Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional(Iphan) desde 1977, oVer-o-Peso completa 398 anosnesta quinta-feira, 27 de março. Mais do que uma feira, o complexo é ocoração pulsante de Beléme um dos principais pontos de identidade cultural da Amazônia. Por dia, cerca de 20 mil pessoas circulam entre barracas, boxes e embarcações, em um espaço onde se vendem peixes, frutas, ervas, artesanato e histórias.
Fundado em 1627, como ponto de aferição de mercadorias, o espaço virou referência econômica e social que, desde os tempos coloniais, conecta a cidade ao mundo.
“Mais do que um posto de compra e venda,o Ver-o-Peso é um lugar onde se aprende a viver a cidade. Ir à feira, saber onde encontrar as mercadorias, conversar com os vendedores, tudo isso faz parte da identidade belenense”, explica o professor de História da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Semec), Adelson Ataíde Júnior.
Considerada amaior feira a céu aberto da América Latina, o Ver-o-Peso é formado por seis grandes áreas interligadas. No bairro da Campina, a movimentação começa de madrugada naPedra do Peixe, com a venda de pescado direto das embarcações. Ao lado, aFeira do Açaírecebe os frutos recém-chegados dos rios da região.
OMercado de Ferro, conhecido como Mercado de Peixe, impressiona pela arquitetura e variedade de produtos. Já oSolar da Beiraabriga exposições e eventos culturais. OMercado Francisco Bolonha, também chamado de Mercado de Carne, completa o conjunto com venda de carnes, refeições e serviços diversos.
Entre as atividades da Feira do Ver-O- Peso estão: a venda de alimentação, artesanato, aves, açaí, ervas medicinais, farinha, ferragens, frutas, hortigranjeiro, importados, industrializados, lanches, maniva, marisco, mercearia, poupa de frutas, raízes, tucupi, plantas e jardinagem. No total, cerca de2.400 trabalhadores, entre permissionários e ambulantes, mantêm, diariamente, essas atividades de comércio no Ver-o-Peso.
Com quase quatro séculos de existência, o Ver-o-Peso é, ao mesmo tempo, herança e presente vivo da cultura amazônica. A feira reúne saberes populares, práticas comerciais e modos de vida que moldam o jeito belenense de ser e viver a cidade. “O Ver-o-Peso é um centro de abastecimento desde os tempos coloniais. Mais que mercadorias, ali se trocam ideias, costumes, saberes. É um ponto de conexão da Amazônia com o mundo”, afirma o professor Adelson Ataíde.
Às vésperas da Conferência do Clima da ONU, a COP-30, que será sediada em novembro deste ano, em Belém, oVer-o-Peso passa por uma das maiores reformas de sua história. Com investimentos do município e de parceiros como Itaipu Binacional e o Ministério das Cidades, o objetivo érevitalizar os principais mercados e feiras do complexo, garantindo estrutura e dignidade a quem trabalha e a quem visita o espaço. Entre os investimentos estão:
Mercado de Peixe:R$ 3 milhões para reforma completa, incluindo piso, telhado, elétrica, bancadas e instalação de duas máquinas de gelo para os permissionários.
Mercado de Carne:R$ 6,5 milhões para revitalização estrutural total do prédio, com troca de piso, revisão elétrica e melhorias gerais.
Feira do Açaí, Pedra do Peixe e feira do complexo: R$ 47,3 milhões para modernização completa, com nova lona de cobertura, revisão de esgoto, elétrica, piso e mais.
A força do Ver-o-Peso também vem de quem vive diariamente sua rotina. A vendedora Miraci Alexandra, de 60 anos, trabalha há mais de quatro décadas no local. “Aqui já trabalhou minha mãe, meus irmãos, meus filhos. Me sinto realizada por fazer parte dessa cultura. A gente lida com as ervas, com os remédios que curam o corpo e a alma”, diz, emocionada.
Já Nely Monteiro, que atua como chamadora há nove anos, para ela é “excelente fazer parte do Ver-o-Peso. Eu trabalho aqui como chamadora, chamar e conquistar os fregueses para trazer para o box da minha patroa. Eu venho de Marituba e chego aqui pra conquistar os clientes e cada dia que vai passando eu vou conquistando mais e mais. E agradeço a Deus por isso”.
A chamadora Nely aproveita a data especial para convidar e celebrar o aniversário espaço no melhor estilo, com comida boa e acolhimento. “Vamos almoçar, querido! Tem peixe, baião, carne, frango frito... é no box 128, da Naza!”, convida.
Mín. 26° Máx. 28°