
Passei um ano sem escrever meus artigos e dois anos desde a primeira ameaça. Em novembro do ano de 2024, fui abordado por um segurança motorizado, que era um desses seguranças de bairros de luxo, contratados para assegurar os moradores, e que tentou me agredir. Logo foi impedido pela gerente e um segurança de um mercadinho do bairro. “Por que vai fazer isso com o rapaz? "Ele é nosso cliente", disse a gerente. Outro: “Ele é morador daqui”, e o segurança do mercado chama o segurança do bairro e fala para ir embora e não fazer isso. Motivo: não há. Fui informado que simplesmente o segurança não gostava de mim e que estava planejando me dar uma surra. Fiquei pasmo. Pura estupidez.
Por um período, fiquei pensando por que essa atitude; não via motivo, nunca tinha visto antes, não sabia seu nome, idade e nem seu propósito Um ser estranho. Isso me incomodava de tal forma que precisava saber o motivo de tamanha tentativa de agressão.
Certo dia, após dois meses de reflexão, enquanto estava sentado em uma lanchonete, o segurança agressor apareceu, fixando o olhar em minha direção. Levantei-me e fui em sua direção para saber o motivo, quando fui apanhado: “Eu queria quebrar a sua cara e você vem falar comigo”. Como reagir diante de uma situação destas, a não ser denunciar a perseguição e o ódio deste covarde?
Como de costume, logo pela manhã leio as mensagens no celular e vejo uma postagem que me chamou atenção, referente ao filósofo, teólogo e intelectual alemão Dietrich Bonhoeffer, membro da resistência alemã antinazista, e por isso foi preso e enforcado.
O texto é uma reflexão sobre a estupidez. Conta que, na prisão, Dietrich Bonhoeffer refletiu muito, tentando entender como era possível que seus compatriotas alemães estivessem apoiando tão fervorosamente Hitler e suas políticas irracionais e criminosas, sendo o povo alemão um dos mais cultos e avançados da Europa e do mundo, em termos científicos, tecnológicos, culturais, etc.
Diz o texto: “Ele chegou a uma conclusão: o povo alemão foi vítima da estupidez coletiva. E então Bonhoeffer escreveu um ensaio sobre a estupidez que hoje vale a pena recordar”. — Segundo Bonhoeffer, a estupidez não tem uma causa psicológica, mas sim sociológica, ou seja, é contagiosa: a estupidez de uma pessoa precisa da estupidez de outra.
É como um feitiço formado por palavras de ordem que se apodera das pessoas. Isso me lembra os tempos não muito distantes; atualmente, essa prática desabrocha como uma tentativa cruel contra as pessoas de bem, refletindo as ações de governos desastrosos e golpistas. Pois é, o intelectual alemão Dietrich Bonhoeffer tem razão: “a estupidez não tem uma causa psicológica, mas sim sociológica”.
Seguindo o texto: "Quando as pessoas estão passando por um período de estupidez, nunca acreditarão nos argumentos contra sua estupidez; simplesmente os ignorarão. São absolutamente impermeáveis às advertências sobre as consequências catastróficas que sua estupidez pode ocasionar a elas mesmas e aos outros estúpidos, e sempre se sentem orgulhosas de si mesmas e de sua estupidez”.
Dai estava certo, tinha que me retirar ou seria agredido por um segurança com as faculdades mentais no estado de estupidez. — “Ainda mais, muitas vezes é perigoso tentar persuadir um estúpido com razões, pois ele se sentirá agredido, irritar-se-á facilmente e até tentará atacar”.
Há momentos na vida em que, contra a estupidez, não há nenhuma defesa. Nos últimos 4 anos, venho denunciando e cobrando incessantemente das autoridades policiais e jurídicas a apuração e punição para diversos e repetidos crimes cometidos contra jornalistas, radialistas e profissionais da imprensa, no exercício da profissão. Bem como aos povos originários, quilombolas, negros, pobres, mulheres, crianças e idosos.
Já perdi as contas da quantidade de vezes que venho sendo seguido na rua, no mercado, na farmácia, no banco, nas redes sociais, na tentativa de prejudicar meu trabalho digno e ético. Por que essa perseguição? Inveja ou medo de ser revelado à obscuridade? Que mal faz uma pessoa de bem?
Segundo Bonhoeffer, só quando o governo ou o regime social que produz a estupidez coletiva entra em colapso ou em crise, as pessoas podem se libertar dela e da dor que começa a surgir pela contradição entre seus pensamentos e seus atos.
É importante recordar para que os estúpidos possam entender, se é que vão entender: crime de ‘Stalking’ — perseguição, em inglês — prática de perseguir uma pessoa de forma sistemática, seja presencialmente ou online. Publicar comentários invasivos nas redes sociais, enviar mensagens e fazer ligações insistentemente ou incômodas podem ser sinais de stalking. Passando a monitorar constantemente a vida da pessoa, coletando informações e cercando-a em vários lugares, com o criminoso objetivo de desestabilizar a pessoa”.
Pessoas de diversos níveis da sociedade vêm praticando tal crime, com participação e informação do vigilante de rua (seguranças), em restaurantes, bares, condomínios de residência, etc., em aliança com milicianos, traficantes e policiais. As perseguições ocorrem das mais variadas formas, causando com isso, em alguns casos, transtornos psicológicos nas pessoas perseguidas. Inventam mentiras, criam situações para arrolar o outro perversamente.
Desde março de 2021, a prática é considerada crime no Brasil, quando foi incluída no Código Penal. A pena é de seis meses a dois anos de reclusão e multa. E, sendo um membro de uma força de segurança, que as corregedorias investiguem.
Não importa a patente do perseguidor, seja policial ativo ou da reserva, aposentado ou não. Independentemente de serem políticos, partidos, seguranças de rua ou vigilantes, aqueles que cometem crimes e perseguem, seja com atos de milícia ou não, não podem mais contar com a impunidade em um país que ainda nutre esperanças.
Diante destes fatos, temos que registrar um boletim de ocorrência na polícia civil, para que a estupidez dos covardes não se perpetue.
*Fábio Costa Pinto, jornalista de profissão, membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Imprensa — ABI e das Comissões de Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos. Jornalista editor do Portal de Notícias IBI e conselheiro da Fundação Hansen Bahia.
Estupidez Coletiva. Violência e perseguição contra jornalistas: quando informar vira um ato de coragem.
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