
O Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), apresentou, nesta sexta-feira (24), os resultados parciais do serviço de cirurgias de coluna vertebral, procedimentos de alta complexidade realizados em adolescentes de até 15 anos. O encontro detalhou o serviço interdisciplinar “Mãos Que Sustentam”, bem como o impacto dessas intervenções na vida dos pacientes e de suas famílias nos últimos meses e os desafios que as equipes de saúde multiprofissionais enfrentam desde o início das cirurgias, em fevereiro deste ano.
De lá pra cá, a equipe do Hias realizou 25 cirurgias de correção de coluna, com ênfase em pacientes com escoliose idiopática acima de 50 graus e de caráter progressivo. Para possibilitar essas operações,a unidade também passou por uma atualização do parque tecnológico do Centro Cirúrgico, com novo arco cirúrgicoe mesa cirúrgica específicas para o procedimento, além de utilizar materiais biocompatíveis que permanecem a vida inteira no paciente.
Estiveram presentes na ocasião a secretária da Saúde do Ceará, Tânia Mara Coelho; a promotora de justiça do Ministério Público do Ceará, Ana Cláudia Uchôa; o secretário executivo Administrativo-financeiro da Sesa, Luiz Otávio Sobreira Rocha Filho; entre outras autoridades.
Para a titular da Sesa, o impacto positivo na vida das crianças, adolescentes e suas famílias é um estímulo para ampliar este tipo de conquista na gestão do Ceará. “A gente poder proporcionar a solução na vida dessas crianças é muito gratificante. Passamos por todos os processos burocráticos, trabalhamos para que esse tipo de procedimento cirúrgico de alta complexidade se torne rotina”, afirmou.

De acordo com o cirurgião de coluna vertebral Alberto Alves, a escoliose idiopática é o tipo mais comum observado nos pacientes pediátricos. “Cerca de dois terços dos indivíduos com escoliose desenvolvem alterações pulmonares restritivas, devido à deformidade na coluna que resulta em assimetria e estreitamento da caixa torácica. No entanto, a cirurgia de correção da escoliose tem se mostrado eficaz na correção dessas complicações”, explica o médico.
Os casos mais avançados, como a progressão da curva acima de 80 graus, podem fazer com que o paciente tenha complicações cardíacas graves e até mesmo danos neurológicos, como fraqueza e paralisia dos membros inferiores, elevando o risco de mortalidade a longo prazo, conforme detalha o especialista.
A organização da fila de espera é baseada em critérios específicos, como a etiologia da escoliose, a magnitude da deformidade, o status neurológico e funcional dos pacientes. O atual arranjo garante que os casos mais graves e urgentes sejam atendidos prontamente.
Para o cirurgião Alberto Alves, o procedimento tem impacto não apenas no adolescente em si, mas em toda a família e até na comunidade onde ele reside. “Temos pacientes em todas as regionais de saúde do Ceará, atualmente em 17 municípios, e são pessoas que passaram por um atendimento integral e de qualidade”, frisou.
Por meio da assistência do Sistema Único de Saúde (SUS), os pacientes do Hias contam não só com cirurgiões e anestesistas capacitados, mas também diversas categorias especializadas para realizar o acompanhamento pré e pós-cirúrgico, como, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e fisioterapeutas, entre outros. Além disso, a unidade também dispõe de leitos de Terapia Intensiva (UTI) e enfermaria adequados ao pós-operatório e acompanhamento ambulatorial periódico, garantindo uma abordagem abrangente e de qualidade no cuidado dos pacientes.
“Várias mãos se uniram para que esses adolescentes não apenas sejam operados, mas possam se reabilitar e retornar para a sociedade. É muito gratificante poder vê-los voltando para a escola, possibilitando condições físicas de deslocamento e a melhora na qualidade de vida. É o que faz a nossa luta valer a pena, agradeço a todos que possibilitaram a existência desse serviço”, declarou a diretora-geral do Hias, Fábia Linhares.

A autônoma Roseline Garozzo, mãe da Rayenna, de 15 anos, conta que a filha possuía cerca de 80 graus de desvio na coluna, caso considerado grave e com compressão de órgãos internos. A adolescente foi uma das primeiras a serem contempladas com a cirurgia de correção da coluna no Hias, tendo sido chamada logo que o tipo de intervenção começou a ser realizado na unidade, após a qualificação da fila de pacientes em 2022. Atualmente, segue realizando o acompanhamento pós cirúrgico no Hias.
“Hoje ela está estável, não se queixa mais de dor nem de falta de ar, sem contar a autoestima dela, que também melhorou, por conta da estética. Ela também já voltou a andar e vem retomando as atividades aos poucos. Foi tudo ótimo, o processo todo foi muito bom e me sinto realizada, sobretudo pelos riscos, pois como era um grau mais alto, ela podia não andar mais”, comemora.
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