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Microbiota intestinal e estresse têm relação com a saúde gastrointestinal

Mudanças comportamentais e de humor podem implicar em alterações intestinais, de hábitos de vida e de dieta

04/07/2022 às 12h50
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Dino
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O estresse, seja ele causado por dificuldades profissionais, afetivas, comerciais ou financeiras, tem repercussão no relacionamento entre o indivíduo e o meio ambiente. O organismo está pronto para reagir ao estresse, na dependência de sua intensidade, com maior ou menor impacto. Trata-se da resposta típica ao estresse, que pode variar de fisiológica a patológica, e incluir manifestações orgânicas e psíquicas. 

“Manifestações de nervosismo, ansiedade e irritabilidade, acompanhadas de tontura, falta de memória e concentração, podem ser reflexo da resposta ao estresse, assim como sudorese, cefaleia e distúrbios do sono”, explica o Dr. Dan Linetzky Waitzberg, médico gastroenterologista, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e diretor do GANEP Nutrição Humana

Segundo o especialista, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal modula a resposta ao estresse, que reverbera para o sistema imunológico. Recentemente, a microbiota intestinal também tem sido envolvida neste processo. 

“Está estabelecida a importância neurológica do intestino e seu íntimo relacionamento com o sistema nervoso central, assim como com a microbiota intestinal em termos de resposta ao estresse. Esta resposta tem dupla mão de direção, ou seja, mudanças pressentidas pelo sistema nervoso intestinal podem afetar quantitativa e qualitativamente a função da microbiota e vice-versa.”

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Mudanças comportamentais e de humor podem implicar em alterações intestinais, de hábitos de vida e de dieta. E tudo isso pode influenciar a composição da microbiota intestinal. O resultado é uma modificação da resposta imunológica e inflamatória. “Essas, por sua vez, podem afetar os níveis de neurotransmissores cerebrais e assim contribuir para alterações de comportamento e humor, criando um ciclo vicioso de difícil ruptura”, ressalta Dr. Waitzberg.

Destaque para os probióticos

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Probióticos são microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidade adequada, conferem benefícios ao organismo. “Experimentalmente, em animais sob estresse, verificou-se elevação de marcadores inflamatórios e maior concentração de lipopolissacárides (LPS). No entanto, a oferta do probiótico Lactobacillus farciminis melhorou a toxemia (intoxicação provocada pelo acúmulo de substância tóxicas no sangue) induzida pelo LPS e reduziu as taxas de marcadores inflamatórios no hipotálamo.”

Dr. Waitzberg explica que, em situações de estresse, probióticos foram extensamente estudados, experimentalmente e na prática clínica. “Em especial, o probiótico Lactobacillus casei shirota apontou melhora do humor em indivíduos deprimidos e redução dos níveis de ansiedade em pacientes portadores de síndrome da fadiga crônica.”

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“Recentemente, em indivíduos sob estresse diário, a ingestão de Lactobacillus acidophilus Rosell 52 junto com Bifidobacterium longum Rosell 175 apontou uma diminuição dos sintomas digestivos induzidos pelo estresse. Em voluntários saudáveis sob estresse crônico de um mês, o consumo da mesma associação de probióticos mostrou, no grupo com probiótico, redução do cortisol livre urinário e da escala de ansiedade”, explica o Dr. Waitzberg.

Evidências recentes apontam que o consumo de probióticos pode melhorar sintomas de desordens do humor, por conta da elevação de serotonina, ao lado da diminuição de níveis de marcadores inflamatórios, o que poderia ter grande impacto entre aqueles que buscam o tratamento antidepressivo e sofrem com os efeitos colaterais destes medicamentos. 

Existem mecanismos para compreender as associações observadas entre probióticos e alterações psíquicas. São eles: 

1) Exclusão competitiva de patógenos intestinais pelos probióticos; 
2) O equilíbrio da barreira intestinal reduz a permeabilidade intestinal e evita a entrada de microrganismos patógenos e antígenos e, assim, reduz a inflamação; 
3) Comunicação direta com o sistema nervoso central por meio de fibras sensoriais vagais; 
4) Diminuição de mediadores inflamatórios, o que sugere associação entre depressão e níveis elevados de marcadores imunológicos.

“Assim, cada vez mais verifica-se a importância de probióticos como agentes intervenientes, sobre mediadores inflamatórios e de estresse, por meio da influência sobre o eixo microbiota-intestino-cérebro.”

Na análise do especialista, pesquisar essa área do saber é fundamental. “A literatura disponível indica o uso potencial de probióticos na melhora da saúde e da qualidade de vida da população.”

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