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Salvador, BA

Cultura Luiz Gama

Evento aborda apagamento histórico de Luiz Gama, personagem fundamental para entender o Brasil.

8º Rede Capoeira recebe o pesquisador Bruno Rodrigues de Lima no painel “Mestre Luiz Gama – Nosso Herói Ainda Vive”, que revisita o legado de um dos maiores pensadores democratas do Brasil.

03/08/2026 às 17h00
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Tatiane Freitas / Interativa Viva
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 Luiz Gama (Foto: Domínio público)
Luiz Gama (Foto: Domínio público)

Na sexta-feira, dia 7 de agosto, às 15h, enquanto muitos baianos irão cumprir a rotina de mais uma tarde de trabalho, um debate estará acontecendo em Salvador e trazendo à mesa um nome que, direta ou indiretamente, reverbera na vida de todos, ainda que desconhecido por muitos. Tema do painel do 8º Rede Capoeira, o baiano Luiz Gama (1831 - 1882) terá seu legado revisitado como um dos maiores pensadores brasileiros que formulou ideias sobre cidadania, igualdade, liberdade e Estado Democrático muito antes da Abolição.

Assim como no 8º Rede Capoeira, que acontece de 6 a 8 de agosto do Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) com entrada franca, outros redutos culturais e intelectuais do Brasil vem se esforçando para reposicionar Gama no lugar que ele deveria ocupar na história do país. O reconhecimento, mesmo que atrasado e ainda inferior à sua trajetória, é possível graças a pesquisadores como Bruno Rodrigues de Lima, autor dos livros Luiz Gama contra o Império: a luta pelo direito no Brasil da Escravidão (Contracorrente, 2024) e Pai contra mãe: as origens perdidas de Luiz Gama (Hedra, 2025), convidado especial do painel, que terá mediação do comunicador e poeta James Martins.

Bruno é advogado, historiador do direito, nasceu na Bahia, e atualmente mora na Alemanha - onde possui doutorados por duas universidades -, e de onde embarcou especialmente para participar do Rede Capoeira no painel  “Mestre Luiz Gama – Nosso Herói Ainda Vive” e do lançamento da novela gráfica “Luiz Gama, Artífice da Liberdade”. 

Considerado uma das maiores referências nos estudos sobre a vida e a obra do jurista baiano, é dele também a organização dos 11 volumes das Obras Completas de Luiz Gama (Editora Hedra). O projeto reúne cerca de 800 textos de Luiz Gama, 600 deles inéditos. “Não se conhece, na história do Brasil, quem tenha escrito mais sobre direito e liberdade do que Luiz Gama”, comenta o pesquisador.

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De menino escravo à jurista abolicionista - Luiz Gama nasceu livre em Salvador, em 21 de junho de 1831. Sua mãe, Luiza Mahin, é reconhecida como uma importante liderança política negra na Bahia do século XIX, associada às lutas pela liberdade e à memória do Levante dos Malês e da Sabinada, tendo herdado da mãe esse legado de resistência.

Ainda criança, foi vendido ilegalmente como escravizado pelo próprio pai, um fidalgo de origem portuguesa, levado da Bahia para o Rio de Janeiro e, posteriormente, para São Paulo, onde viveu cerca de oito anos em condição de escravidão, trabalhando como copeiro, sapateiro e em serviços domésticos, até conquistar sua liberdade aos 18 anos. 

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Já livre, Luiz Gama alfabetizou-se e formou-se como autodidata. Mesmo sem diploma em Direito, conseguiu se tornar advogado e construiu uma das mais notáveis trajetórias da história do Direito no mundo. Utilizando a própria legislação como instrumento de combate à escravidão, atuou na libertação de mais de 700 pessoas escravizadas e consolidou-se como uma das principais vozes do movimento abolicionista no século XIX 

Embora nunca tenha retornado ao estado natal, manteve ao longo de toda a vida uma forte identificação com a Bahia e fazia questão de se afirmar como baiano. Morreu em São Paulo, em 24 de agosto de 1882.

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O melhor e o pior da Bahia - Para Bruno Rodrigues,a baianidade de Luiz Gama é algo a ser pensado muito profundamente. “Isso porque a Bahia de Luiz Gama é tanto a Bahia do pai, o criminoso que o vendeu como escravizado, quanto é a Bahia da mãe, uma liderança política africana que mobilizou pessoas para lutar pela liberdade. Portanto, uma mesa em sua memória, no encontro do Rede Capoeira, é para a gente lembrar do pior e do melhor, para assim pensarmos a Bahia, a nossa história e o nosso lugar no mundo”.

A relação entre Luiz Gama e a capoeira também será abordada durante o painel. Ainda criança levado para São Paulo, o jurista viveu em territórios marcados pela presença da cultura negra e faz referências à capoeira em sua obra literária. Para Bruno, essa conexão ajuda a compreender a trajetória de Gama e reforça o sentido de sua homenagem no 8º Rede Capoeira.

"A capoeira é a afirmação da liberdade, é mandinga de negro em ânsia de liberdade. Luiz Gama conhecia de capoeira porque é o lugar que ele nasce, em Salvador, o lugar que ele se cria, a pequena África paulistana, quando ele chega escravizado em São Paulo. Isso está na poesia dele. Nós, no Rede Capoeira, agora, no Museu de Arte Moderna da Bahia, em memória do Luiz Gama como herói popular, vamos lembrar da ligação dele com a Bahia e com a capoeira".

Bruno Rodrigues (Foto: Acervo pessoal)

SERVIÇO:

VIII Rede Capoeira – Heróis Populares

Quando: 6 a 8 de agosto de 2026

Onde: Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM) – Av. Lafayete Coutinho, Comércio, Salvador

Painel: “Mestre Luiz Gama – Nosso Herói Ainda Vive”

Quando: 7 de agosto (sexta-feira) I 15:00

Programação completa:
https://docs.google.com/document/d/1DFQWqnOWGHD6xejGg0DOtDuXI80LBYgLucpYdUl1IWo/edit?usp=sharing 

 

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