
| A Rede de Proteção de Jornalistas e Comunicadores, iniciativa coordenada pelo Instituto Vladimir Herzog, fortaleceu sua presença na região Sul após a realização de uma formação presencial em Chapecó (SC). O encontro, que reuniu comunicadores dos três estados da região, fez parte de um ciclo formativo nacional e marcou a ampliação das estratégias locais de autoproteção e enfrentamento às violações contra profissionais da imprensa. Composta por 160 integrantes — entre jornalistas, radialistas, comunicadores populares, blogueiros e representantes de coletivos e organizações —, a Rede tem desempenhado um papel fundamental na defesa da liberdade de imprensa no Brasil. Desde sua criação, já atuou em mais de 170 casos de violência contra comunicadores, oferecendo suporte jurídico, psicológico, além de orientações em segurança digital e física. O cenário de risco permanece preocupante. Somente em 2024, a Rede já recebeu 44 relatos de violações, média de um novo caso por semana, sendo 26 deles relacionados a demandas jurídicas — evidência do uso sistemático da judicialização como ferramenta de censura e intimidação. Na região Sul, o panorama também acende o alerta. Entre 2017 e 2024, foram contabilizados 22 casos de violência contra comunicadores. Santa Catarina lidera com 9 registros, seguida pelo Paraná, com 7, e pelo Rio Grande do Sul, com 6 casos. Os dados reforçam que as violações não estão restritas aos grandes centros urbanos, afetando também profissionais em cidades do interior e em territórios historicamente menos visibilizados. Continua após a publicidade As formas de violência mais recorrentes no país, segundo levantamento da própria Rede, incluem: Judicialização indevida (26%) Continua após a publicidade Agressões digitais (19,7%) Violência verbal (15,9%) Continua após a publicidade Violência física (13,9%) Apesar de o Brasil ter subido recentemente 47 posições no ranking de liberdade de imprensa da organização Repórteres Sem Fronteiras, entidades seguem alertando que essa melhora reflete mais uma conjuntura institucional do que mudanças estruturais. A realidade dos jornalistas no país continua marcada por perseguições, ameaças e processos que comprometem o exercício livre da profissão. Além do atendimento direto aos casos, a Rede atua pressionando autoridades públicas e órgãos responsáveis, exigindo respostas e medidas de proteção. A articulação conta com o apoio de organizações de referência internacional, como Artigo 19, Repórteres Sem Fronteiras e Intervozes, reforçando a dimensão coletiva e internacional da luta pela liberdade de imprensa no Brasil. A formação realizada em Chapecó é marca de um ciclo iniciado em maio de 2024, que percorreu diversas regiões do país — Manaus (Norte), Salvador (Nordeste), Goiânia (Centro-Oeste) e Rio de Janeiro (Sudeste). A etapa no Sul, inicialmente adiada devido às enchentes no Rio Grande do Sul, reuniu comunicadores dos três estados para debater temas como enfrentamento ao assédio judicial, segurança digital, autocuidado, cuidado coletivo e fortalecimento da comunicação popular e comunitária. Além dos conteúdos práticos, a atividade também definiu os representantes estaduais que participarão do Encontro Nacional da Rede, agendado para setembro, em Salvador–BA. Outro avanço importante foi o lançamento da nova versão do site da Rede, que agora oferece ferramentas mais eficientes para receber denúncias e monitorar casos de violência.
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