Sábado, 26 de Setembro de 2026
28°

Tempo nublado

Salvador, BA

Geral São Paulo

Uso simultâneo de medicamentos exige alerta e revisão médica constantes

A polifarmácia, como é chamada, está associada a reações adversas – o certo, diz Egídio Dorea, é apostar no uso racional de medicamentos

26/09/2026 às 13h27
Por: Redação Fonte: Secom SP
Compartilhe:
De acordo com o médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+ Egídio Dorea, em todo o planeta, cerca de 39% a 45% dos idosos se encaixam no perfil
De acordo com o médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+ Egídio Dorea, em todo o planeta, cerca de 39% a 45% dos idosos se encaixam no perfil

Para envelhecer com saúde, bem-estar e qualidade de vida, vale a pena ficar alerta para o que se chama de polifarmácia, que nada mais é do que o uso simultâneo de cinco ou mais medicamentos, geralmente um recurso utilizado para quem trata de múltiplas doenças crônicas, mas que tem seus riscos.

De acordo com o médico, pesquisador e coordenador do programa USP 60+ Egídio Dorea, em todo o planeta, cerca de 39% a 45% dos idosos se encaixam no perfil. “No Brasil, dependendo da população estudada, a prevalência varia entre 18% e 57%, sendo muito mais comum entre as mulheres, pacientes com várias comorbidades e pessoas com mais de 75 anos. Embora muitas vezes esses remédios sejam necessários, o excesso é um grande problema”, adverte ele.

LEIA TAMBÉM: Curativo líquido pode acelerar a cicatrização de feridas em até 50%

O uso excessivo está associado a reações adversas, interações perigosas entre as substâncias, quedas, episódios de confusão mental e hospitalizações, mas o pior é o aumento do risco da iatrogenia, “que são os danos não intencionais causados pelo próprio tratamento médico. Vemos muito o uso prolongado e inapropriado de medicamentos como benzodiazepínicos (remédios para dormir), anti-inflamatórios e inibidores de prótons sem uma indicação clara”.

Continua após a publicidade

Dorea relata que, para se livrar desse ciclo, o recomendável é o uso racional de medicamentos e a desprescrição. “O idoso não deve parar os remédios por conta própria, mas sim sentar com seu médico e revisar a lista periodicamente. O objetivo é reduzir doses ou suspender medicamentos que não trazem mais benefício e que podem causar mais mal do que bem.”

LEIA TAMBÉM: Como diferenciar entre alimentos ultraprocessados e alimentos industrializados?

Continua após a publicidade

Como se precaver

Egídio Dorea dá a dica: “É vital perguntar ao médico: ‘ainda preciso deste remédio? Há algo não medicamentoso que possa substituí-lo?’ Isso evita a perigosa ‘cascata medicamentosa’, onde o médico receita um novo remédio apenas para tratar o efeito colateral de outro medicamento que o paciente já estava tomando”. Do que se conclui que envelhecer com saúde não significa tomar mais remédios, mas usar apenas o necessário, de maneira inteligente e segura.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários