidiano é pautado por acompanhamento neurológico e suporte medicamentoso para tratar as cicatrizes físicas de uma guerra de informações. Mas o dano mais perverso é o emocional: como pai de dois filhos, ver a honra de uma vida ser atacada exige uma força sobre-humana para manter o equilíbrio necessário na criação de duas crianças enquanto se luta contra uma máquina de desumanização. 

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Diante da gravidade destes fatos, não houve silêncio de minha parte. Esta perseguição já foi formalmente denunciada ao Ministério Público, à Defensoria Pública do Estado da Bahia, aos Ministérios da Justiça e dos Direitos Humanos, além de órgãos nacionais e internacionais de defesa e proteção aos comunicadores. No entanto, a omissão das autoridades serve de combustível para os perseguidores. Quando o Estado não age diante de ataques comprovados contra um defensor de Direitos Humanos, torna-se cúmplice desse adoecimento. 

Inspirado nas lições de resistência contra a injustiça, reitero que a minha dignidade é inegociável. Proteger o jornalismo na Bahia requer mais do que palavras; demanda políticas públicas efetivas e a valorização da imprensa como pilar da
Democracia. Estão tentando nos calar pelo cansaço, mas, enquanto houver fôlego, haverá resistência. 

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*Fábio Costa Pinto é jornalista, integrante do Conselho Deliberativo da ABI e membro das Comissões de Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos. É editor do portal de notícias Inteligência Brasil Imprensa (IBI) e Conselheiro Nato da Fundação Hansen Bahia.

 

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