
Para garantir que as pessoas não abandonem o tratamento, o município dispõe de uma cesta básica de alimentos para os pacientes, durante todo o processo.
A campanha Janeiro Roxo intensifica a circulação de informações sobre o diagnóstico, tratamento e os cuidados em relação à doença mais antiga do mundo, a hanseníase. Antes, era chamada de lepra, mas o termo foi proibido no Brasil pela lei n.° 9.010/95, em administrações públicas. A atual nomenclatura é em homenagem ao descobridor da bacté0ria, o norueguês Armauer Hansen, em 1873. O tratamento é oferecido gratuitamente para os pacientes do mundo todo, desde 1995.
Em Marabá, as Unidades Básicas de Saúde (UBS) dispõem do diagnóstico ao tratamento completo da doença, com acompanhamentos médicos e medicações durante o período necessário até o paciente estar completamente curado. Sthelyos Brás é um exemplo disso. O jovem, que hoje tem 24 anos, foi acometido pela doença aos 18 anos, mas os familiares não sabiam de que se tratavam os sinais daquela enfermidade, chegando a procurar diagnósticos fora de Marabá.
“Eu já havia feito vários testes, mas sem sucesso, pois a hanseníase que eu tive é do tipo neural, muito mais difícil de diagnosticar. Os primeiros sintomas foram a falta de tato e algumas pontadas nos dedos. Daí eu fui levado na UBS Jaime Pinto, mas não detectaram de primeira. A gente chegou a ir à Goiânia fazer as consultas, mas não apontaram o que poderia ser. Mas depois de um ano, quando se agravou um pouco mais a doença, com as “garras na mão” e a “queda do pé” (diminuição da firmeza no pé), foi que a enfermeira Waldirene me viu e fez o diagnóstico de que era hanseníase”, conta o paciente.

De acordo com a enfermeira Waldirene Barreto, visitadora sanitária do Ministério da Saúde e a responsável por detectar a doença em Sthelyos, o diagnóstico de hanseníase é clínico e requer bastante conhecimento e experiência por parte do profissional, principalmente nos casos de hanseníase neural, onde apenas os nervos são afetados, e só quando se desenvolvem as sequelas, como o “pé caído” e as “mão em garra”, é que a doença se torna perceptível.



“Para quem conhece os sinais da hanseníase, o andar do paciente com o ‘pé caído’ é bem característico e de longe eu percebi e logo me pediram para avaliá-lo por conta da minha experiência com esses diagnósticos. Tive que fazer a avaliação neurológica de incapacidade, com uma série de exames em várias partes do corpo do paciente, para ter a certeza se era hanseníase e concluímos que ele tinha e logo iniciou o tratamento”, explica Waldirene.

A visitadora enfatiza ser fundamental realizar formações contínuas com os profissionais que atuam diretamente com o paciente, como a capacitação que os enfermeiros das UBS receberam na última terça (16), no objetivo de diagnosticar a hanseníase, por meio do formulários de avaliação neurológica do grau de incapacidade física, onde várias partes do corpo são analisadas com diversos métodos.
Quando o paciente observar manchas esbranquiçadas, amarronzadas, acastanhadas e alteração de sensibilidade na pele, este deve ir até à UBS o quanto antes para fazer o teste. Muitos casos são detectados pelos próprios Agentes Comunitários de Saúde (ACS), nas visitas domiciliares.
Após o diagnóstico concluído, o paciente inicia, por autorização do médico, o esquema terapêutico chamado de Poliquimioterapia Única (pqt-u). Quando há poucas lesões e não se transmite (tipo paucibacilar); já quando o estágio avançado, com muitas lesões e transmissível, o tratamento é de 12 meses (tipo multibacilar).
O esquema terapêutico inclui três tipos de medicações, uma parte supervisionada pelo enfermeiro e a outra é administrada em casa. Nos casos multibacilares, o paciente realiza o exame dermatoneurológico mais três vezes durante o tratamento, já nos casos de poucas lesões (paucibacilares) o exame é feito duas vezes, no início e no fim do processo. Além disso, quando um paciente inicia o tratamento, todos familiares que possuem contato com ele também fazem o exame na UBS. Uma vez iniciado o tratamento, em apenas 4 dias, a pessoa não transmite mais a doença.


Para garantir que as pessoas não abandonem o tratamento, o município dispõe de uma cesta básica de alimentos para os pacientes, durante todo o processo. O benefício foi instituído pela Lei nº 17.915, assinada em julho de 2019 pela Prefeitura. A coordenadora do Departamento de Doenças Crônicas da SMS, Lília Moura, destaca que se trata de um apanhado de alimentos diferenciados, no objetivo de contribuir para a qualidade de vida daquele paciente.


“O paciente tem direito a receber uma cesta básica por mês. Esta foi pensada para a questão nutricional. Dessa forma, ela é voltada para alimentos integrais, por causa da nutrição e imunidade, com ovos, azeite, manteiga, dentre outros alimentos saudáveis”, explana.

A enfermeira Marly Solange Maltarolo, servidora há 12 anos na UBS Jaime Pinto, onde Sthelyos foi tratado, acompanhou e supervisionou de perto o processo do jovem e afirma que todos os pacientes devem ser como ele. “O Sthelyos sempre foi um paciente muito assíduo no tratamento. Tomava a medicação diariamente e ia todos os meses na Unidade, por isso ele teve uma melhora significativa e rápida no quadro clínico dele”, revela a profissional.
Do outro lado, o paciente agradece o atendimento que recebeu na Unidade. “O atendimento que eu tive lá foi de muito empenho por parte dos profissionais e eu fiquei bastante conhecido pela equipe da Unidade. Todos me tratavam muito bem e logo me atendiam”, reconhece.

Sthelyos finaliza elogiando a campanha, a qual leva a conscientização para o diagnóstico precoce. “Essa campanha vai ajudar muitas pessoas a saberem observar os sinais e procurar as Unidades de Saúde em Marabá para garantir o tratamento, como eu tive”, conclui.
A Campanha Janeiro Roxo segue durante o mês, com palestras em cada UBS, além de serviços de saúde ao público.

Texto: Sávio Calvo
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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