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Direitos Humanos Povos Isolados

Sobrevivência de povos isolados na Amazônia depende de Estado brasileiro adotar novas estratégias rapidamente, dizem pesquisadores.

Artigo publicado em Nature Sustainability por mais de 60 estudiosos revela o avanço acelerado de atividades ilegais no Vale do Javari, região que abriga pelo menos 14 grupos já identificados; solução deve ser transnacional, envolvendo Brasil, Peru e Colômbia.

26/08/2026 às 19h29
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Unesp / Assessoria de Comunicação e Imprensa
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Rio Amazonas / Crédito: Gabriel de Oliveira
Rio Amazonas / Crédito: Gabriel de Oliveira

Em junho de 2022, as mortes do indigenista da FUNAI Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips projetaram a Terra Indígena do Vale do Javari, no Oeste do Amazonas, para o noticiário global. A dupla foi vítima de uma emboscada enquanto navegava de barco no rio Itacoaí a caminho de Atalaia do Norte (AM). Quatro anos se passaram e o Vale do Javari continua na mira de criminosos, cujas atividades ilegais ameaçam a soberania territorial e a continuidade cultural dos povos que vivem na região.

Apesar da repercussão internacional das mortes de Pereira e Phillips, muitos outros indigenistas seguem atuando em defesa dos povos nativos da Amazônia e correndo risco de vida, sem que isso chame muita atenção. Para trazer mais visibilidade a esta questão, a revista Nature Sustainability trouxe um artigo, assinado por 66 pesquisadores de mais de 50 instituições, chamando a atenção para a importância de proteger a área do entorno das terras indígenas por razões que extrapolam a demarcação territorial.

Representando a Unesp, participaram da elaboração do texto os pesquisadores Michel Eustáquio Dantas Chaves, geógrafo e professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Faculdade de Ciências e Engenharia, câmpus de Tupã, e Rodrigo Lilla Manzione, engenheiro agrônomo e professor do Departamento de Geografia e Planejamento da Faculdade de Ciências, Tecnologia e Educação, câmpus de Ourinhos.

Chaves explica que a escolha do Vale do Javari como foco do artigo se deveu a sua característica de fronteira trinacional, confrontando Brasil, Peru e Colômbia. As densas florestas que ocupam a região dificultam o acesso para ações de fiscalização e de policiamento efetivo. Por outro lado, as terras indígenas ali situadas possuem recursos de interesse econômico, e em suas fronteiras já ocorre a extração de madeira para o comércio ilegal e a retirada de ouro do solo.

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É justamente a proteção dessas fronteiras que o grupo de pesquisadores procura tematizar no artigo. Eles ponderam que, no caso das unidades de conservação ambiental em território brasileiro, a legislação prevê a existência de zonas de amortecimento ao seu redor, que atuam como escudos ecológicos oferecendo uma camada extra de proteção à biodiversidade que reside no seu interior.

No entanto, no caso das terras indígenas demarcadas, como as do Vale do Javari, não existe uma área de proteção equivalente. Essa ausência favorece a aproximação das atividades ilícitas aos povos originários.

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O artigo analisa o impacto dessas atividades sobre o ambiente, combinando dados do desmatamento na região coletados pelo Programa de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES), feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e dados de cobertura florestal e mudanças de uso da terra registrados na plataforma MapBiomas.

Os resultados mostram que a faixa de 200 km de extensão ao redor do Vale do Javari, que poderia servir como zona de amortecimento, experimentou uma perda de área florestal 187,5 vezes maior do que a registrada no interior do território demarcado, demonstrando a importância de ações de preservação no entorno.

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"Muitas pessoas que estão no entorno dessas terras não pensam em conservação, mas sim em desmatamento, rotas para escoamento de produtos ilícitos e da produção agropecuária. Inclusive com rodovias cortando as terras indígenas. Por exemplo, há projetos para transformar a região de confluência entre Amazonas, Acre e Rondônia em uma zona de desenvolvimento agropecuário”, relata Chaves. “É por isso que devemos pensar na criação de zonas de amortecimento para terras indígenas, a fim de que haja efetiva proteção.”

Leia o texto completo no Jornal da Unesp.

 

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