
Este artigo tem por objetivo apresentar os objetivos estratégicos de Israel, dos Estados Unidos e do Irã na guerra desencadeada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e suas consequências no Oriente Médio e no plano mundial.
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã envolve os objetivos estratégicos de cada país descritos a seguir:
1. Objetivos estratégicos de Israel.
Os objetivos estratégicos de Israel consistem em: 1) neutralizar a ameaça militar iraniana; 2) enfraquecer ou derrubar o regime iraniano; e, 3) reconfigurar o equilíbrio de forças no Oriente Médio. Neutralizar a ameaça militar iraniana consiste em reduzir drasticamente a capacidade militar iraniana, sobretudo sua infraestrutura nuclear, suas bases de mísseis e redes regionais de aliados. Israel considera o Irã seu principal inimigo estratégico devido ao programa nuclear iraniano, ao desenvolvimento de mísseis balísticos pelo Irã e ao apoio a forças hostis a Israel, como Hezbollah e Hamas. Enfraquecer ou derrubar o regime iraniano consiste em promover a queda do regime dos aiatolás e transformar o Irã em um país menos hostil a Israel ou mais fragmentado. Reconfigurar o equilíbrio de forças no Oriente Médio consiste em fazer com que Israel consolide sua posição estratégica no Oriente Médio, especialmente após os acordos de normalização com países árabes.
2. Objetivos estratégicos dos Estados Unidos.
Os objetivos estratégicos dos Estados Unidos consistem em: 1) garantir a segurança de Israel; 2) conter o poder regional do Irã; 3) assegurar e controlar o suprimento de petróleo do Golfo Pérsico; e, 4) afetar a economia da China. Garantir a segurança de Israel significa assegurar que este país continue como ponta de lança dos interesses dos Estados Unidos no Oriente Médio oferecendo-lhe apoio militar, dissuasão contra inimigos regionais e manutenção da superioridade militar israelense. Conter o poder regional do Irã significa os Estados Unidos limitar a influência iraniana no Oriente Médio, sua rede de aliados armados e seu programa nuclear. Assegurar e controlar o suprimento de petróleo do Golfo Pérsico onde se concentra algumas das maiores reservas de petróleo do mundo significa os Estados Unidos impedir o bloqueio da passagem de petroleiros pelo Estreito de Ormuz onde cerca de 20% do petróleo mundial passa por ele. Afetar a economia da China significa os Estados Unidos cessarem o suprimento de petróleo do golfo pérsico para a China que se situa entre 40% e 50% do petróleo importado pela China do Oriente Médio.
3. Objetivos estratégicos do Irã.
Os objetivos estratégicos do Irã em um conflito contra os Estados Unidos e Israel consistem em: 1) garantir a sobrevivência do regime iraniano; 2) estabelecer dissuasão estratégica contra Israel e Estados Unidos; 3) liderar o chamado “Eixo da Resistência” (Hezbollah no Líbano, Hamas e outros grupos palestinos, milícias xiitas no Iraque, governo da Síria e Houthis no Iêmen); 4) acabar com a influência militar dos Estados Unidos do Oriente Médio; 5) controlar a rota energética global do Estreito de Ormuz; 6) expandir a influência geopolítica regional do Irã; 7) manter ou desenvolver capacidade nuclear latente; e, 8) transformar o conflito atual em guerra de desgaste regional. Em síntese, na guerra do Irã contra Estados Unidos e Israel, a estratégia iraniana não busca necessariamente uma vitória militar direta, mas sim alterar o equilíbrio estratégico regional e tornar qualquer guerra contra o país extremamente cara para seus inimigos. Estes objetivos não buscam derrotar militarmente seus inimigos — algo difícil devido à superioridade militar dos Estados Unidos e de Israel — mas sim impor custos estratégicos, ampliar sua influência regional e garantir a continuidade da República Islâmica.
Garantir a sobrevivência do regime iraniano significa o Irã tornar qualquer intervenção externa extremamente custosa cujos elementos desta estratégia incluem a utilização de mísseis balísticos e drones, o desenvolvimento da guerra assimétrica, o uso da rede de aliados regionais e o desenvolvimento da capacidade de retaliação indireta. Cabe observar que a guerra assimétrica é um conflito entre partes com capacidades militares, econômicas ou políticas significativamente desiguais, onde o lado mais fraco, o Irã, utiliza táticas não convencionais como guerrilha, terrorismo, sabotagem e ciberataques para contornar a força superior dos inimigos. A guerra assimétrica foca em explorar vulnerabilidades do inimigo, prolongar o conflito e evitar confrontos diretos. Estabelecer dissuasão estratégica contra Israel e Estados Unidos significa o Irã convencer os inimigos de que uma guerra contra o Irã provocaria instabilidade regional e altos custos econômicos e militares. Mesmo com inferioridade aérea, o Irã possui milhares de mísseis e um grande aparato militar, que permitiriam responder a ataques dos inimigos e manter um conflito prolongado como está acontecendo.
