
Diminuir o tempo de resposta relacionado aos exames de vírus respiratórios em pacientes hospitalizados em unidades públicas de saúde. Esse é o principal objetivo do Centro de Respostas Rápidas para vírus respiratórios, criado pela Fundação Ezequiel Dias (Funed) , por meio do Serviço de Virologia e Riquetsioses (SVR).
A proposta é que sejam pesquisados todos os microrganismos no Painel de Vírus Respiratórios (PVR) para pacientes internados em Centro de Terapia Intensiva (CTI), e os resultados sejam disponibilizados em até 24 horas após a triagem da amostra na Funed.
Atualmente, o PVR do Laboratório Central de Saúde Pública de Minas Gerais (Lacen-MG) realiza a análise de 16 vírus respiratórios.
Para o chefe do SVR da Funed, Felipe Iani, a ideia de se criar um Centro de Respostas Rápidas surgiu diante das inúmeras doenças infecciosas que ameaçam a saúde coletiva como um todo.
“Nos últimos 20 anos foi possível observar, no mínimo, cinco eventos de epidemias/pandemias causadas por vírus respiratórios. Apesar dos prazos de liberação para o SARS-CoV-2, por exemplo, acontecerem em tempo jamais praticado para outras patologias no Lacen-MG, percebeu-se a relevância que os demais vírus respiratórios pesquisados nas unidades sentinela poderiam exercer na conduta clínica, desde que liberados em tempo oportuno para procedimentos assistenciais”, explicou.
O projeto já teve início com pacientes do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC/UFMG) e com o Hospital Infantil João Paulo II (HIJPII), da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) .
Os hospitais foram escolhidos para estarem no projeto piloto pelo fato de serem referências para o público adulto e na pediatria, abrangendo assim, já neste primeiro momento, todas as faixas etárias.
Segundo a referência técnica em Vigilância de Vírus Respiratórios da Funed, André Felipe Leal Bernardes, o Centro de Respostas Rápidas, como parte da vigilância laboratorial dos vírus respiratórios, pretende estabelecer bases para disponibilização de resultados em 24 horas do painel de vírus respiratórios (sete a 17 agentes), em amostras colhidas de pacientes internados em Centros de Tratamento Intensivo (CTI) com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG).
“Além do mérito assistencial, respostas rápidas permitem tanto a realização da epidemiologia descritiva, quanto fornecem bases para o avanço da epidemiologia preditiva”, reforça André Leal.
Além do diagnóstico molecular, o projeto também abordará atividades de vigilância genômica em amostras clínicas com importância epidemiológica.
“A padronização e implantação de protocolos de sequenciamento para os principais vírus respiratórios de importância médico-epidemiológica possibilitará o monitoramento dos patógenos circulantes em Minas Gerais que, por sua vez, auxiliará na compreensão de surtos, epidemias e tomada de decisão em saúde pública”, destaca a referência Técnica de Biologia Molecular da Funed, Talita Adelino.
A iniciativa envolve também, além da equipe do SVR, a equipe do Serviço de Gerenciamento de Amostras Biológicas (Sgab) da Funed, responsável pelo recebimento, triagem e encaminhamento das amostras para o laboratório de Biologia Molecular.
“Normalmente trabalhamos com horários agendados para a entrega das amostras nos laboratórios. Foi necessário criarmos um fluxo especial, de forma que essas amostras fossem priorizadas para o encaminhamento imediato para processamento no SVR. A equipe recebe as amostras, sinaliza a prioridade, realiza a identificação interna e triagem no sistema e já faz contato com o laboratório para a entrega das amostras”, explica a responsável pelo Sbag, Ana Luísa Cury.
Amostras analisadas
Em 2023, o Lacen-MG recebeu 1.233 amostras do Hospital Infantil João Paulo II e do Hospital das Clínicas da UFMG. Dessas, 64,56% (796 amostras) foram detectáveis para algum dos agentes pesquisados. Mais de 80% desses resultados foram liberados em 24 horas para os 16 vírus respiratórios pesquisados no Painel de Vírus Respiratórios (PVR).
Segundo a preceptora do Programa de Residência Médica em Pediatria da Fhemig, Cristiane Dias, o acesso aos resultados em um tempo oportuno é fundamental para as tomadas de decisão.
“A tendência de aumento nos casos de covid-19 nos pacientes internados no HIJPII, por exemplo, seguindo o aumento observado na população adulta, levanta questões importantes sobre a durabilidade da proteção vacinal. Esses insights são extremamente valiosos e podem influenciar políticas de saúde pública, incluindo a possibilidade de recomendações para vacinação de rotina, como já observado em outros países”, completa.
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