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Pesquisa de aluno da Uece aponta que substância de origem vegetal pode combater Covid-19; OMS inclui estudo em base de dados

O estudante de graduação do curso de licenciatura em Química, da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam/Uece), Victor Moreira de Olive...

23/06/2022 às 16h01
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Secom Ceará
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Foto: Reprodução/Secom Ceará
Foto: Reprodução/Secom Ceará

O estudante de graduação do curso de licenciatura em Química, da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam/Uece), Victor Moreira de Oliveira, desenvolveu um trabalho sobre a covid-19, sob orientação do coordenador do grupo de Química Teórica e Eletroquímica (GQTE/Fafidam), professor Emmanuel Silva Marinho. O trabalho foi indexado à base de dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O estudo teve como objetivo realizar uma triagem teórica de caráter farmacológico auxiliada por simulações computacionais para analisar o potencial dos compostos derivados de limonóides frente à protease principal (Mpro) da replicação da SARS-CoV-2, agente etiológico da covid-19. Alguns dos resultados encontrados até o momento, segundo Victor, são bastante promissores.

“Os estudos consistem em analisar os compostos naturais derivados de limonóides [encontrados em frutas cítricas e em algumas plantas] frente a uma proteína que é característica do vírus da covid-19. Ou seja, na pesquisa são analisados alguns compostos de limonóides contra essa proteína da covid-19. Assim, estamos avaliando se esses compostos têm ou não potencial de combate ao vírus”, explica o estudante Victor Oliveira.

O jovem pesquisador ressalta que se trata de uma pesquisa computacional. “Na pesquisa, são realizadas simulações para formação de um complexo. A partir disso teremos informações para avaliar a capacidade que os limonóides têm sobre o vírus da covid-19. Obviamente, será necessário o desenvolvimento de novas pesquisas, sendo, ainda, essencial, uma validação por meio de métodos de bancada”, destaca.

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Em pesquisas como a realizada por Victor, o intuito é de desenvolver novos fármacos biologicamente ativos e seguros para o consumo humano e reduzir efeitos colaterais, por meio de técnicas de modelagem molecular. Essas técnicas consistem na busca de novos protótipos terapêuticos que visam o tratamento de doenças cada vez mais complexas e perigosas. Com isso, há a necessidade de investigar/aprimorar novas ferramentas que viabilizam a síntese e a caracterização de novos fármacos. Neste estudo, utilizou-se a técnica de triagem baseada em docagem molecular, um método de caráter in silico, que visa analisar uma possível interação que possa existir entre uma proteína (Alvo) e um ligante, assim, formando um complexo entre ligante-proteína, que posteriormente será analisado com o auxílio dos dados obtidos através da simulação computacional.

“Com os métodos adequados voltados à pesquisa, a modelagem molecular favorece a relação existente entre a redução no tempo e, consequentemente, a redução nos custos da pesquisa para a produção de novos fármacos”, relata o estudante, sobre a importância da química teórica no planejamento de novos fármacos.

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Diante dos resultados já encontrados, foi possível constatar, de forma teórica, que entre os oito compostos limonoides analisados, se destacam os ligantes Eufadienol, Desacetilespathelina, Calodendrolídeo, Pedonina, Harrisonina e o Dasacetilnimocinol, com interações satisfatórias frente a Mpro SARS-CoV-2, mostrando atividade promissora contra a covid-19.

Os estudos, que iniciaram em junho de 2020, renderam ao jovem cientista a publicação do artigo intitulado “Molecular docking identification for the efficacy of natural limonoids against Covid-19 virus main protease” na revista Journal of the Indian Chemical Society – Elsevier – em setembro de 2021, que, no ano de 2022, foi incorporado na base de dados sobre Covid-19 de domínio da OMS. É possível acessar o dcumento em: https://pesquisa.bvsalud.org/global-literature-on-novel-coronavirus-2019-ncov/resource/pt/covidwho-1510017.

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Para o orientador de Victor, professor Emmanuel Marinho, “o fato da pesquisa ter sido indexada na OMS nos revela a importância desse estudo e proporciona maior visibilidade ao trabalho. Pois, uma vez indexada pela OMS, na hora que pesquisadores de diversas partes do mundo forem buscar por ‘fármacos potencialmente para covid’, o primeiro índice de pesquisa vai ser pela OMS. Então, isso nos traz alegria e reconhecimento pelo nosso trabalho”.

Fafidam

O docente ressalta, ainda, o valor da interiorização do ensino superior. “A pesquisa traz um caráter muito importante, pois traz um fomento ao desenvolvimento e interiorização da pesquisa dentro da Uece. Esse é mais um passo para a maior interiorização da Universidade, mostrando a nossa força no Interior, tanto na parte de ensino, como de pesquisa e de extensão”.

Por fim, professor Emanuel fala que o sucesso da pesquisa depende também de valiosas parcerias. “O trabalho foi desenvolvido com uma forte parceria que temos com professores [de outra unidade da Uece e de outras instituições]. Essa parceria vem nos dando possibilidade de incrementar a pesquisa na nossa região do Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte”. São eles, os docentes/pesquisadores Márcia Machado Marinho (Fecli-Uece), Emanuel Paula Magalhães (UFC), Ramon Róseo Paula Pessoa Bezerra de Menezes (UFC), Tiago Lima Sampaio (UFC), Alice Maria Costa Martins (UFC) e Hélcio Silva dos Santos (UVA).

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