
Diabético, Vicente Saraiva Rodrigues, de 58 anos, teve o pé infeccionado após uma perfuração acidental
Diagnosticado com diabetes há uma década, o porteiro Vicente Saraiva Rodrigues, de 58 anos, nunca imaginou que um dia teria um dos membros do corpo condenado por causa da doença. Encaminhado há dois meses para o Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar (HMJMA), unidade da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), ele estava resignado em ter o pé direito amputado. “Mas esse hospital foi uma benção. Aqui, salvaram meu pé”.
O porteiro conta que o problema começou quando, mesmo calçado, perfurou acidentalmente o pé a caminho de um supermercado. “Eu fui ao posto de saúde para me vacinar (contra tétano). Lá, a equipe me orientou a procurar atendimento de emergência. Como não tomei a medicação da diabetes corretamente, fui logo internado”, lembrou.
Durante a hospitalização, a infecção se espalhou pelo membro inferior em poucos dias. “Foi quando me contaram da amputação e me mandaram para cá”.
Ao chegar ao HMJMA, no entanto, o paciente passou por nova avaliação. “A gente tem experiência em cuidar desses ferimentos infectados e sabemos que, com a atenção adequada, com limpeza, com cuidados diários, há uma chance de se recuperar. E nós investimos nessa possibilidade. Antes de amputar e condenar um paciente a passar o resto da vida sofrendo, resolvemos tentar”, afirmou médico cirurgião Gláucio Nóbrega.
Foram dois meses de tratamento: primeiro com as equipes cirúrgica e clínica, para remover os tecidos desvitalizados e para tratar a infecção. Em seguida, profissionais da Estomaterapia participaram do processo. “Depois que já tinha sido retirado o tecido morto, começamos com os curativos, com as coberturas biológicas que tanto previnem infecção local na lesão como tratam, ajudam na limpeza da lesão e na epitelização (recuperação do tecido) na área”, explicou a enfermeira Yara Lanne Santiago Galdinos. A especialista tem 23 anos de atuação, 16 deles como estomaterapeuta.

Nova avaliação e trabalho das equipes cirúrgica, clínica e de Estomaterapia do HMJMA foram fundamentais para a recuperação do paciente
Com infecção e diabetes controladas, Vicente Rodrigues agora passará por cirurgia de enxerto e, finalmente, poderá voltar para casa caminhando. “A recuperação dele é motivo de orgulho para toda a equipe. Nós vimos como ele chegou”, disse a enfermeira.
“Ele tinha fluxo de sangue no membro, sem osteomielite (infecção no osso), então, tínhamos de tentar. Fomos presenteados com a recuperação dele”, complementou o cirurgião Gláucio Nóbrega.
Caso Rodrigues não tivesse respondido bem ao tratamento, ele teria sido submetido à amputação suprapatelar, acima do joelho. Medida tomada para facilitar o uso de prótese. “Mas a nossa prioridade era tentar salvar o membro. Ele é um homem jovem, socialmente ativo, com esposa e filhos. Nossa luta diária é sempre pela qualidade de vida dos nossos pacientes”, ressaltou a diretora-geral da unidade, Silvana Furtado Sátiro.
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