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A NECESSIDADE DE ELEGER NO BRASIL EM 2026 PRESIDENTE, GOVERNADORES DE ESTADO E PARLAMENTARES PROGRESSISTAS.

A maioria do Congresso Nacional tenta inviabilizar o governo Lula visando impedir sua reeleição.

10/07/2025 às 00h05
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
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Foto: Reprodução / Autor / Carta Capital
Foto: Reprodução / Autor / Carta Capital

Este artigo tem por objetivo demonstrar a necessidade de eleger, em 2026 no Brasil, Presidente da República, governadores de estado e deputados e senadores para o Congresso Nacional progressistas em defesa da democracia e do progresso econômico e social do Brasil. Para que isto aconteça, é preciso constituir uma frente democrática e antifascista no Brasil no parlamento e na sociedade civil. Estas são as condições para evitar que, em 2026, os extremistas de direita neofascistas reconquistem a Presidência da República, ampliem sua participação nos governos estaduais e no Congresso Nacional e coloquem em prática seu nefasto projeto neofascista, antissocial e antinacional, em detrimento da população brasileira. A mobilização popular no sentido de constituir uma frente democrática e antifascista no Brasil se justifica porque há um conluio entre as classes economicamente dominantes, a mídia retrógrada, a extrema direita neofascista e a maioria do Congresso Nacional no sentido de inviabilizar o governo Lula visando impedir a reeleição de Lula nas próximas eleições presidenciais.

Não é por acaso, que o líder neofascista Bolsonaro pediu no ato realizado no dia 30 de junho passado em São Paulo que seus apoiadores o ajudem a eleger 50% da Câmara e do Senado em 2026. Bolsonaro afirmou que com isso ele mudaria o destino do Brasil. Ele afirmou que o presidente de seu partido o manteria como presidente de honra do Partido Liberal. Afirmou ainda que ele nem precisaria ser Presidente da República para mudar o destino do Brasil. Isto significa dizer que ele influenciaria os rumos do Brasil até mesmo da cadeia pela tentativa de golpe de estado. Segundo Bolsonaro, a liderança que assumir a maioria do Congresso em 2026 vai mandar mais que o Presidente da República, sob seu comando não interessa onde ele esteja, aqui ou no além.

O atual conflito entre o governo Lula e o Congresso Nacional faz parte do processo de inviabilização do governo Lula visando impedir a reeleição de Lula nas próximas eleições presidenciais. O Congresso Nacional aprovou um PDL (Projeto de Decreto Legislativo) para rejeitar o decreto presidencial que elevou alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para aumentar as receitas orçamentárias do governo. Esta atitude, por sinal inconstitucional, de um retrógrado Congresso Nacional como o atual, composto predominantemente por forças políticas reacionárias, tem o propósito de forçar o governo Lula a realizar cortes no orçamento federal para impedi-lo de promover investimentos públicos econômicos e sociais em benefício da população brasileira e inviabilizar sua reeleição em 2026. Esta ação atual do Congresso Nacional dá seguimento à estratégia neoliberal das classes economicamente dominantes visando tornar o Estado Mínimo para incapacitar o governo federal a executar políticas desenvolvimentistas, que se iniciou com a adoção da política do teto de gastos públicos durante o governo Michel Temer e da autonomia do Banco Central durante o governo Jair Bolsonaro. 

É importante observar que, com a política do teto de gastos públicos, adotada durante o governo Michel Temer, o Estado brasileiro ficou limitado em sua capacidade de promover investimento público com a asfixia financeira em que ficou submetido e inviabilizou a capacidade do Estado brasileiro de adotar políticas econômicas, fiscal e monetária, articuladas entre si com a autonomia do Banco Central adotada durante o governo Jair Bolsonaro. Devido a estes fatores, o governo Lula herdou em 2023 um Estado brasileiro devastado, não apenas pela incompetência do governo Bolsonaro, mas também incapaz de promover o desenvolvimento econômico e social porque, com a política do teto de gastos públicos, o governo brasileiro não poderia aumentar o orçamento da União que ficaria congelado por 20 anos desde 2017 de acordo com a PEC 55/2016. Além disso, o governo Lula se defrontou com a existência de um Banco Central independente que, ao elevar extremamente os juros básicos da economia (taxas Selic), a terceira maior do mundo, adota políticas monetárias recessivas em prejuízo da política econômica desenvolvimentista do governo Lula, inviabilizando a retomada do desenvolvimento do Brasil.  

