
O Curso de Vigilância e Controle da Doença de Chagas tem carga horária de 40h e será ministrado na modalidade on-line
Febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e nas pernas. Esses são alguns dos sintomas da doença de Chagas durante a fase aguda. Transmitida, principalmente, por meio do contato com as fezes dos triatomíneos, insetos popularmente conhecidos como barbeiros, a patologia é endêmica no Ceará, permanecendo na região mesmo após o controle do contágio. Com o objetivo de ampliar a detecção e a cobertura diagnóstica da enfermidade, a Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP/CE), autarquia vinculada à Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), vai disponibilizar, pela primeira vez, o Curso Básico de Vigilância e Controle da Doença de Chagas.
A doença também evolui para a forma crônica, podendo ser assintomática, cardíaca, digestiva ou cardiodigestiva. De acordo com o Ministério da Saúde (MS), atualmente, há prevalência de pessoas no Brasil que enfrentam o estágio crônico, ou seja, quando ela pode ser mais silenciosa. Estudos apontam que o percentual da população infectada no País pode chegar a 2,4% do total, o equivalente a 4,6 milhões de pessoas.
O novo curso visa capacitar, inicialmente, cerca de 350 profissionais atuantes nas áreas de Vigilância Epidemiológica, Atenção Primária, Assistência Farmacêutica e em setores variados do Sistema Único de Saúde do Ceará (SUS).
“Ao que se sabe, até o momento, existem nove espécies de triatomíneos distribuídos nos 184 municípios cearenses e, muitos deles, convivem com o ser humano. O grande risco da transmissão está aí: conviver com o barbeiro diariamente”, alerta a bióloga, doutora em Saúde Pública e articuladora do Grupo de Trabalho (GT) de Doença de Chagas da Sesa, Cláudia Mendonça.
A especialista, que também vai integrar a equipe pedagógica da capacitação, alerta para as diferentes formas de transmissão vetorial da doença. Confira:
Considerando a proximidade do Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado no próximo domingo (14), a articuladora ressalta, ainda, a importância em se fazer o controle do vetor por meio da coleta adequada do inseto nas residências ou em áreas rurais. “Para a coleta e envio da análise, você deve pegar uma sacola de plástico ou de papel, colocar as mãos dentro, depois posicionar em cima e reverter o saquinho de modo que o inseto fique dentro, de preferência vivo”, explica.
O material deve ser levado para a unidade de saúde mais próxima, ao setor de endemias das secretarias municipais de Saúde ou a um Posto de Informação de Triatomíneos (PIT). Existem, hoje, cerca de 1.050 equipamentos aptos a coletar os insetos em todo o Ceará.
Em casos de infecção, a pessoa deve procurar atendimento médico. O tratamento é realizado em várias unidades da Sesa, a depender da fase e do tipo da doença. “Nos casos agudos, os pacientes são encaminhados para o atendimento terciário, assim como se houver complicações cardíacas ou digestivas. A suspeita clínica, diagnóstico precoce, tratamento de casos indeterminados e acompanhamento ao longo da vida deve ser feito, em sua maioria, na atenção primária”.
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O Curso de Vigilância e Controle da Doença de Chagas tem carga horária de 40h e será ministrado na modalidade on-line, com agenda de atividades prevista para acontecer de 5 a 20 de junho deste ano, em dias preestabelecidos.
À frente da iniciativa está a Diretoria de Educação Permanente e Profissional em Saúde (Dieps) da ESP/CE, por meio da Gerência de Educação Permanente em Saúde (Geduc), com o apoio da Coordenadoria de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador (Covat) da Sesa.
No total, 78 municípios deverão ser contemplados com a capacitação, em 15 Áreas Descentralizadas da Saúde (ADS), sendo três vagas para cada cidade. A seleção dos participantes ficará a cargo de cada gestão, após o envio dos ofícios informando sobre o projeto ser feito pela ESP/CE.
De acordo com a Geduc, o fator de risco de restabelecimento da transmissão vetorial da doença foi um dos critérios para a escolha das localidades.
A expectativa é que a formação amplie as notificações da doença não só na fase aguda, quando os sintomas estão evidentes.
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