
Dez estudantes representaram a rede pública de ensino no programa “Futuras Cientistas”
O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) foi o palco da primeira edição do programa “Futuras Cientistas” no Amazonas. Com o apoio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto, o projeto teve o objetivo de estimular o contato de alunas e professoras do sistema público de ensino com as áreas de Ciência e Tecnologia.
Durante todo o mês de janeiro, sete alunas e três professoras participaram de uma completa imersão no tema “Mudanças Climáticas e suas múltiplas dimensões – clima, biodiversidade e sociedade”. As ações envolveram palestras, pesquisas de campo, vídeo-aulas e contato com os estudos realizados pelos profissionais do Inpa.
A iniciativa é vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), e começou a ser realizada em 2012, pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene). Nesta edição, tornou-se nacional, com 470 vagas (sendo dez para o Amazonas) distribuídas em 25 estados brasileiros.
Professora de Química e uma das docentes prestigiadas pelo projeto, Darlina Monteiro, destacou que programas como o “Futuras Cientistas” são importantes porque podem ser vistos no momento da escolha da profissão por parte das alunas.
“Fazer parte desse universo, tendo contato direto com os pesquisadores e seus objetos de estudo, pode mudar a vida dessas meninas. Aqui, elas percebem que podem ser o que quiserem. Biólogas, engenheiras e químicas. Essa imersão vem para mostrar que é possível, e acima de tudo, necessário”.
Para a estudante Mônica Fiuza, aluna da Escola Estadual Deputado Vital de Mendonça, em Itacoatiara (distante 176 quilômetros de Manaus), a possibilidade de aliar os conceitos teóricos aprendidos na escola e as atividades práticas desenvolvidas pelo Inpa são determinantes.
“Na escola, nosso contato com a biologia acontece por meio dos livros didáticos, que auxiliam bastante, mas são limitados. Aqui, estivemos no herbário, tivemos contato com anfíbios e répteis, fomos até o local onde os peixes-bois e ariranhas são cuidados, aprendemos sobre as aves. Tudo isso vendo de perto todo o processo, é muito diferente”.
Por também ser vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), todas as selecionadas recebem uma bolsa-auxílio de R$483.
Os dados mundiais apresentados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2020, apontam que apenas 30% dos cientistas são mulheres. No Brasil, as mulheres pesquisadoras representam 40,3%. Apesar do avanço em comparação a média global, o cenário ainda não é considerado de paridade.
Nesse contexto, o programa “Futuras Cientistas” surge para contribuir com a equidade de gênero no mercado profissional, é o que afirma Jordana Guimarães, pesquisadora do Inpa e uma das tutoras das alunas durante o mês de imersão.
“Existem diversas áreas nas Ciências que ainda são, majoritariamente, dominadas por homens. Isso acontece, infelizmente, porque não somos estimuladas a acreditar que podemos exercer essa profissão. Por isso, é um orgulho estar aqui, com elas, e mostrar na prática que é possível”.
Nos dez anos do projeto, o incentivo tem funcionado. Aproximadamente 70% das participantes do programa foram aprovadas nos vestibulares de suas respectivas cidades. Destas, 80% escolheram cursos nas áreas de Ciência e Tecnologia.
O Plano de Trabalho apresentado pelo Inpa foi o único da Região Norte aprovado pela coordenação geral do programa. A escolha das participantes se deu por meio de inscrições por edital, publicado em setembro do ano passado.
Entre os critérios do edital estavam a avaliação do desempenho escolar – para as alunas; e a análise do Currículo Lattes, para as professoras.
“Esperamos que a próxima edição seja tão exitosa quanto essa. A gente recebeu muitos pedidos de inscrição, cartas de recomendação, e isso comprova que o interesse existe, o que falta é o incentivo“, finalizou Felipe Zanusso, pesquisador do Inpa e também um dos integrantes da equipe de trabalho do projeto no Amazonas.
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