Liderar o chamado “Eixo da Resistência” significa o Irã liderar uma rede regional de forças anti-Israel e anti-Estados Unidos (Hezbollah no Líbano, Hamas e outros grupos palestinos, milícias xiitas no Iraque, governo da Síria e Houthis no Iêmen) que permitiria ao Irã combater seus adversários sem confrontação direta, usando guerras por procuração. Estrategicamente, isso cria pressão militar em múltiplas frentes contra Israel, ameaça constante às bases militares dos Estados Unidos e maior influência iraniana no Oriente Médio. Acabar com a influência militar dos Estados Unidos do Oriente Médio significa o Irã realizar ataques contra bases militares norte-americanas contando com o apoio de milícias que combatem tropas dos Estados Unidos na região e realizar pressão política para expulsar forças norte-americanas de países como Iraque e Síria. Controlar a rota energética global do Estreito de Ormuz por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, significa o Irã bloquear o estreito como já está fazendo, atacar navios petroleiros e minar rotas marítimas que contribuirão para reduzir as exportações do Golfo Pérsico e elevar os preços do petróleo. O bloqueio do Estreito de Ormuz visa pressionar a economia mundial e forçar potências internacionais a intervirem diplomaticamente para encerrar o conflito porque provocaria a disparada do preço do petróleo, como já está ocorrendo, prejudicaria a economia mundial, inclusive a dos Estados Unidos, e poderia desencadear uma crise econômica global.
Além de bloquear o Estreito de Ormuz, o Irã está, também, promovendo o ataque contra as 5.000 usinas de dessalinização da água do mar que abastecem 90% da água potável do Kuwait, 86% de Omã, 70% da Arábia Saudita e 42% dos Emirados Árabes Unidos. Rumores de derramamentos de petróleo e de uma possível mancha de óleo no Golfo Pérsico reacenderam o maior temor da região que seria a paralisação da operação das usinas de dessalinização de água do mar. O ataque pelo Irã às usinas de dessalinização da água do mar contribuiria para fazer com que os governantes árabes aliados do Estados Unidos forçassem o governo Trump a encerrar o conflito porque a interrupção das operações nas usinas de dessalinização na maioria dos países árabes poderia ter consequências mais graves para os países árabes do que a perda de qualquer outra indústria ou matéria-prima. Talvez ainda mais do que a infraestrutura energética, a água seja uma questão crucial no Oriente Médio.
Expandir a influência geopolítica regional do Irã significa consolidar-se como potência dominante no Oriente Médio com o fortalecimento de aliados do Irã (Síria, Hezbollah, milícias iraquianas), o aumento de sua influência no Golfo Pérsico, a cooperação estratégica com Rússia e China e projeção de poder até o Mediterrâneo. Esta estratégia é descrita como tentativa de criar um “arco de influência” iraniano do Irã ao Líbano. Manter ou desenvolver capacidade nuclear latente significa o Irã dominar tecnologia nuclear, manter capacidade de produzir uma arma caso necessário e usar essa capacidade como instrumento de dissuasão estratégica. Transformar o conflito atual em guerra de desgaste regional significa prolongar o conflito, ampliar o teatro de operações, como já está ocorrendo envolvendo todos os países do Oriente Médio, e aumentar os custos econômicos globais.
