
Este artigo tem por objetivo apresentar as estratégias de segurança nacional para o Brasil para lidar com as ameaças de intervenção do governo Trump nos assuntos internos do País. A reativação da Doutrina Monroe pelo governo Trump dos Estados Unidos visando assegurar sua hegemonia hemisférica, a contenção de rivais como a China e a Rússia na América Latina e exercer pressão sobre governos independentes exige do Brasil a adoção de estratégias integradas, combinando o uso da diplomacia e o fortalecimento de sua economia, da defesa do País contra ameaças externas, da indústria e da tecnologia nacional e da coesão interna. As estratégias de curto e médio prazos de segurança nacional que deveriam ser adotadas pelo Brasil deveriam ter como objetivos: 1) a autonomia estratégica do Brasil ou não submissão a nenhuma grande potência como princípio central; 2) a política externa soberana multipolar do Brasil; 3) a diplomacia regional ativa do Brasil; 4) a segurança econômica e financeira do Brasil; 5) a reindustrialização estratégica do Brasil com controle tecnológico; 6) a defesa nacional do Brasil baseada na dissuasão e não na submissão; e, 7) a coesão interna do Brasil como pilar da segurança nacional. Complementando as estratégias de curto e médio prazos, o governo brasileiro precisa elaborar um plano estratégico de longo prazo para o Brasil.
1. A autonomia estratégica do Brasil ou não submissão do País a nenhuma grande potência como princípio central
O Brasil não deve alinhar-se automaticamente a nenhuma grande potência. A prioridade deve ser o não alinhamento ativo, a capacidade de negociar com todas as grandes potências sem subordinação e a defesa do multilateralismo efetivo e não retórico. Este posicionamento reduz a capacidade do governo Trump dos Estados Unidos de impor sanções, chantagens ou isolamento político contra o Brasil.
2. A política externa soberana e multipolar do Brasil
O Brasil deve neutralizar o poder de coerção do governo Trump dos Estados Unidos fortalecendo suas relações internacionais com os países do BRICS ampliado (China, Rússia, Índia, África do Sul, Irã, países árabes), promover integração econômica profunda com os países da África, Sudeste Asiático e Oriente Médio e promover parcerias estratégicas com a China e a Índia em tecnologia e infraestrutura econômica (energia, transporte e comunicações).
3. A diplomacia regional ativa do Brasil
O Brasil e todos os países latino americanos estão ameaçados de intervenção pelo governo Trump dos Estados Unidos com a adoção da Doutrina Monroe moderna que se baseia em meios não convencionais como o Lawfare, que é um projeto de dominação, as sanções seletivas, as ONGs instrumentalizadas, a pressão midiática internacional, a desinformação, a interferência em eleições e os ataques cibernéticos, além da possibilidade de realizar golpes de estado ou intervenções militares como a realizada recentemente contra a Venezuela. Para fazer frente à ameaça de intervenção dos Estados Unidos nos assuntos internos do Brasil, o governo brasileiro deveria exercer liderança real na América do Sul reativando mecanismos como UNASUL, CELAC e Conselho de Defesa Sul-Americano e com a construção de uma zona de segurança regional autônoma, sem tutela externa. Estas estratégias são absolutamente necessárias porque um Brasil isolado é vulnerável e um Brasil líder regional é dissuasório.
4. A segurança econômica e financeira do Brasil
Hoje, as armas do governo Trump dos Estados Unidos não são apenas militares, mas também financeiras. Sem soberania financeira, não existirá soberania nacional no Brasil. Para lidar com a ameaça financeira dos Estados Unidos, é preciso reduzir a dependência do Brasil em relação ao dólar no comércio exterior, expandir acordos em moedas locais (Brasil–China, Brasil–Índia, BRICS), fortalecer o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) como alternativa ao FMI/Banco Mundial e criar estoques estratégicos em energia, fertilizantes, semicondutores e alimentos.
