
A abertura da safra da castanha-do-pará na Floresta Estadual (Flota) do Paru mobiliza extrativistas do município de Monte Alegre, na região do Baixo Amazonas, e marca o início de um novo ciclo produtivo aliado à conservação ambiental. A atividade, que começou oficialmente na segunda-feira (16), representa uma importante fonte de renda para as comunidades tradicionais e ganha, neste ano, novos avanços em organização, segurança e gestão.
A safra de 2026 chega consolidada por uma série de ações desenvolvidas pelo Governo do Pará, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio) que, ao longo dos últimos dois anos, implementou o projeto de compatibilização do extrativismo da castanha-do-pará em áreas de concessão florestal. A iniciativa busca alinhar o uso tradicional dos recursos naturais com o modelo de gestão das florestas públicas, promovendo equilíbrio entre produção e preservação.
“A castanha-do-pará é um símbolo da bioeconomia amazônica. Ao investir nos extrativistas, estamos fortalecendo a economia local, gerando renda e, ao mesmo tempo, protegendo a floresta. Esse é o caminho para um desenvolvimento que respeita as pessoas e o meio ambiente”, afirmou o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, que também destacou a importância estratégica da iniciativa para o desenvolvimento sustentável da região.
Melhores condições de trabalho -No dia 12 de fevereiro, a equipe da Diretoria de Gestão de Florestas Públicas de Produção (DGFLOP) concluiu uma etapa estratégica desse trabalho com a entrega de equipamentos de proteção individual (EPIs) e insumos de apoio aos extrativistas. A ação teve como objetivo garantir melhores condições de segurança e organização para o acesso às áreas de coleta, além de fortalecer a identidade visual dos coletores vinculados ao projeto.
Dos 187 coletores cadastrados e habilitados na Flota do Paru, 150 receberam kits completos contendo uniformes, botas, luvas, capacetes e óculos de proteção, além de insumos essenciais para a atividade, como sacas de ráfia, linhas, agulhas e terçados. A iniciativa reforça o compromisso com a valorização do trabalho extrativista e com a melhoria das condições de realização da safra.
Outro marco importante da preparação para a safra foi a realização de capacitações ao longo de 2025, promovidas pelo Instituto Floresta Tropical (IFT) em parceria com a The Nature Conservancy (TNC). Os treinamentos abordaram o uso adequado dos equipamentos de proteção individual, boas práticas de manejo da castanha e estratégias de precificação de produtos florestais não madeireiros, ampliando o conhecimento técnico dos coletores.
A iniciativa é financiada com recursos do Fundo de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Fundeflor), oriundos da concessão florestal para exploração de produtos não madeireiros. O investimento evidencia como os recursos gerados pela própria floresta podem ser revertidos em benefícios diretos para as comunidades que dela dependem.
Planejamento -Como parte do processo de organização da atividade, será entregue aos extrativistas, no início da safra, uma cartilha de regras de uso das áreas de coleta. O documento foi construído de forma participativa pelos próprios coletores e reúne orientações e acordos que visam garantir o uso ordenado dos castanhais, evitando conflitos e fortalecendo a gestão comunitária.
Para a gerente de Contratos Florestais do Ideflor-Bio, Cíntia Soares, a iniciativa representa um avanço significativo na integração entre concessões florestais e extrativismo tradicional. “Estamos promovendo um modelo em que o extrativista é reconhecido como parte essencial da gestão da floresta. Ao garantir segurança, organização e regras claras, fortalecemos a atividade e asseguramos a conservação dos recursos naturais para as próximas gerações”, destacou.
A diretora de Gestão das Florestas Públicas de Produção do Instituto, Ana Claudia Simoneti, ressaltou o caráter inovador do projeto. “A compatibilização entre o uso tradicional e a concessão florestal é um desafio, mas também uma grande oportunidade. Esse trabalho mostra que é possível construir soluções conjuntas, respeitando o conhecimento das comunidades e promovendo uma gestão mais eficiente e inclusiva”, afirmou.
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