
A pretexto de combater o Hamas, após os ataques do dia 7 de outubro contra civis e militares israelenses, com a morte de 1400 pessoas e o sequestro de mais 200 pessoas, o governo fascista de Benjamin Netanyahu pôs em marcha uma operação militar completamente desproporcional que já ganhou a dimensão de massacre do povo palestino. São de mais de 10 mil mortos, em sua maioria crianças, com o bombardeio indiscriminado da Faixa de Gaza, que não poupa hospitais e campos de refugiados.
Observadores isentos, como a organização Repórteres Sem Fronteira, acusam o governo de Israel de cometer crimes de guerra (estabelecidos nas Convenções de Genebra e Estatuto de Roma), com a clara violação das normas que regulam conflitos internacionais que buscam reduzir o sofrimento humano. A RSF já apresentou denúncia ao Tribunal Penal Internacional pelos crimes contra jornalistas na Palestina e em Israel. “A escala, a gravidade e a recorrência dos crimes contra jornalistas, sobretudo em Gaza, exigem uma investigação prioritária por parte do procurador do TPI”, ressalta a RSF.
A ABI endossa integralmente a denúncia encaminhada ao Tribunal Penal Internacional. Ao menos 39 jornalistas (34 palestinos, 4 israelense e 1 libanês) já foram mortos, pelo menos 12 no exercício de suas atividades. O número é mais do que o dobro do registrado em 20 meses da guerra na Ucrânia. Além da mortalidade recorde, há também tentativas de censura, bloqueio da internet, ameaças, prisões arbitrárias, ataques a redações e assédio a familiares.
É preciso ressaltar que o governo brasileiro teve atuação exemplar na presidência da ONU, empenhando-se pelo cessar fogo e a criação de um corredor humanitário. A proposta do Brasil foi apoiada pela esmagadora maioria dos países membros da ONU. Os poucos votos contrários foram por imposição dos Estados Unidos e Israel. Mesmo sob pressão de seus governos – como nos Estados Unidos, na França e na Inglaterra – o povo expressa a sua indignação nas ruas, em grandes manifestações que reúnem milhares de pessoas. Judeus novaiorquinos foram presos e perseguidos, ao clamarem contra o genocídio: “Não em nosso nome!”
Desmancha-se, assim, a falácia hipócrita do fascista Netanyahu, que tem o apoio do presidente dos EUA, Joe Biden. Dentro de Israel, o movimento pela paz — e pela queda do atual governo — não para de avançar. Na esperança de deter os crimes de guerra contra o povo palestino, a ABI faz coro com os protestos mundiais: Pela criação do Estado palestino autônomo e soberano! Pelo imediato cessar fogo! Basta de genocídio!
Rio de Janeiro, 9 de novembro de 2023
Associação Brasileira de Imprensa
Octávio Costa – Presidente.
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