
Fernando Alcoforado*
Este artigo tem por objetivo demonstrar que os candidatos de perfil neofascista, entreguista, antinacional, antissocial e ultraconservador para os diversos cargos eletivos no Brasil e, sobretudo, para a Presidência da República, representam ameaças gigantescas ao futuro do Brasil. Estas ameaças são representadas pelos candidatos de extrema-direita neofascista Flavio Bolsonaro e de seu partido de extrema-direita, o PL, e os de direita Ronaldo Caiado e de seu partido, o PSD, Romeu Zema e de seu partido o Novo, Renan Santos e de seu partido o Missão e Augusto Cury e de seu partido o Avante. Estes candidatos não defendem apenas alternativas ideológicas dentro da normalidade democrática, mas de projetos neofascista, entreguista, antinacional, antissocial e ultraconservador que, se implementados, possibilitarão corroer as três bases de sustentação do Estado nacional brasileiro: o regime democrático, o modelo de desenvolvimento do Brasil com inclusão econômica e social e a capacidade soberana do povo brasileiro de decidir sobre seu próprio destino. Todos os candidatos de extrema-direita e de direita acima citados representam grandes riscos â democracia, ao progresso econômico e social e à soberania nacional do Brasil.
O grande risco à democracia no Brasil é representado pelos candidatos de direita e extrema-direita neofascista acima citados que, quando não podendo chegar ao poder atentando contra a democracia por meio de tentativas de golpes de estado com o uso do aparato militar e, também, com golpes parlamentares, atuariam por dentro do aparelho de estado utilizando o processo eleitoral para chegar ao poder e, a partir dele, empregar um repertório já mapeado pela ciência política com a realização de ataques sistemáticos à imprensa, ao Poder Judiciário e ao sistema eleitoral, com a deslegitimação do adversário como inimigo interno, com o uso da desinformação em massa e com a mobilização de bases paramilitarizadas ou digitais para intimidação com o uso das redes sociais. Com o neofascismo no poder, a democracia brasileira continuaria existindo formalmente, mas esvaziada de seus controles e liberdades substantivas. O resultado seria um Estado com eleições, porém sem Estado de Direito pleno, com oposição tolerada, mas perseguida, e com liberdades individuais condicionadas à adesão ideológica ao neofascismo.
O grande risco ao desenvolvimento econômico do Brasil é representado pelo componente "entreguista" das riquezas nacionais dos candidatos acima citados à Presidência da República no que diz respeito ao programa econômico de seus governos de subordinação do Brasil ao capital internacional. Este risco se manifesta em dois eixos: a) Desnacionalização acelerada da economia brasileira com a privatização de empresas estatais estratégicas (energia, petróleo, bancos públicos, saneamento básico, entre outras) sem cálculo de custo-benefício de longo prazo, transferindo para o exterior ativos construídos por décadas de investimento público e controle sobre setores vitais da economia brasileira; e, b) Desindustrialização e reprimarização da economia brasileira com a abertura comercial indiscriminada do mercado brasileiro às importações e desmonte de políticas industriais, de ciência e tecnologia. O Brasil voltaria a ser apenas exportador de commodities de baixo valor agregado, vulnerável a choques externos e incapaz de gerar empregos de qualidade.
O grande risco ao d es envolvimento social do Brasil é representado pelo fim do modelo de desenvolvimento atual com inclusão social dos governos do PT pelos candidatos de direita e extrema-direita neofascista acima citados que adotariam políticas de desmonte social com a retirada de direitos econômicos, sociais e políticos em vigor dos trabalhadores brasileiros. A concepção dos candidatos de direita e os de extrema-direita neofascista de que políticas sociais são "privilégios" poderiam levar ao desfinanciamento do SUS, da educação pública, da seguridade social e das políticas de combate à fome e à desigualdade. O progresso social das últimas duas décadas, que tirou o Brasil do Mapa da Fome e expandiu o acesso da população pobre ao ensino superior, poderia ser revertido sob a justificativa de ajuste fiscal pelos governos de direita e extremistas de direita se conquistarem o poder.
