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Alta carga tributária onera valor da cesta básica no Brasil

Segundo análise da Sovos, efeitos do Custo Brasil em toda a cadeia de produção e comercialização de produtos gera um efeito cascata, que acaba send...

03/11/2022 às 15h56
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Dino
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Apesar da ligeira desaceleração do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – o índice caiu 0,29% em setembro – o compilado dos últimos doze meses ainda apresenta alta de 7,17%, segundo dados do IBGE. Isso impacta diretamente nos preços dos produtos da cesta básica que, mesmo com a atual trégua na inflação, deverá sofrer novos reajustes em breve.

As capitais são as que mais sofrem com o aumento nesse valor. Somente em São Paulo, por exemplo, dados do Dieese revelam que o custo da cesta básica chegou a R$ 750,74 em setembro, diante de um salário mínimo no valor de R$ 1.212,00.

Ainda segundo dados do Departamento, do total de 13 alimentos que compõem a cesta básica, 11 deles ficaram mais caros no acumulado dos últimos 12 meses no estado. O café em pó e o leite integral foram os campeões, com aumento de 58,09% e 44,39% respectivamente. Apenas o tomate (-22,45%) e o arroz agulhinha (-1,99%) acumularam taxa negativa.

Para entender o porquê deste aumento exponencial é preciso analisar o cenário macro, levando em conta a dinâmica de toda a cadeia de produção e comercialização. Como já é sabido, a pandemia impactou fortemente a indústria e o varejo. E o fôlego que os setores estavam recuperando foi interrompido, desta vez, pela guerra na Ucrânia.

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"O conflito impactou diretamente nos valores dos insumos industriais, bem como dos combustíveis, encarecendo, dentre outros fatores, toda a logística", comenta Giuliano Gioia, advogado tributarista e Tax Director da Sovos Brasil, empresa global de soluções para o compliance fiscal e tributário.

Efeitos em cadeia, até o consumidor

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O Brasil conta com uma das maiores cargas tributárias do mundo, e ainda apresenta uma legislação tributária extremamente complexa, a qual inclui inúmeras especificidades e alterações constantes requeridas pelas três instâncias governamentais.

Os setores industrial e comercial são dois dos mais impactados pelo Custo Brasil, tanto do ponto de vista do alto encargo tributário quanto da complexidade da legislação.

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A arrecadação de tributos começa na aquisição de insumos pelas indústrias e agroindústrias, passando por toda a cadeia. Dados do Impostômetro revelam que, em média, 20,43% do preço final dos itens da cesta básica, por exemplo, é composto só por tributos, apesar dos incentivos fiscais concedidos para alguns itens.

O preço de todo produto que está em uma gôndola é, basicamente, composto pela soma entre custos, margem lucro e tributos. O aumento de custos ocasionados pela inflação, crise geopolítica e repasse de valores pela indústria – que enfrenta dificuldades como escassez de matérias-primas e aumento de preço na logística – gera um efeito cascata, que acaba sendo repassado para o bolso do consumidor final.

Na tentativa de amenizar a situação, a Abras (Associação Brasileira de Supermercados) reuniu-se com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em junho deste ano, propondo a isenção de tributos nos produtos da cesta básica e a desoneração da folha de pagamento.

As propostas seriam uma forma de frear a alta de preços de alimentos no país. Segundo a Abras, os 50 varejistas presentes na reunião se propuseram a repassar ao consumidor qualquer redução na cadeia produtiva.

“Para que a situação estabilize é preciso que haja um esforço em conjunto, com iniciativas do governo e do setor privado. Somente assim será possível retomar, ainda que minimamente, alguma normalidade”, diz o executivo.

O papel do planejamento fiscal

Pesquisa realizada pela Sovos aponta que sem inteligência fiscal muitas organizações acabam pagando mais tributos com medo de errar e entrar para o contencioso tributário do Brasil. Em contrapartida, quando utilizam a legislação da forma correta e automatizam processos, geram de 2% a 4% de economia nas operações.

Ao considerar que o Brasil tem uma das cargas tributárias mais pesadas e onerosas a serem pagas, quantas empresas estão olhando, de fato, para o custo tributário brasileiro? Eles estão muito acostumados a controlar os custos de logística, de produção, de marketing ou de pessoal. Mas poucos ainda são os negócios que utilizam o planejamento e a inteligência fiscal como ferramenta estratégica para reduzir custos tributários, eliminar de vez os procedimentos manuais altamente sujeitos a erros, aumentar a rentabilidade e se manterem em conformidade com o Fisco.

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