
Quem estudou na Escola Humberto Soares da Costa, localizada no Bairro José Augusto, em Rio Branco, lembra muito bem como era a realidade da comunidade até 2017. Brigas entre alunos, disputas entre grupos criminosos e a presença quase diária da polícia nas dependências do prédio.
Em 2016, entretanto, a escola passou por uma intervenção e em 2017 se transformou numa escola integral de ensino médio. Com muito trabalho, planejamento e dedicação da equipe gestora, dos professores e dos funcionários que trabalham na instituição, a realidade começou a mudar.

Mudou tanto que a escola obteve, em 2021, no ensino médio, a terceira maior nota do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), 5,1. Parece pouco, mas é uma evolução, a médio prazo, gigantesca se se considerar que em 2017 essa nota foi de 3,8, e em 2019 de 4,9.
De acordo com a coordenadora de ensino da escola, a professora Ester Assaf, a média do Ideb ficou acima até mesmo da média estadual, que foi de 4,8. “Conseguimos aumentar o nosso Ideb em plena pandemia e com aulas virtuais”, conta.
Ela relata que a maioria das escolas, durante a realização da prova do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), em 2021, sequer conseguiu reunir os 80%, mínimo exigido de alunos (naquele momento o ensino era híbrido – presencial e remoto). “Nós tivemos presença de 95% dos alunos fazendo a prova”, disse.
A Humberto Soares melhorou em todos os índices. Atualmente, a escola trabalha com 48 alunos que apresentam alguma deficiência. “Aqui, trabalhamos de fato e de direito com a proposta da escola inclusiva”, faz questão de destacar a coordenadora de ensino.

A melhora na nota do Ideb se reflete também no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No ano passado, dos 40 estudantes que realizaram a prova, nada menos do que 18 foram classificados na primeira chamada para as instituições federais de ensino, a Ufac e o Ifac, sem falar que teve aluno que teve nota 960 na redação.
“A nossa escola, no ano passado, aprovou mais alunos no Enem do que muitas instituições privadas de ensino, e esse ano conseguimos inscrever 100% dos alunos, que realizaram as provas agora no mês de novembro. Tudo é graças ao trabalho realizado, ao nosso planejamento e à nossa gestão democrática”, afirma.
Os números do Ideb da Escola Humberto Soares são reafirmados pelos estudantes. A aluna Eva Gomes, por exemplo, destaca a boa convivência com os professores, a forma democrática como as coisas são tratadas. “Eu fiquei surpresa, os professores são 100% profissionais, são amigos e nos ajudam na tomada de decisões”, afirma.

Quem também elogia o novo modelo de ensino implementado pela Escola Humberto Soares é Cristina dos Santos, aluna do terceiro ano. Ela, além de poetisa, já escreveu quatro livros e participa de competições nacionais, apoiada pela gestão. “Aqui temos uma gestão que dá voz aos estudantes”, relata.
Mesmo quem conclui o ensino médio não perde o vínculo com a escola. É o caso de Paulina Gomes, que concluiu os estudos em 2020, em plena pandemia, é egressa da escola, mas hoje atua como jovem protagonista acolhedora, recebendo os novos alunos. Ela faz Biomedicina na Faculdade Anhanguera e escolheu essa profissão, segundo ela, em decorrência do vírus que assolou o mundo.
Atualmente, a escola de ensino médio integral Humberto Soares possui 20 professores, entre os quais está Eliel Lopes, de Matemática. Ele trabalha desde 2014, quando a escola ainda funcionava, em decorrência de uma reforma, no antigo prédio do Crie, no Centro da cidade.
Testemunha da história e do que viveu a Humberto Soares, ele relata que ministrar aulas pela manhã até que era tranquilo, mas à tarde, segundo suas próprias palavras, “complicado”. “Até a intervenção, que aconteceu em 2016, haviam muitas brigas, guerras de facções”, relata.

Mas depois da intervenção e depois que a escola se tornou de ensino médio integral, diz que as coisas começaram a mudar. Segundo ele, foi um processo longo, mas com uma gestão democrática e com muito planejamento, hoje a escola é uma referência na educação em nosso estado.
“Essa mudança somente aconteceu porque a equipe é unida. Temos uma gestão democrática, ela ouve as pessoas, os professores, que estão mais próximos dos alunos, e trabalhamos o projeto de vida do aluno e, a partir do planejamento, melhoramos o nosso Ideb”, afirma.
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