5. A reindustrialização estratégica do Brasil com controle tecnológico
O Brasil precisa adotar estratégias que possibilitem blindar seus setores críticos contra a sabotagem externa, o embargo ou captura corporativa nos setores prioritários de defesa e aeroespacial (Embraer, Avibras, satélites) e nos setores de energia (nuclear, petróleo, renováveis estratégicas), de comunicações e dados (5G, cabos submarinos, data centers), de biotecnologia e segurança alimentar e de semicondutores e computação avançada, com o governo brasileiro adotando política industrial ativa, exercendo o controle de capital estrangeiro em setores sensíveis e promovendo a transferência de tecnologia real baseada em acordos internacionais. Estas estratégias são absolutamente necessárias porque o Brasil é politicamente vulnerável porquanto é um país tecnologicamente dependente.
6. A defesa nacional do Brasil baseada na dissuasão e não na submissão
O Brasil precisa adotar estratégias que possibilitem dissuadir as ameaças de intervenção militar pelo governo Trump dos Estados Unidos e evitar sua submissão considerando como prioritária a defesa do Amazônia Azul (pré-sal, rotas marítimas), o monitoramento e defesa da Amazônia, a capacidade de negação de área (antiacesso) e a conquista de autonomia em satélites, cibernética, drones, mísseis defensivos e guerra eletrônica. No campo militar, o governo brasileiro deveria diversificar seus fornecedores de armamentos para não depender dos Estados Unidos e realizar parcerias militares com países que não impõem condicionalidades políticas. A dissuasão a ser realizada pelo Brasil é necessária para tornar o custo da intervenção militar externa alto demais. Além dessas estratégias, o governo brasileiro deveria adotar, além da dissuasão militar, a defesa cibernética nacional, a comunicação internacional ativa e a proteção da soberania digital e dos dados nacionais.
7. A coesão interna do Brasil como pilar da segurança nacional
O governo brasileiro precisa obter o apoio incondicional de sua população para aumentar a coesão interna como pilar da segurança nacional. Nenhum país evitará intervenção militar externa se não contar com o apoio de toda sua população. Um país fragmentado internamente será presa fácil de ameaças militares externas. Para alcançar sua coesão interna, é preciso que o governo brasileiro construa um projeto nacional de desenvolvimento que seja construído e compartilhado com sua população, reduza suas desigualdades econômicas e sociais, valorize a ciência, a educação e a identidade nacional e combata sua dependência cultural e informacional externa mobilizando a sociedade civil organizada e incrementando a comunicação social do governo para conscientizar a população em defesa da segurança nacional ameaçada.
Conclusões
Pelo exposto, a curto e médio prazos, o governo brasileiro deveria adotar as 7 estratégias acima descritas. Além disso, o governo brasileiro deveria elaborar um plano estratégico de longo prazo para o Brasil para um horizonte de 20–30 anos construído e compartilhado com a população brasileira através de organizações da sociedade civil, implantar um Conselho de Segurança Nacional com visão geopolítica realista e assegurar a integração efetiva entre alguns de seus ministérios (Itamaraty, Defesa, Economia, Ciência e Tecnologia, Educação e Saúde) no campo da segurança nacional. Em síntese, para se proteger das ameaças dos Estados Unidos de intervenção nos assuntos internos do Brasil baseadas na nova Doutrina Monroe, o Brasil deve ser não alinhado com nenhuma grande potência, liderar os países da América do Sul, blindar sua economia, indústria e tecnologia, desenvolver dissuasão militar defensiva real, neutralizar guerras híbridas que misturam táticas militares convencionais com ações não convencionais, como desinformação, ciberataques, guerra econômica, manipulação política e uso de proxies, manter a coesão interna de sua população na luta por objetivos comuns e possuir um plano estratégico de longo prazo para o Brasil em um horizonte de 20–30 anos.
Para ler o artigo em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/
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