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Ex-aluno de escola pública do Acre é aprovado em 2° lugar nas cotas para Medicina na Ufac

Filho de uma dona de casa e de um mecânico, nascido e criado em Vila Campinas, no município de Plácido de Castro, interior do estado, Harife Bianca...

15/03/2022 às 10h50
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Filho de uma dona de casa e de um mecânico, nascido e criado em Vila Campinas, no município de Plácido de Castro, interior do estado, Harife Biancardine Viana, de 21 anos, conquistou o 2° lugar entre as chamadas para cotas públicas do curso de Medicina na Universidade Federal do Acre (Ufac).

O jovem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano de 2020 e passou pela sétima convocação do Sisu. Foto: Neto Lucena/Secom
O jovem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no ano de 2020 e passou pela sétima convocação do Sisu. Foto: Neto Lucena/Secom

A seleção foi feita pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que permite que estudantes com melhores desempenhos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) conquistem vagas em universidades públicas. Com visão monocular, Harife se inscreveu pelo sistema de cotas para portadores de necessidades especiais e entrou para o curso na sétima chamada do sistema.

“Estudei a minha vida inteira em escola pública. Inclusive fui fazer o Enem com um ônibus disponibilizado pelo Estado, para que os alunos de escolas públicas daqui de Vila Campinas pudessem fazer o exame em Acrelândia. Estudei com os livros que ainda tinha do ensino médio, não podia gastar com preparatórios. Fiz 940 pontos na redação, saí de lá confiante de que tinha feito uma boa prova e hoje comemoro minha convocação para o curso de medicina”, relatou o estudante.

Os pais de Harife não conseguiram terminar o ensino fundamental e queriam que o filho estudasse para ter uma boa profissão na vida. Foto:Neto Lucena/Secom
Os pais de Harife não conseguiram terminar o ensino fundamental e queriam que o filho estudasse para ter uma boa profissão na vida. Foto:Neto Lucena/Secom

Harife e os irmãos tiveram uma infância difícil. Enquanto o pai, Cláudio Leal, saía para trabalhar todos os dias, a mãe Mira Bela ficava em casa para cuidar das crianças. Os dois só estudaram até a 5ª série. “Às vezes faltava o que pôr à mesa dentro de casa, mas nossos filhos nunca deixaram de frequentar a escola. Sempre peguei muito no pé. Só brincavam depois de estudar e fazer as tarefas de aula”, conta Mira Bela.

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Já Cláudio conta que Harife chegou a reprovar de ano no ensino fundamental, o que lhe custou o atraso de um ano na vida escolar; contudo, a partir daí ele se decidiu aos estudos e descobriu que queria ser médico já na adolescência.

“Meu filho quer se formar em Medicina e ajudar as pessoas da cidade onde se criou. Quer ser um clínico geral e atuar no Hospital Ana Nery aqui de Vila Campinas. Sua vida foi exclusivamente dedicada aos estudos e tá aí a prova de que todo o esforço valeu a pena. Estamos todos muito orgulhos e felizes com a notícia. Como bom filho que é, com certeza também será um bom médico”, diz o pai.

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Harife voltou à escola onde estudou para agradecer aos professores e relatar sua conquista. Foto: Neto Lucena/Secom
Harife voltou à escola onde estudou para agradecer aos professores e relatar sua conquista. Foto: Neto Lucena/Secom

A entrevista para o site da Agência de Notícias do Acre foi realizada na Escola de Ensino Fundamental e Médio São Luiz Gonzaga, localizada na região central de Vila Campinas. Ali Harife estudou desde a 1ª série, até se formar no ensino médio. O estudante fez questão de voltar à instituição para agradecer.

“Agradeço a Deus, à minha família e aos professores pelo apoio por essa conquista. Foram a minha base para tudo. Sempre me disseram para estudar e foi o conselho mais valioso que recebi. Esse conselho eu repasso aos que têm o mesmo sonho e buscam aprovação nas universidades. Não é fácil, estudei oito horas diárias todos os dias, mas no final o esforço valeu a pena. Lutem sem desistir, até conseguir “, recomenda Harife Viana.

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