
A enfermeira Lorena Silveira, da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon), criou um guia interativo para profissionais de enfermagem que prestam assistência aos indígenas com câncer no Amazonas. Com ilustrações e toadas de boi, o material educativo aborda eixos temáticos, como educação e cuidado assistencial.
Entre 2022 e 2023, 109 pacientes indígenas passaram a fazer tratamento na FCecon. Desde 2019, a Fundação conta com um protocolo para atendimento diferenciado a indígenas aldeados, aqueles que vivem em aldeias, considerando sua vulnerabilidade sociocultural. Esse tipo de acolhimento é regulado pela Portaria nº 2.663, de 11 de outubro de 2017, que trata da Atenção Especializada aos Povos Indígenas (IAE-PI), do Sistema Único de Saúde (SUS).
Guia
O guia “Cuidados à população indígena com câncer no contexto amazônico: um guia para a enfermagem” é fruto do mestrado profissional em Enfermagem da servidora Lorena Silveira, no Programa de Pós-Graduação em Enfermagem no Contexto Amazônico, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), sob orientação do professor Zilmar Augusto, da Escola de Enfermagem.
O manual conta com verbas da parceria do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e da Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC). A produção contou com o apoio da Gerência de Enfermagem da FCecon para coleta de dados.
Motivação
Lorena Silveira atua como enfermeira assistencial há seis anos na FCecon e, ao perceber as dificuldades vivenciadas no contato com a população indígena, propôs a criação do manual para profissionais de saúde.
“O que me motivou foi o contato com pacientes indígenas durante os plantões na instituição e as dificuldades vivenciadas durante a assistência. E principalmente o fato de que somos o estado com a maior população indígena e, na maioria das vezes, os profissionais não são preparados para lidar com esse indígena dentro do contexto hospitalar. Eles sentem muitas dificuldades”, disse.
Segundo Silveira, há dificuldades na comunicação, hábitos e costumes diferentes e aspectos nutricionais distintos. “São populações com histórias de vida muito interessantes, que merecem ser respeitadas principalmente por todo o contexto histórico e cultural. Temos muito a aprender com eles também”, afirma.
Interação
De forma ilustrada e educativa, o guia tem uma personagem fictícia, “Iacy”, demonstrando todo o percurso que o indígena percorre desde que sai de sua comunidade até chegar a um centro de tratamento.
O manual é interativo. Tem grafismos, toadas de boi que fazem link com as seções do guia e vídeos que aprofundam a temática dos povos tradicionais.
O material é dividido em quatro eixos temáticos: educação, políticas, assistência e cuidado, e multidisciplinaridade.
Há informações sobre a organização dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs); etnias mais populosas do Amazonas; os fatores de risco para o câncer nas populações indígenas; importância da ambientação hospitalar; ações e decisões do cuidado de enfermagem baseados na teoria transcultural; desafios enfrentados pelo indígena até chegar aos centros de referência; dentre outros.
“O principal objetivo do guia é propor reflexões de cuidado, aos profissionais de saúde, e nortear as ações que promovam uma atenção diferenciada às populações indígenas com câncer, dentro do nosso cenário amazônico”, destaca Silveira.
Educação
O objetivo é que o manual seja utilizado como educação permanente dos profissionais de saúde. O material está passando por uma fase de correções e em breve será disponibilizado aos profissionais.
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