
Foi mamãe quem me ensinou a colocar o búzio no ouvido para escutar o mar. Eu era pequena e achei fascinante poder ouvir de outra maneira aquele som que já me era familiar e querido, nem precisava ir à praia. Ficava mais misterioso. Como era possível aquilo? Simplesmente era possível!
Foi minha Cecília quem chegou na terça-feira passada com a notícia que acabava de entrar na Neflix o filme de Daniel Rezende baseado no livro de Valter Hugo Mãe, O Filho de Mil Homens. Ela já havia comentado comigo o quanto amara esse filme, quando da seleção do filme brasileiro para o Oscar, da qual participou. É maravilhoso, me dissera então e me repetia agora. Sabendo de quanto sou fã do escritor português, de quem me aproximei na FlItabira do ano passado em conversas deliciosas e divertidas, me animava a virar o botão da TV. Assiste logo, mãe, que vai demorar para entrar no cinema.
Uma hora depois, com uma salada fresquinha no colo, comecei a almoçar e a assistir O Filho de Mil Homens. A voz de Zezé Mota impacta dizendo os versos que traduzem o que se vai ver e eu usei aqui como epígrafe (que poderia ser também a frase do livro que não paro de repetir em minha cabeça: Pensava que quando se sonha tão grande, a realidade aprende.) E vem Rodrigo Santoro, quase irreconhecível frente a um marzão imenso, barulhento, o boneco-filho, sorrindo com sua boca de botões vermelhos, que ouve o mar no búzio e divide com o pai o peixe recém-pescado...
Foi Caymmi quem disse um dia, quando vinha a meu lado no carro de mamãe e desembocamos frente ao mar de Itapuã: Eta, Marzão! Pensar que é todo meu! Todo seu, Dodô? E seu também, Papa, basta você querer. É de Caymmi, é meu, é de Crisóstomo esse mundo de água salgada, que espuma, que grita alto à espera do nosso grito de volta.
Foi Mãe Cleusa do Gantois quem me disse uma vez, ao me ver entrar no terreiro em prantos: Lá vem Yemanjá derramando o mar todo pelos olhos. Terminei de assistir O Filho de Mil Homens banhada em lágrimas. Fiz um vídeo para Valter, que logo me enviou palavras de puro encanto, confirmando também serem seus todos os sentimentos que sua história, no olhar de Daniel Rezende e Azul Serra, me despertou. Gritei. Chorei. Conversei por internet com Alexandre Coimbra, amizade feita em mais uma FlItabira, só que a desse ano. (Obrigada Afonso Borges, por sua generosidade quando apresenta pessoas que você sabe que se amarão para sempre.) Trocamos sentimentos, e falamos de como seria bom se todos, digo TODOS, vissem esse filme.
Mais não conto sobre o poder que o filme tem de nos fazer apalpar a solidão, sobre o que é ser filho, o que verdadeiramente é uma família, sobre a capacidade de humanização que temos dentro da simplicidade e da amizade. Valter, Daniel -- que entendeu tudo e fez um roteiro formidável --, o fotógrafo Azul Serra, que tem a sensibilidade e a força de seu nome, Rodrigo, Jonny, Inez, Juliana todos que se uniram para nos trazer este momento de mergulho na esperança na humanidade, OBRIGADA!
Ontem, no aeroporto de Salvador, comprei o livro que ainda não lera. Comecei com medo de comparar com o filme. Valter não deixa, o livro prende e é único, assim como o filme também o é. Continuo vivendo de pura emoção e derramando o mar pelos olhos.
Bom domingo a todos. Sei que será um dia ótimo para nós, os brasileiros democratas, mas deixe os noticiários um pouco de lado e comemore a vida e a esperança vendo o filme e lendo o livro! E se adorar, como eu, não deixe de avaliar o filme para que o streamer saiba que fez um bom negócio e continue produzindo coisas que valem a pena.
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