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Economia Negócios

Agenda desenvolvimentista deve pautar novo governo

Para José Maurício Caldeira, executivo da Asperbras, medidas devem priorizar indústria e sustentabilidade

20/10/2022 às 15h35
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Dino
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Foto: Reprodução
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Com a proximidade das eleições gerais, o debate sobre uma agenda econômica necessária para estimular o desenvolvimento do Brasil ganha força. Seja qual for o governo a partir de 1º de janeiro de 2023, há um longo caminho a ser percorrido para o país retomar o trilho do crescimento sustentado, na opinião de José Maurício Caldeira, sócio e membro do Conselho de Administração da Asperbras.

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Para o executivo, é imprescindível retomar as discussões em torno das reformas estruturais, como a Administrativa, para adequar à máquina pública ao tamanho do Estado, e a Tributária, que é a mais urgente. Há necessidade de simplificação, barateamento e desburocratização na forma de se cobrar impostos, dando racionalidade ao sistema e melhorando o ambiente de negócios no país. Para tanto, Caldeira defende que o caminho é a adoção, em nível nacional, de um Imposto sobre Valor Agregado (IVA), amplo e isonômico, como existe em vários países. "A produção, as exportações e os investimentos não podem ser onerados e deve existir mecanismos efetivos de recuperação de créditos".

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Outro ponto relevante é a política industrial. Os recentes choques externos, como a pandemia da Covid-19 e a guerra na Ucrânia, mostraram como a indústria é um setor estratégico. Com muito da produção concentrada na Ásia, as cadeias de suprimento se romperam, o que afetou o abastecimento de vários insumos globalmente. Com isso, até os países desenvolvidos estão reavaliando a opção de manter a produção tão distante do seu mercado consumidor. Tal cenário pode ser uma oportunidade para o Brasil, fazendo da indústria o motor da retomada econômica e avançar na reindustrialização. Nos últimos anos, a indústria de transformação perdeu protagonismo, passando de 20% de participação no PIB, nos anos 1980, para 11,23% em 2021, mesmo patamar dos anos 1950. "O Brasil precisa atrair investimentos de empresas estrangeiras na fronteira tecnológica e acelerar a transição para a Indústria 4.0, reduzindo custos de financiamento para todo o setor industrial e melhorando o acesso ao crédito para o investimento produtivo", complementa o executivo.

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A sustentabilidade deve ser outro fundamento de uma política industrial moderna, tendo como pilares os princípios ESG (meio ambiente, social e governança). O grupo Asperbras já trabalha com a premissa de que a sustentabilidade é essencial para uma produção eficiente, fomentando o equilíbrio entre o processo fabril e o meio ambiente.

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Para Caldeira, é necessário, ainda, aumentar a produtividade da economia brasileira. Na indústria, a produtividade da mão de obra, por exemplo, foi reduzida à metade entre 2007 e 2019. Nos anos 1980, um trabalhador brasileiro produzia o dobro de um da Coreia do Sul. Agora, produz 50% do que um sul-coreano. Para o Brasil avançar nisso, o Grupo Asperbras defende que é fundamental investir em educação de qualidade e qualificação profissional. Além disso, reforça a necessidade de implementação de arcabouço fiscal que considere a sustentabilidade da dívida pública e a importância do investimento público como pontos fundamentais para o crescimento econômico. Para tanto, pontua que se deve avaliar os elementos de rigidez orçamentária e revisar os regimes tributários especiais existentes, além de adotar instrumentos de avaliações periódicas do gasto público.

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Por fim, José Maurício Caldeira considera fundamental retomar os investimentos em infraestrutura, que estão muito aquém das necessidades atuais do Brasil. O chamado estoque de infraestrutura, que são todos os portos, aeroportos, rodovias, hidrelétricas, ferrovias, entre outros, do país está hoje em cerca de 36% do PIB. Em 1980, representava 56% do PIB, percentual semelhante ao de países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). "Para retomar o patamar anterior, o Brasil precisaria investir 4,3% do PIB ao ano em infraestrutura, pelos próximos dez anos. Porém, não tem alcançado sequer 2% ao ano. Este é um ponto que impacta diretamente a indústria, pois sem infraestrutura de qualidade não é possível desenvolver o segmento", finaliza.

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