
Objetos de baixo custo são produzidos pelo serviço de Terapia Ocupacional da unidade para auxiliar na autonomia, na independência e na qualidade de vida de quem está internado
Desde expressar uma sensação de calor até a possibilidade de apontar para uma área de dor, fazer-se entender no relato de emoções e necessidades básicas pode ser um grande desafio para pacientes com limitações de comunicação em unidades de longa permanência.
Com o objetivo de facilitar o diálogo e a troca de informações entre profissionais e pacientes com déficit oral e motor, o serviço de Terapia Ocupacional do Hospital Geral de Fortaleza (HGF), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), criou o Projeto Tato. A iniciativa se utiliza de tecnologias assistivas de baixo custo para auxiliar na autonomia, na independência e na qualidade de vida do paciente durante a internação.
“O Tato surgiu de uma vontade coletiva da equipe da Terapia Ocupacional em usar vários instrumentos para beneficiar quem está internado”, afirma a terapeuta ocupacional da Unidade de Cuidados Prolongados (UCP) do HGF, Socorro Porto. “Para cada um desses dispositivos, utilizamos materiais de baixo custo, como esponjas, canos de PVC e até mesmo o papel, na prancha de comunicação”, cita.
Tecnologias assistivas, explica a terapeuta, são produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que têm como objetivo promover a funcionalidade relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida.
No HGF, são três os itens mais utilizados, todos produzidos pela Terapia Ocupacional: a prancha de comunicação, a cadeira de sedestação e as órteses para posicionamento dos pacientes.
A prancha de comunicação é um dispositivo que se destina à ampliação da habilidade de troca de informação em pessoas com dificuldades de fala e de escrita. Com figuras que emitem necessidades e desejos como sede, dor, alegria ou coceira, por exemplo, o suporte é indicado para pacientes conscientes e com o mínimo de letramento para entender o alfabeto. A técnica assiste, geralmente, pessoas traqueostomizadas.

Prancha de comunicação auxilia na troca de informações com pacientes traqueostomizados
“Nós somos seres comunicativos e necessitamos disso independentemente da condição em que a gente esteja. Nesse aspecto, a prancha busca viabilizar essa compreensão e torná-la funcional para que o usuário consiga expressar o seu desejo e a gente, enquanto equipe, consiga entendê-lo”, ressalta a terapeuta ocupacional da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HGF, Jéssica Figueiredo. “O paciente tem de ser um agente ativo no seu processo de recuperação”, adiciona.
O recurso foi criado em parceria com a Assessoria de Comunicação da unidade, administrada pela Fundação Regional de Saúde (Funsaúde) do Estado.
Além dos desafios da comunicação, a falta de mobilidade no leito é um grande desafio para a recuperação dos internados. Um período prolongado em repouso pode provocar problemas circulatórios, dermatológicos, respiratórios e até psicológicos, pontua Figueiredo.
No HGF, o serviço de Terapia Ocupacional cria dispositivos para suporte de membros superiores e inferiores (órteses para posicionamento) e para manter o paciente sentado na posição correta (cadeira de sedestação). São equipamentos construídos com materiais de baixo custo de produção, como canos e conexões de PVC e almofadas.
“Nosso trabalho é viabilizar essa funcionalidade do corpo de forma geral. A gente ajuda [os pacientes] no despertar, na estimulação sensorial, tátil, auditiva e, às vezes, até olfativa. Buscamos orientá-los no tempo e no espaço e viabilizar essa melhora de forma geral para que ele consiga ter uma recuperação mais rápida”, diz Jéssica Figueiredo.
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