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Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo alerta sobre riscos à saúde física e mental

Quando foi a última vez que você praticou uma atividade física? Se você é como quem lhe escreve, há alguns anos, provavelmente precisará de algum t...

10/03/2023 às 16h51
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Ceará
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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

Quando foi a última vez que você praticou uma atividade física? Se você é como quem lhe escreve, há alguns anos, provavelmente precisará de algum tempo para responder essa simples pergunta. Algumas pausas entre afazeres diários se tornam uma necessidade, o cansaço pesa e, provavelmente, você vai descontar essa frustração em comida industrializada ao final do dia. Vencer essa batalha não é uma tarefa fácil e, no Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo, os profissionais dos órgãos da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) dão um empurrãozinho.

O sedentarismo é definido pela falta de regularidade na prática de atividades físicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Por essa lógica, quem não dedica, semanalmente, 150 minutos ao próprio corpo, ou 30 minutos diários em cinco dias na semana, é sedentário. Uma zona de conforto em níveis. No nível 1, o indivíduo faz alguma caminhada, mas sem regularidade e nem intensidade. No nível 2 estão aqueles que carregaram sacolas, ou se dedicam às atividades domésticas.

Os níveis 3 e 4 de sedentarismo são os mais preocupantes. Nesse, a pessoa evita qualquer esforço físico e busca contorná-lo; já no nível 4, o indivíduo prefere ficar sentado, ou deitado, sem sequer lembrar da última vez em que fez algum exercício físico. “Sedentarismo não é uma doença, embora possa acarretar doenças que estão associadas à falta de atividades físicas, como: diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, atrofia muscular e pressão alta”, explica o supervisor do Núcleo de Educação Física (Nuef) da Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp), o inspetor da Polícia Civil do Estado do Ceará (PC-CE), Wladimir Sombra.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
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Para ilustrar o próprio pensamento, Wladimir Sombra compara o nosso próprio corpo a uma máquina. Sem uma alimentação adequada, o devido descanso e as atividades físicas, a “máquina” começa a apresentar sinais como cansaço intenso sem razão aparente, redução da força muscular, dores articulares, evolução da condição de sobrepeso para a obesidade e prejuízos à saúde mental.

Servir e Proteger

“O processo de sedentarismo é uma porta que te leva à obesidade. Um problema de saúde que, desde 1964, é reconhecido pela OMS como uma doença que desencadeia outras doenças”, alerta o 3º sargento do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRAIO) da Polícia Militar do Estado do Ceará (PMCE) e profissional de Educação Física e Nutrição, Allan Christian. “Hoje, a literatura científica reconhece o tecido adiposo como parte do Sistema Endócrino, ou seja, ele possui a capacidade de secretar hormônios”, completa.

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Hormônios como a leptina, usualmente liberado pelo estômago na corrente sanguínea, é responsável por regular a alimentação e o gasto de energia do corpo. “E, por conta desse tecido adiposo mais extenso, esse hormônio começa a ser liberado pelo próprio tecido adiposo. Uma combinação perigosa que acaba fazendo com que esse hormônio chegue em maior quantidade no nosso cérebro. Lá, a leptina desencadeará uma maior probabilidade de ingestão de produtos de alta densidade calórica, como os alimentos industrializados”, explica Allan Christian. “Uma verdadeira bola de neve que só aumentará o quadro de obesidade do indivíduo”, complementa.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
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E lembra da analogia do nosso corpo com uma máquina? É exatamente neste ponto em que ela para de funcionar como foi programada e apresenta um quadro de exaustão sem motivo aparente. Quando alguém sequer se olha no espelho, ela evita o contato social. “Se essa pessoa é um profissional da Segurança Pública, ela perde não só produtividade, como também autoestima. A nossa profissão exige que estejamos sempre alerta quanto aos cuidados com nossa saúde para que possamos desempenhar a nossa missão de servir e proteger”, fustiga o inspetor Wladimir Sombra.

“É de suma importância que o profissional de Segurança Pública tenha um bom condicionamento físico. Durante as atividades cotidianas, o nosso corpo é muito solicitado, como em situações em que algum indivíduo comete algum tipo de crime, ou ato infracional, e é preciso desempenhar uma estratégia de perseguição, ou acompanhamento tático. Sem um bom condicionamento físico, esse profissional de Segurança corre o risco de sofrer algum problema cardiovascular, como é o caso de um infarto do miocárdio”, exemplifica o profissional de Educação Física e Nutrição.

E a dica é…

“Nenhuma literatura científica fala em prazo, de 30 ou 60 dias, mas você pode se considerar fora do sedentarismo a partir do momento em que você desenvolve uma rotina de atividade física programada”, enfatiza Allan Christian. Para chegar lá, o recomendável é buscar uma equipe multidisciplinar, composta por um médico, um nutricionista e um profissional de Educação Física, para traçar um diagnóstico e estabelecer metas a serem acompanhadas periodicamente.

A dica, especialmente para pessoas acima de 60 anos, é o Projeto Saúde, Bombeiros e Sociedade (PSBS), do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE). A ação tem como principal objetivo a execução de atividades físicas de baixo impacto voltadas ao bem-estar e a integração social, como também realizar campanhas socioeducativas e eventos cívicos e prestar esclarecimentos sobre prevenção de incêndios e de acidentes domésticos.

O programa, criado de forma voluntária em 2003, foi regulamentado pela Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALCE) por meio de lei em 2019. Hoje, o PSBS beneficia mais de 27 mil pessoas em 411 núcleos distribuídos em 33 municípios cearenses, sendo de 231 na Capital, 92 na Região Metropolitana de Fortaleza e 88 interior do Estado, além de contar com transmissão no canal do YouTube do CBMCE.

Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

“Hoje, somos mais de 900 bombeiros levando de graça, para diversos locais, como praças públicas, colégios, centros comunitários e locais onde os participantes se sintam à vontade, atividades físicas de baixo impacto, danças e atividades lúdicas. Também promovemos e organizamos passeios, fazendo com que todos os participantes saiam do sedentarismo e melhorem a saúde física e mental”, narra o comandante do Centro de Treinamento e Desenvolvimento Humano (CTDH) do CBMCE, tenente-coronel Naum Maurício.

Uma data para lembrar dos riscos

O Dia Nacional de Combate ao Sedentarismo é comemorado no dia 10 de março no Brasil. A data comemorativa serve de alerta para a conscientização da população sobre os riscos do sedentarismo para a saúde e de incentivo à prática regular de atividades físicas. Pessoas sedentárias apresentam um maior risco de desenvolver diversas doenças, incluindo doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, hipertensão arterial, osteoporose, ansiedade e depressão.

O Brasil tem um alto índice de sedentarismo e é considerado um dos países mais sedentários da América Latina, de acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2020. Segundo a OMS, pelo menos 47% dos brasileiros são considerados fisicamente inativos, ou seja, não praticam atividades físicas suficientes para manter a saúde. Esse índice coloca o Brasil atrás de países como Argentina, Uruguai e Chile em termos de atividade física e qualidade de vida.

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