
Serviço de Geriatria da unidade assiste pessoas encaminhadas pela Central Estadual de Regulação
O esquecimento é a característica mais aparente da doença de Alzheimer. Atividades do cotidiano e outros referenciais vão se tornando, pouco a pouco, desconhecidos. Os sintomas em pacientes acometidos afetam não só a parte cognitiva, mas toda a estrutura familiar. Desde 2014,a campanha Fevereiro Roxo chama atenção para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento da doença.
No Ambulatório de Especialidades do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), é feito o acompanhamento de pacientes com Alzheimer – encaminhados pela Central Estadual de Regulação. O serviço de Geriatria foi estruturado para atender a casos de demência em três estágios: leve, moderado e grave. Também há dispensação de medicamentos de alto custo específicos para pessoas em tratamento.
“O ambulatório de Geriatria foi reformulado em 2022 para se adequar à necessidade do SUS [Sistema Único de Saúde] de tratar pacientes com alteração cognitiva, como são conhecidos cientificamente os problemas de memória, como a doença de Alzheimer”, ressalta Ianna Lacerda Braga, coordenadora do setor.
De acordo com o médico Rafael Pinheiro, para acessar o serviço, pacientes passam por uma triagem. “Se a pessoa tiver um perfil, com déficit cognitivo, um quadro demencial, ela é encaminhada para uma avaliação mais detalhada. Dependendo do diagnóstico, a assistência já é iniciada”, diz.
A história de Tarcísio Miguel de Sena, de 79 anos, é semelhante à de tantos outros com Alzheimer. A filha Taciana Nogueira de Sena Barros, de 48, lembra dos primeiros sinais da doença, percebidos depois da morte da mãe. “Ele já estava um pouco esquecido, mas, como a atenção estava voltada mais para ela, começamos a perceber quando ela faleceu”.
Tarcísio é acompanhado no HGCC há seis meses, após ser encaminhado de uma unidade básica de saúde. Ele apresentava alteração na taxa de glicemia, motivo inicial de suspeita para os esquecimentos frequentes. Já no hospital estadual, realizou testes e confirmou o diagnóstico para Alzheimer. “Depois que começou a tomar os remédios, a doença estacionou. Não progrediu muito”, afirma Taciana.
A assistência ambulatorial do equipamento monitora o paciente em todas as fases. Os casos em que a doença atinge um alto grau de demência e os medicamentos não fazem mais efeito, no entanto, são retornados aos postos de saúde para tratamento domiciliar. O HGCC disponibiliza, nesse contexto, teleatendimento. “É uma forma de cuidarmos desses pacientes graves que não conseguem mais sair de casa, geralmente acamados”, explica Gabriel Pinheiro.

Taciana Barros (à direita) busca mensalmente os medicamentos de alto custo para o tratamento do pai, Tarcísio Sena, acompanhado há seis meses no HGCC
O médico orienta, ainda, sobre prevenção e tratamento do Alzheimer. “É importante mudar o estilo de vida, priorizar uma boa qualidade de sono, atividades físicas; controlar comorbidades como hipertensão e diabetes; manter relações saudáveis com familiares e amigos; estimular a parte cognitiva com leitura, por exemplo. São formas de prevenir e de tratar a doença, inclusive, para que a evolução do quadro seja lenta”.
É o que Tarcísio busca seguir. Ele, muito vaidoso, conta a filha, não deixa de fazer caminhadas diárias. Taciana o leva todos os meses a consultas e busca as medicações. “É um ato de amor. Eu tenho de cumprir essa missão. Todos nós estamos juntos, querendo o melhor para ele”, declara ela, que se mudou para a casa do pai com o marido e os filhos.
O serviço do HGCC possui uma estrutura com médicos geriatras, enfermeiros, assistente social, psiquiatra, psicólogos e nutricionista. Como hospital de ensino, quatro residentes também compõem a equipe. Só em 2022, foram realizados 2.497 atendimentos no Ambulatório de Geriatria – média de 208 por mês.
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