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Picos de calor: altas temperaturas podem aumentar riscos de AVC

Altas temperaturas devem permanecer elevadas no Ceará, segundo a Funceme As intensas ondas de calor que se instalaram sobre o Ceará em setembro ale...

21/10/2023 às 10h16
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Ceará
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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

As intensas ondas de calor que se instalaram sobre o Ceará em setembro alertaram para um problema: o número de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC) que pode aumentar com as altas temperaturas. Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o estado, principalmente nos meses de setembro, outubro e novembro, tem temperaturas máximas registradas historicamente mais altas, com dias com menos nuvens, incidência da radiação solar mais direta e maiores picos de temperatura, principalmente no interior do estado, com temperaturas chegando a 38 graus.

De acordo com especialistas, com a intensificação das mudanças climáticas e a maior ocorrência de temperaturas extremas, a tendência é que haja aumento de riscos de AVC. Daí a necessidade de maiores cuidados.

“A exposição ao calor provoca uma dilatação dos vasos sanguíneos, o que favorece para baixar nossa pressão, provocando assim um mal estar. A desidratação também pode aumentar a viscosidade do sangue e os níveis de colesterol, o que por sua vez aumentam a probabilidade de trombose microvascular e do AVC, em especial nos hipertensos e diabéticos”, afirma o médico neurologista Saulo de França, coordenador de AVC do Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) em Juazeiro do Norte.

É importante ressaltar que, além da temperatura, outros problemas de saúde podem elevar o risco de AVC, como colesterol elevado, consumo de álcool, hipertensão, obesidade, sedentarismo e tabagismo. Esses fatores podem contribuir para uma maior incidência de AVC durante os dias em que os termômetros registram marcas elevadas.

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De acordo com França, os idosos são as principais vítimas dos extremos de temperatura. “Quando estamos expostos a altas temperaturas, nosso corpo busca se adaptar como um mecanismo de defesa. A vasodilatação e a transpiração são alguns exemplos. Nesse caso, a frequência cardíaca eleva para compensar a vasodilatação e isso condiciona um maior esforço cardíaco. Porém, este mecanismo torna-se menos eficiente com o avançar da idade”, explica o médico.

Como prevenir?

Para se proteger do calor e das altas temperaturas, a palavra é hidratação. A exposição prolongada ao calor extremo pode causar a desidratação, quando nosso corpo perde mais líquido do que recebe. Um dos fatores que previne essa deficiência é o consumo regular de água, mesmo antes de sentir sede.

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“Além da hidratação, a população pode se proteger seguindo alguns cuidados básicos: usar roupas leves, com cores claras e soltas; evitar o contato direto com o sol, especialmente entre 10h às 16h; se for sair de casa, uso de protetor solar, chapéus, guarda-sol, usar sapatos adequados, principalmente para quem é diabético; e diminuir o tempo de atividade física exposta ao sol”, explicou a médica Caroline Cabral, coordenadora da Clínica Médica do HRC.

Para a médica, neste período de altas temperaturas, é necessário que familiares e profissionais fiquem em alerta. “É necessário que todos se certifiquem de como o próximo está lidando com esse calor excessivo. Crianças e alguns idosos, não conseguem se expressar de maneira oral clara, por isso é essencial ficar vigilante e perceber precocemente os sintomas causados pelas fortes temperaturas”, ressaltou.

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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará
Coordenadora da Clínica Médica do HRC orienta sobre os cuidados durante o período de altas temperaturas

Entre os principais sintomas estão as câimbras, tonturas, fadiga e náuseas. “Há outros sintomas mais graves, como confusão mental, convulsões, e, quem predispõe de doenças cardiovasculares, pode sofrer um infarto”, acrescentou a profissional. Em caso de qualquer mal-estar é necessário procurar ajuda. Em casos graves, como convulsões e delírios, a equipe médica precisa ser acionada imediatamente.

Referência no tratamento

O AVC ocorre quando um vaso que leva sangue até o cérebro entope ou se rompe, provocando a paralisia na área cerebral que está sem circulação sanguínea e sem oxigênio. A doença é uma das principais causas de morte e incapacidade em todo o mundo. No Brasil, só no primeiro semestre de 2023, foram mais de 56 mil vítimas, segundo dados do Portal da Transparência dos Cartórios de Registro Civil do Brasil, sendo a doença considerada a segunda maior causa de mortalidade no país.

O HRC possui emergência que funciona 24 horas todos os dias da semana, com atendimento específico voltado para os pacientes com AVC e serviço de reabilitação multidisciplinar. Além do atendimento na emergência, após a alta, caso haja indicação, o paciente é acompanhado por uma equipe multidisciplinar, com neurologista, profissional de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista e assistente social.

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