
Esta segunda-feira, 21 de março, é o Dia Internacional da Luta Contra a Discriminação Racial. Para dar protagonismo ao debate sobre as lutas por direitos da população negra e reforçar o compromisso da gestão com o combate ao racismo, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (Semdes) realizou uma programação diferenciada ao longo desta tarde.
Dentre as ações, esteve a apresentação do plano de trabalho de reconhecimento da comunidade do Beco de Dona Dôla, localizada no bairro Pedrinhas, como um quilombo urbano. O secretário da pasta, Michael Farias, foi até o local explicar o passo a passo das formalidades para concretizar essa medida.
“Estar aqui para se discutir um plano pro reconhecimento dessa comunidade como um quilombo urbano é fundamental, primeiro para se garantir um direito desse segmento, e ao mesmo tempo a gente cumprir uma responsabilidade pública, por visibilizar uma pauta tão importante e garantir que nós possamos criar estratégias que enfrentem toda e qualquer manifestação do preconceito”, afirmou Michael.

A yalorixá do Beco de Dôla, Eliane Gonçalves Sousa, explicou que a comunidade já se autorreconhece como um quilombo urbano, e a formalização desse reconhecimento irá significar uma grande vitória. “Sempre tem aquele preconceito por sermos negros, quilombolas e morar em periferia”, denunciou. “Vai ser um grande prazer a gente, em tudo que é lugar, ser conhecido como quilombola, a gente poder usar como a gente realmente é: descendentes do quilombo de Mãe Dôla”, disse.
Articuladora cultural do Bêco de Dôla, Laís Gonçalves Sousa também comentou a ação. “É a maior honra pra gente, pra nós, povo negro, ter o nosso reconhecimento, nosso título de quilombo urbano. Para a gente não tem preço deixar o legado, é um dever e uma dívida que o governo federal, o Brasil, tem com o povo negro. A comunidade que fundou o bairro das Pedrinhas, que vem de lutas e resistências, e continuamos resistindo até hoje”, destacou.
Cras Pedrinhas – O Dia Internacional da Luta Contra a Discriminação Racial também foi lembrado no Cras Pedrinhas. O órgão, em parceria com a Coordenação Municipal de Promoção da Igualdade Racial, reuniu usuários do serviço e representantes de movimentos sociais para reflexões sobre o mito da democracia racial e seus reflexos na sustentação do racismo institucional e estrutural. A programação contou ainda com uma exposição de arte, uma mostra fotográfica e apresentações de capoeira, música e poesia.
O evento contou com a participação da diretora de Assistência Social, Cléa Malta; a coordenadora de Igualdade Social, Olinda Pereira; a gerente do Cras Pedrinhas, Laís Pinheiro; a educadora social Kêu Sousa; e o presidente do Conselho Municipal da Igualdade Social, Tata João da Silva.
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