
O nascimento de uma criança é, geralmente, um misto de boas emoções e alegrias para a família que a recebe. Mas a chegada ao mundo pode ser desafiadora quando o bebê apresenta algum problema que comprometa sua saúde e desenvolvimento.
No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece os recursos necessários e a assistência médica adequada para a maioria das doenças diagnosticadas em bebês ainda no pré-natal ou logo após o parto.

Isso fica mais evidente quando vemos casos como o da pequena Ester, que recebeu alta hospitalar, nesta sexta-feira, 29, em Rio Branco. A recém-nascida permaneceu 45 dias internada, após ser submetida a uma cirurgia cardíaca complexa, mas de sucesso no Hospital Santa Juliana.
“Engravidei da Ester e peguei uma infecção de urina, isso impediu que a gestação fosse até o fim. Quando ela nasceu pesava 2,30 kg, e mesmo estando aparentemente bem de saúde, como mãe, percebi que não estava tudo bem e pedi para vir para Rio Branco” contou a mãe, Antônia Maria da Rocha, natural de Sena Madureira.
O bebê foi admitido no Hospital Santa Juliana, onde a equipe médica identificou não apenas a prematuridade, mas também as sérias complicações cardíacas. A persistência do canal arterial, uma condição em que um canal que normalmente se fecha após o nascimento, permanece aberto, causando dilatação nas cavidades cardíacas.

Sem responder aos medicamentos, a cirurgia se mostrou essencial para corrigir essas complicações. Segundo a pediatra neonatologista, Socorro Avelino, o maior feito é ter ofertado o procedimento no próprio estado e evitado que a família tivesse que se deslocar, por meio do tratamento fora de domicílio (TFD).
“É com grande satisfação que realizamos essa cirurgia cardíaca em recém-nascido prematuro. E estamos muito agradecidos, tanto o hospital como a família, porque esse procedimento evitou que a criança fosse transferida para outro estado”, disse.
Para família, Ester nasceu de novo. “Ficamos muito abalados com o diagnóstico e ainda teríamos que viajar para fora, e não tínhamos condições financeiras. Mas graças a Deus e a toda equipe de médicos isso não foi necessário. Minha filha fez a cirurgia aqui no estado e foi um sucesso. Já estamos bem e em casa”, declarou Antônia.
A cirurgia da criança, que vai completar dois meses de vida no próximo dia 3 de outubro, só foi possível no estado, por causa da recente habilitação do serviço de cardiologia, formalizada por meio de um convênio entre a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e o Hospital Santa Juliana.

Para o secretário de Saúde Pedro Pascoal, a iniciativa é um marco na gestão do SUS no Acre. “A contratualização do serviço de cardiologia é mais um passo para a evolução da gestão. E fez com que mais uma criança fosse operada na capital, sem a necessidade de transferência. É um compromisso do governo com a regionalização da saúde”, ressaltou.
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