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Na tentativa de se libertar da asfixia financeira provocada pela política do teto de gastos, o governo Lula formulou, com o arcabouço fiscal, a possibilidade de elevar o gasto público e investimento do governo federal condicionado ao aumento da arrecadação pública. Esta foi uma tentativa do governo Lula de, ao elevar a arrecadação pública, poder aumentar os gastos e investimentos governamentais. Entre as ações voltadas para o aumento da arrecadação pública, o governo Lula busca a adoção de medidas visando a reversão de alíquotas de PIS/Cofins sobre receitas financeiras de grandes empresas, a volta da incidência do PIS, Cofins e Cide sobre o preço da gasolina e do etanol, a criação de imposto sobre exportação de petróleo, a taxação de apostas esportivas eletrônicas (bets), a criação de imposto sobre importações de e-commerce, a elevação de IPI para armas de fogo, o aumento do imposto de importação de painéis solares, o fim da isenção para importação de veículos elétricos, a volta da incidência do IRPJ e CSLL sobre benefícios fiscais, o limite ao uso de Juros sobre Capital Próprio, a tributação de rendimentos no exterior (offshores), a volta do PIS e Cofins incidindo sobre diesel e biodiesel, a extensão da “taxa das blusinhas” para compras abaixo de US$ 50, o retorno do DPVAT, a criação de imposto sobre altas rendas e taxação de dividendos, o imposto mínimo de 15% sobre lucros de multinacionais, o aumento para 25% do imposto de importação de aço e ferro, a reoneração da folha de pagamento de municípios e de setores econômicos e o aumento do IOF.

Além das medidas acima descritas, o governo Lula planeja taxar as big techs (empresas como Meta dona do WhatsApp, Instagram e Facebook, Alphabet dona do Google e do YouTube, Microsoft, Amazon, Apple e Netflix). Esta ideia é alimentada desde 2023, mas ainda não foi implementada. É evidente que este conjunto de medidas que obrigam os ricos e quem ganha muito dinheiro no Brasil a pagar mais impostos fez com que as classes econômicas dominantes se mobilizassem para forçar a grande maioria dos parlamentares do Congresso Nacional a inviabilizarem o propósito do governo Lula de aumentar a arrecadação pública para promover o desenvolvimento nacional e viabilizar sua reeleição em 2026. É importante observar que o aumento de impostos incidentes sobre as empresas resultariam na redução de seus lucros, razão pela qual barraram a pretensão do governo Lula de aumentar o imposto do IOF e resistem à ideia de aumentar impostos no Brasil. Ao interferir na decisão do Congresso Nacional de barrar a pretensão do governo Lula de aumentar o IOF, as classes econômicas dominantes no Brasil já se posicionaram com relação às eleições de 2026, isto é, vão se opor à reeleição de Lula elegendo um candidato ideologicamente de direita. As classes econômicas dominantes no Brasil vão apoiar os candidatos ou o candidato de direita ou de extrema direita que colocariam em prática políticas que atenderiam a seus interesses em detrimento dos interesses da maioria da população brasileira.

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É por tudo isto que se torna um imperativo impedir que grupos neofascistas contando com o apoio das classes economicamente dominantes da sociedade brasileira possam voltar a ameaçar a democracia brasileira ascendendo ao poder nas eleições presidenciais de 2026. Esta situação obriga às forças progressistas e a todos os democratas do Brasil a somarem esforços para impedir a ascensão da extrema-direita bolsonarista ao poder no Brasil em 2026. Para evitar o fim do sistema democrático no Brasil com a ascensão ao poder do neofascismo em todos os níveis de governo, é preciso que seja constituída uma frente ampla democrática e antifascista no Parlamento e na Sociedade Civil para defender a Constituição de 1988 e lutar contra os atos das forças políticas de oposição ao sistema democrático que sejam contrários aos interesses da grande maioria da população e da democracia no Brasil. A frente ampla democrática e antifascista no governo se materializaria com a presença nos ministérios de forças políticas do centro democrático, no parlamento com a ação articulada das forças políticas de sustentação do governo com as forças políticas do centro democrático e na sociedade civil com a ação articulada de organizações sociais na sustentação das forças democráticas e antifascistas.

