
A Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), autarquia vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), realiza pela primeira vez o curso básico de Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, que acontece de maneira síncrona via Google Meet e por meio de atividades presenciais de prática assistida.
A formação, que segue até a próxima quarta-feira (25), contempla cerca de 70 profissionais da saúde previamente selecionados dos municípios da Macrorregião de Fortaleza.
De acordo com a coordenadora do curso, Francilete Gomes, o principal objetivo é despertar nesses profissionais um olhar mais aguçado para o trabalho como um fator de adoecimento, nesse caso, o câncer.
Além disso, a meta é que ao fim da capacitação, os alunos consigam realizar o fechamento do nexo epidemiológico da relação da doença com o ambiente de trabalho, visando o aumento das notificações compulsórias do Ceará.
“Os participantes desenvolvem um levantamento das atividades produtivas nos territórios para elencar quais as substâncias e os tipos de cânceres que podem ser desencadeados naquele ambiente de trabalho. Depois disso, eles fazem ações práticas como, por exemplo, um diálogo com pacientes, levando em conta alguns critérios especificados no curso”, explica.
“A ideia é que, nessa etapa, o aluno faça uma espécie de anamnese ocupacional (entrevista). Quantos anos aquele trabalhador atuou na agricultura? Essa pessoa mexia com agrotóxico? Teve contato com equipamentos de radiação? Enfim, esses questionamentos podem nos levar a dados relevantes”, complementa a gestora.
A fisioterapeuta Ilca Patrícia Caldas, que atua na profissão há 22 anos, é de Belém (Pará) e foi uma das selecionadas para participar do curso. A meta é levar todo o conhecimento adquirido para aplicar em seu Estado.

“É uma capacitação muito relevante, que traz dados atuais com base em evidências científicas e que abre espaço para a troca de saberes. Agradeço muito à ESP/CE por ter autorizado a minha participação, pois isso enriquece a Saúde do trabalhador em todo o território nacional”, comenta.
A capacitação tem duração de 40 horas e é voltada para profissionais da saúde de nível superior que atuam nos serviços de oncologia; profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS); profissionais da Vigilância em Saúde, prioritariamente, os de Referências Técnicas em Saúde do Trabalhador; e profissionais dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest).
Para a realização das atividades práticas assistidas, algumas unidades de saúde da rede Sesa foram liberadas para receber os alunos, mediante autorização. São elas: o Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), o Instituto de Prevenção do Câncer (IPC) e o Centro Regional Integrado de Oncologia (Crio).
O curso é realizado por meio da Gerência de Educação Permanente em Saúde (Geduc) da ESP/CE, em parceria com a Célula de Vigilância em Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Cevit) e com a Coordenadoria de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora (Covat).
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