Em 2024, foram queimados 3,8 mil hectares em Sergipe, uma área equivalente a cinco mil campos de futebol, segundo dados da organização não governamental (ONG) MapBiomas. As consequências negativas da prática, que também ocorre como fenômeno natural, prejudicam a saúde de mananciais de água, como rios, riachos e nascentes. Porém, um projeto desenvolvido pela Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) tem contribuído para mitigar os efeitos de queimadas.
A iniciativa ‘Deso + Verde’ distribui mudas de árvores de espécies nativas, e tem objetivo de preservar e recuperar as matas ciliares do estado, aquelas localizadas às margens dos corpos de água, e vegetações de áreas de recarga dos corpos hídricos, locais onde acontece a reposição da água de mananciais. O projeto, que já doou mais de 115 mil mudas em cerca de seis anos, também contribui para a arborização de regiões urbanas e rurais, com oferta de plantas a órgãos públicos, entidades sociais e pessoas físicas.
As queimadas provocam repercussões negativas diretas à produção de água, processo em que a vegetação desempenha papel fundamental, segundo explicou o coordenador de Preservação de Mananciais e Segurança de Barragens (Cops) da Deso, Luiz Carlos Sousa Silva. “Há, ainda, a danificação do solo, tornando-o mais vulnerável. Além da fauna, também é impactada o que a gente chama de proteção das águas, que são as plantas e as raízes que sustentam o solo e protegem da evaporação o espelho d'água – lago ou reservatório, por exemplo”, detalha.
Desta forma, os danos podem se estender ao acesso à água potável pela população. Menos vegetação significa maior perda de água dos mananciais para a evaporação, evento natural minimizado pelas copas das árvores, que protegem as fontes hídricas das altas temperaturas. Isso também representa maior vulnerabilidade do corpo de água à entrada de sedimentos, como pedras, terra e lixo, bem como aumenta as chances de desvios do curso hídrico.
“Sem proteção, a médio e longo prazo, o volume e a qualidade da água são diminuídos. Então, a queimada traz prejuízos ao abastecimento porque, uma vez reduzida a vazão, haverá perda na produção de água. Automaticamente, a disponibilidade dessa água para a população cai. É um dano muito prejudicial e perigoso”, afirma Luiz, ressaltando os benefícios gerados pelo ‘Deso + Verde’ para a preservação dos recursos hídricos de Sergipe.
Deso sustentável
O coordenador da Cops enfatizou que o projeto reflete os valores voltados à sustentabilidade da Deso, que, conforme sublinhou ele, é uma empresa protetora do meio ambiente. “A Deso tem uma responsabilidade muito grande em proteger a sua matéria-prima, a água, junto a diversos parceiros, como o Ministério Público e os órgãos de defesa ambiental. É uma atuação multidimensional, que envolve, ainda, ações de educação relacionadas ao meio ambiente, veículos de conscientização aos cidadãos, pois a proteção dos recursos hídricos é um trabalho coletivo”, frisa.
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