O grande risco à soberania nacional do Brasil, representado pelos candidatos presidenciais de direita e extrema-direita acima citados, diz respeito à perda da capacidade material do povo brasileiro de decidir sobre seu próprio destino com o alinhamento automático que eles fariam do governo brasileiro a potências estrangeiras. Um governo antinacional sob o comando desses candidatos de direita e extrema-direita neofascista comprometeria a soberania do Brasil em quatro frentes: a) Perda da soberania energética e mineral com a entrega da exploração de petróleo da camada do pré-sal, terras raras, do lítio, do nióbio e da Amazônia como fronteira de exploração sem controle nacional; b) Perda da soberania tecnológica e informacional com a ausência de regulação de big techs, dependência de satélites, cabos e plataformas estrangeiras, e desmonte de centros de pesquisa como INPE, Fiocruz e Embrapa; c) Perda da soberania territorial e ambiental com a flexibilização da proteção ambiental e o alinhamento com interesses do agronegócio predatório com o enfraquecimento do controle do Estado sobre seu próprio território, internacionalização da Amazônia e exposição do país a sanções comerciais internacionais; e, d) Perda da soberania diplomática com o alinhamento automático e não-pragmático a uma única potência estrangeira, os Estados Unidos, abandonando a tradição brasileira de multilateralismo, não-intervenção e integração sul-americana (BRICS, Mercosul, Celac).
Conjugados, esses quatro riscos (fim do regime democrático, entrega das riquezas nacionais ao capital internacional, fim modelo de desenvolvimento do Brasil com inclusão econômica e social e perda da capacidade soberana do governo brasileiro de decidir sobre o destino da nação) produziriam um país menos democrático, menos desenvolvido economicamente, mais socialmente desigual e menos dono de seu destino. O fato é que todos os candidatos de direita e extrema-direita citados no primeiro parágrafo representam grande risco à democracia no Brasil, sobretudo Flavio Bolsonaro, por ele representar um grupo político que tentou realizar um golpe de estado no Brasil e apresenta um conjunto persistente de comportamento antidemocrático como o de contestar eleições legítimas sem evidências, defender ruptura constitucional, estimular intervenção militar na política, procurar subordinar o Legislativo ou Judiciário ao Executivo, atacar sistematicamente a liberdade de imprensa, tratar adversários políticos como inimigos que devem ser eliminados da vida pública, tolerar violência política ou procurar alterar as regras institucionais para perpetuar seu grupo no poder.
De todos os quatro riscos acima descritos o maior de todos é o risco contra a democracia brasileira se houver a eleição de Flavio Bolsonaro à Presidência da República que, como neofascista no poder, abriria caminho para a adoção de medidas que contribuam para o retrocesso do Brasil em termos de progresso econômico e social e que, como vendilhão da pátria, adotaria medidas antinacionais de subordinação do Brasil aos Estados Unidos e ao capital internacional atentando contra a soberania nacional. Para evitar que isto aconteça, é preciso impedir a ascensão da direita ou, sobretudo da extrema-direita ao poder no Brasil, elegendo Lula como Presidente da República que asseguraria a manutenção do regime democrático, do modelo de desenvolvimento com inclusão econômica e social e da capacidade soberana do povo brasileiro de decidir sobre seu próprio destino.
A alternativa estratégica nas eleições de 2026 para o Brasil deveria ser, portanto, o da maioria do povo brasileiro reeleger Lula à Presidência da República cujo projeto de governo está centrado na manutenção da democracia política + progresso econômico + progresso social + autonomia científica e tecnológica + soberania nacional + sustentabilidade ambiental. Além de eleger Lula presidente, o povo brasileiro precisa, também, eleger a maioria dos governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais progressistas para o futuro governo realizar as mudanças necessárias ao desenvolvimento do Brasil.
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* Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.
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