
A permanência dos alunos em sala de aula, especialmente do Ensino Médio, foi o tema central do curso Desenho de Programas de Bolsas para Redução da Evasão Escolar no Ensino Médio, promovido entre segunda (24/4) e terça-feira (25/4), pelo Gabinete do Vice-Governador (GVG). Destinado a servidores das secretarias da Educação (Seduc) e de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) e a equipes técnicas do gabinete do governador e do vice, o encontro foi oferecido pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). A iniciativa possibilitou testar uma ferramenta de combate à evasão escolar que contribua com as ações do programa Todo Jovem na Escola.
O curso, gratuito, foi ministrado pelo doutor em economia e coordenador-geral do Centro de Gestão e Políticas Públicas, Ricardo Paes de Barros, pela mestra em Economia Aplicada e coordenadora do Programa Avançado em Gestão Pública e do Master em Gestão Pública, Laura Muller Machado, e pela mestranda em Políticas Públicas, Laura Abreu.
“Convidamos o professor Paes de Barros e a sua equipe para que eles pudessem compartilhar conosco o modelo de pesquisa utilizado e também qualificar nossos servidores a partir das suas experiências”, explicou o vice-governador, Gabriel Souza. O programa Todo Jovem na Escola integra o Gabinete de Projetos Especiais (GPE), vinculado ao gabinete do vice. “Estamos trabalhando no aprimoramento desse programa e já posso adiantar que teremos um upgrade importante. Nesse sentido, o conhecimento e as técnicas apresentadas nestes dois dias serão fundamentais para concluirmos o nosso trabalho”, complementou.
No primeiro dia, os servidores assistiram a um encontro teórico e puderam fazer suas próprias análises a partir da avaliação da eficácia de modelos de programas de bolsas de estudos em execução em diferentes estados brasileiros e em pesquisas nacionais e internacionais.
No segundo dia, além do titular da pesquisa, o coautor e parceiro da Oppen Social, Samuel Simões, expôs os detalhes da ferramenta – chamada de simulador – que prevê os valores e probabilidades de evasão. Ela auxiliará o governo a analisar os valores ideais das bolsas dos estudantes com foco na frequência escolar.
Sobre o simulador
O simulador foi feito em uma parceria entre o Insper e os Institutos Natura e Sonho Grande, projetos sem fins lucrativos, que participam ativamente, por meio de parceria público-privada, do auxílio e pesquisa de projetos sociais envolvendo a educação brasileira. Também fizeram parte da pesquisa colaboradores do Oppen Social, instituição que produz informações para organizações interessadas em entender a sociedade e tomar decisões baseadas em pesquisa e evidências.
Criado a partir das pesquisas, o sistema permite entender o percentual de evasão escolar dos jovens, conforme o valor de bolsa recebido. Isso é feito a partir de métricas de faixas sociais, que vão de extremamente pobre (pessoas que recebem R$ 105/mês per capita), pobre (R$ 210/mês per capita) a vulnerável (R$ 550/mês per capita). O resultado é uma pesquisa aprofundada do valor mais aproximado ao ideal para manter os estudantes na escola.
O secretário-executivo do GPE, Clóvis Magalhães, enfatizou a importância do instrumento para o governo do Estado. “O simulador auxiliará nas soluções para desafios que temos observado desde o primeiro dia do governo. Teremos respostas importantes. E desejamos construir esse futuro juntos, criarmos uma agenda, unidos ao Insper e às organizações parceiras", explicou.
Paes de Barros ponderou que apenas a bolsa com valor mais alto não é o suficiente para uma mudança total na educação. “Não adianta você tentar convencer o estudante a investir, se a escola não for boa. A escola tem que ser ótima. É preciso melhorá-la como um todo”, disse. “Não adianta você tentar convencer alguém a investir em algo com juros negativos. Não vai valer a pena”, destacou o economista, referindo-se ao estímulo dos estudantes a partir da implementação de bolsas.
Para o subsecretário de Desenvolvimento da Seduc, Marcelo Araújo, a oficina apontou os impactos dos programas de bolsas no combate à evasão, sinalizando caminhos e estratégias para ações que garantam a permanência dos alunos em sala de aula. "Assim como a importância do pagamento de bolsas, como as do Todo Jovem na Escola, a conexão com a juventude, tutoria para os estudantes, alimentação adequada à rotina, uma formação mais holística e ampla são algumas das ações apontadas”, salientou Araújo. “No Rio Grande do Sul, temos avançado e trabalhado nesse sentido, principalmente nas escolas de tempo integral, no caminho de combate à evasão e de uma educação de qualidade.”
O curso foi finalizado com um debate entre os servidores e os painelistas sobre a importância do uso do simulador para os próximos passos da educação gaúcha. Paes de Barros afirmou que, nesse processo, será importante usar o capital humano disponível para fazer um sistema de avaliação e promover os ajustes indicados no programa, de acordo com as necessidades locais.
Texto: Ascom GVG
Edição: Camila Cargnelutti/Secom
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