4. As consequências da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã poderá fazer com que se acentue a rivalidade entre Estados Unidos e China. Como 40%–50% do petróleo importado pela China vem da região do Golfo Pérsico, o crescimento econômico da economia chinesa será profundamente afetado se o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico for interrompido ou se ficar sob o controle dos Estados Unidos que atuará para comprometer os interesses chineses sustando o fornecimento de petróleo ou vendendo a preços exorbitantes. A reação chinesa poderia incluir a realização de pressão diplomática contra os Estados Unidos, apoio econômico e militar ao Irã e envio de forças navais para proteger as rotas energéticas oriundas do Golfo Pérsico. A Rússia poderia aproveitar o conflito para enfraquecer a influência norte-americana no Oriente Médio, apoiar diplomaticamente ou militarmente o Irã e fortalecer sua parceria estratégica com a China. A Rússia poderia fornecer armas ao Irã, compartilhar inteligência e realizar coordenação militar indireta com o Irã. Isso faria com que se formasse o eixo militar Rússia–China–Irã. O ataque pelo Irã às usinas de dessalinização da água do mar contribuiria para fazer com que os governantes árabes aliados do Estados Unidos forçassem o governo Trump a encerrar o conflito porque a interrupção das operações nas usinas de dessalinização na maioria dos países árabes poderia ter consequências mais graves para os países árabes do que a perda de qualquer outra indústria ou matéria-prima. Se a rivalidade entre grandes potências se intensificar, o conflito pode se espalhar para possíveis novos teatros de guerra como o Estreito de Taiwan, o Mar do Sul da China, a Europa Oriental e o desencadeamento da Guerra cibernética global. A China poderia aproveitar o conflito atual para agir contra Taiwan que resultaria em confrontação com os Estados Unidos. Disputas marítimas poderiam se militarizar no Mar do Sul da China confrontando os Estados Unidos e seus aliados contra a China e seus aliados. A guerra na Ucrânia poderia se ampliar envolvendo a Rússia se confrontando com a OTAN e outros países da Europa Oriental. Guerra cibernética global se acentuaria entre as grandes potências com a realização de ataques a redes elétricas, satélites artificiais e sistemas financeiros.
O conflito dos Estados Unidos contra a China e a Rússia poderá dividir o mundo em blocos, um bloco liderado pelos Estados Unidos e outro bloco sino-russo. O bloco liderado pelos Estados Unidos seria composto pela OTAN, Japão, Coreia do Sul, Austrália e parte da Europa. O bloco sino-russo seria formado pela China, Rússia, Irã e alguns países do Sul Global. Essa polarização poderia levar a uma nova guerra mundial entre grandes potências. O cenário mais extremo envolveria o uso limitado de armas nucleares táticas, a escalada nuclear regional e risco de guerra nuclear global.
5. Conclusão.
Pelo exposto, a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã poderá evoluir para uma guerra mundial se ocorrerem simultaneamente o bloqueio prolongado do petróleo do Golfo Pérsico pelo Irã, intervenção direta ou indireta da China no conflito em apoio ao Irã, alinhamento militar Rússia–China em apoio ao Irã e abertura de novos teatros estratégicos de guerra (Taiwan, Europa, Ásia-Pacífico). Nesse caso, o conflito deixaria de ser regional e se tornaria a Terceira Guerra Mundial. A possibilidade de eclosão da Terceira Guerra Mundial precisa ser evitada por todos os povos e governantes dos países amantes da paz mundial. Os governos dos países amantes da paz precisam reestruturar urgentemente a ONU a fim de que ela seja fortalecida para assegurar a paz mundial. A ONU deveria ser reestruturada para se constituir em Governo mundial, Parlamento mundial e Corte Suprema mundial que teriam como principal objetivo mediar os conflitos internacionais a fim de evitar guerras localizadas e guerras de natureza global. Com esta nova configuração da ONU, o Conselho de Segurança seria abolido, a Assembleia Geral seria transformada em Parlamento Mundial e a Corte Internacional de Haia seria transformada em Corte Suprema Mundial.
O Parlamento Mundial elegeria o governo Mundial e escolheria os integrantes da Corte Suprema Mundial todos com mandato determinado. A ONU reestruturada como Governo Mundial, Parlamento mundial e Corte Suprema mundial evitaria o império de um só país como já ocorreu ao longo da história da humanidade e a anarquia de todos os países como ocorre atualmente em que prevalece a lei do mais forte. Para viabilizar uma governança mundial democrática, é preciso que, de início, exista em todos os países um poderoso movimento mundial em defesa da paz mundial que seja capaz de mobilizar os governantes de todos os países para convocar a Assembleia Geral da ONU para debater esta questão. Na Assembleia Geral da ONU deveriam ser debatidos e estabelecidos os objetivos e estratégias de constituição de um Governo mundial, um Parlamento Mundial e uma Corte Suprema Mundial visando tornar realidade um mundo de paz e de progresso para toda a humanidade [12]. Sem a constituição de um Governo mundial, um Parlamento mundial e uma Corte Suprema mundial democráticos, o cenário que se descortina para o futuro da humanidade será o da prevalência da força sobre o direito internacional, da guerra de todos contra todos e de extinção da espécie humana com o uso de armas nucleares pelos países contendores pelo poder mundial.
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