Esta frente ampla democrática e antifascista deve ser fortalecida, portanto, para barrar o avanço do neofascismo no Brasil promovendo a aliança do governo Lula com forças políticas do centro democrático e mobilizando a sociedade civil organizada para eleger em 2026 um presidente da República, eleger a maioria dos governadores de estado e obter maioria parlamentar no Congresso Nacional que esteja comprometida com os avanços políticos, econômicos e sociais no Brasil. Para a frente ampla democrática e antifascista se tornar vitoriosa, é preciso que apresente uma proposta diferente como fez Zohran Mamdani, o candidato socialista pelo Partido Democrata em Nova York, vitorioso nas primárias à prefeitura da maior cidade dos Estados Unidos, como recomendam Gabriel Elias, Doutor pela Universidade de Brasília, e Mayra Cotta, Doutoranda pela New School, em Nova York no artigo “O que a vitória de um socialista em Nova York ensina à esquerda brasileira?”, disponível no website <https://noticias.uol.com.br/colunas/leonardo-sakamoto/2025/07/02/o-que-a-vitoria-de-um-socialista-em-nova-york-ensina-a-esquerda-brasileira.htm>.

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Segundo Gabriel Elias e Mayra Cotta, Zohran Mamdani, o candidato socialista pelo Partido Democrata em Nova York, um candidato abertamente anticapitalista propôs uma agenda radical e concreta voltada para atender as necessidades da classe trabalhadora. Ele foi um candidato que enfrentou bilionários, questionou o lobby do governo Benjamin Netanyahu e defendeu a causa palestina em plena Nova York e não se acanhou em defender os direitos das mulheres e pessoas trans. Mamdani não apenas venceu. Ele mostrou que é possível vencer com uma proposta diferente. Qual seria a proposta diferente a ser adotada pelas forças progressistas visando reeleger Lula e a maioria dos governadores e dos deputados e senadores no Congresso Nacional? A proposta das forças progressistas do Brasil deveria considerar um realinhamento com as pautas históricas da esquerda adotando uma agenda radical e concreta voltada para atender as necessidades da população brasileira, especialmente a classe trabalhadora, obrigar os ricos a pagarem mais no imposto de renda, considerar as necessidades dos pobres no orçamento da República, defender os direitos das mulheres, negros e pessoas LGBTQIA+ e, também, colocar em prática a democracia participativa em que a população brasileira seria empoderada ao decidir sobre as questões de interesse nacional com base em plebiscito e referendo, previstos na Constituição de 1988. Com a democracia participativa, o povo brasileiro teria o direito à cidadania plena (ter vez, voz e voto).  Tudo isto significa as forças progressistas do Brasil assumirem com coragem os compromissos que podem, de fato, mudar a vida da maioria da população brasileira construindo um novo horizonte político para o Brasil.

Para ler o artigo de 4 páginas em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/130330467/A_NECESSIDADE_DE_ELEGER_NO_BRASIL_EM_2026_PRESIDENTE_GOVERNADORES_DE_ESTADO_E_PARLAMENTARES_PROGRESSISTAS> e <https://www.academia.edu/130330516/THE_NEED_TO_ELECT_A_PRESIDENT_STATE_GOVERNORS_AND_PARLIAMENTARIANS_PROGRESSIVES_IN_BRAZIL_IN> e do SlideShare <https://pt.slideshare.net/slideshow/a-necessidade-de-eleger-no-brasil-em-2026-presidente-governadores-de-estado-e-parlamentares-progressistas-pdf/281276428>, <https://pt.slideshare.net/slideshow/the-need-to-elect-a-president-state-governors-and-parliamentarians-progressives-in-brazil-in-2026-pdf/281276479> e <https://pt.slideshare.net/slideshow/la-necessite-d-elire-un-president-des-gouverneurs-d-etat-et-des-parlementaires-progressistes-au-bresil-en-2026-pdf/281276535>.

  • Fernando Alcoforado, 85, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela Escola Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).  
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Sobre Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona. Professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997),De Collor a FHC — O Brasil.
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