
Com objetivo de lembrar às pessoas sobre a importância de ser um doador e salvar vidas, o Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), realizou uma tarde de palestras educativas, na última quinta-feira (28) com o tema: “Desafios à doação de órgãos”. O momento encerrou as atividades alusivas ao setembro verde, mês dedicado à conscientização da importância da doação de órgãos.
A ação contou com a participação de profissionais da Organização de Procura de Órgãos do Cariri (OPO), equipe hospitalar do HRC e receptores e residentes do Cariri. O objetivo foi conscientizar sobre a importância de disseminar informações válidas para a sociedade e, com isso, sensibilizar sobre o ato de solidariedade. A negativa familiar é um dos principais motivos para a não realização de doações no país.
“O tema da doação de órgãos ainda carrega um estigma na sociedade civil. Por isso, é necessário levar informações adequadas para derrubar alguns mitos que possam existir devido a desinformação. Educar e informar sobre o processo de doação é essencial para que a população compreenda a importância desse ato de solidariedade”, comentou o coordenador da OPO – Cariri, o médico Gustavo Martins.
Atualmente, a taxa de recusa familiar, no Ceará, é de 45%, abaixo da média nacional de 49%. De acordo com a OPO – Cariri, um dos principais motivos da negativa é o desejo de corpo íntegro. “O principal motivo das recusas que percebemos dos familiares, normalmente, é o desejo do corpo íntegro. Cerca de 28% das famílias optam por não doar, por esse motivo. Na prática, esse desejo também está relacionado ao desconhecimento ou não entendimento da morte encefálica, levando em consideração que o coração ainda está batendo, por meio da tecnologia, dos equipamentos e da medicação”, explicou Bruna Bandeira, enfermeira do HRC.

Geraldo Feitosa (à esquerda) e André Carlos (à direita), transplantados, levaram mensagem de esperança
Há oitos anos, Geraldo Feitosa passou por um processo de transplante de coração. “Só quem recebe ou está na fila de espera sabe da importância de levar a informação correta e sensibilizar as famílias. Antes do transplante não sabia do que se tratava, foi necessário passar por toda essa experiência de ser transplantado para compreender a importância de ser um doador. Hoje estou vivo graças a generosidade da família doadora. Portanto, façam a vida florescer, a vida reviver. Existe, sim, vida após a morte e sou um exemplo disso”, declarou.
Em 2012, André Carlos foi o primeiro transplantado a receber um pulmão bilateral no Ceará. Após um período de incertezas, viu sua vida mudar após o transplante. “Eu não tinha expectativa de vida. Quando chegou a notícia da possibilidade da doação, uma faísca de esperança apareceu. Sou muito grato pela família que autorizou a doação, à toda equipe do Hospital de Messejana (HM), onde foi realizado o transplante. Hoje, levo uma vida normal, com minha esposa e filhos”, compartilhou.
Para Wagner Brito, enfermeiro do HRC, a doação de órgãos é uma ação fundamental para o sistema de saúde. “Um doador pode beneficiar múltiplas pessoas que, consequentemente, podem retomar suas vidas. Além de levar a informação correta, é necessário que a sociedade civil compreenda que a doação é uma oportunidade de transformação. Somos o segundo país que mais doa órgãos no mundo, mas precisamos fortalecer ainda mais essa cultura, para que aqueles que estão na fila de espera possam ter a oportunidade de uma nova vida”, afirmou.
Atualmente, segundo dados da Central de Transplantes da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), mais de 1.600 pessoas esperam por um transplante de órgãos no Ceará. Para doar, basta que a pessoa deixe a família ciente do seu desejo. No Brasil, por lei, a doação é chamada “doação consentida” e precisa ser autorizada pelo seu responsável legal.
No Ceará, os órgãos que podem ser transplantados são: rim, fígado, córneas, pâncreas, coração e pulmão.
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