
Para João Henrique, estudante de Ciência da Computação e integrante da equipe Café Verde, participar de uma maratona de inovação vai muito além da disputa por uma premiação. É uma oportunidade de colocar em prática o conhecimento adquirido na universidade, trocar experiências e desenvolver uma solução que possa sair do papel e contribuir de verdade com a cidade.
João já viveu essa experiência na edição anterior do evento e decidiu voltar neste ano levando na bagagem o aprendizado conquistado. "Participar no ano passado foi uma experiência muito importante para a nossa formação acadêmica. Conseguimos desenvolver uma solução, aprendemos bastante durante todo o processo e agora queremos voltar melhores, usando tudo aquilo que aprendemos. Nossa expectativa é desenvolver uma solução que realmente responda ao problema apresentado e, quem sabe, nos leve à vitória”.
A mesma vontade de transformar conhecimento em impacto social levou Cauan Alexandre, também universitário de Ciência da Computação, a participar da maratona com a equipe Madeira Hacker Club (MHC). Antes mesmo do início da competição, o grupo já havia estudado o edital e começado a pesquisar possibilidades para o desafio.

“A gente quer desenvolver uma boa solução para os catadores de Porto Velho e de Rondônia, de uma forma sustentável e utilizando a tecnologia para facilitar o trabalho e contribuir para melhorar a produtividade. Já pesquisamos algumas possibilidades e agora queremos desenvolver essa ideia durante o evento”.
INOVAÇÃO
João, Cauan e dezenas de outros participantes fazem parte da 2ª edição do Béra Hackathon, uma maratona de inovação promovida pela Prefeitura de Porto Velho, por meio da Agência Reguladora e de Desenvolvimento de Porto Velho (ARDPV), em parceria com o Sebrae/RO e a Superintendência Municipal de Tecnologia da Informação e Pesquisa (SMTI).
Nesta edição, o Béra Hackathon está conectado ao Pró-Catador e direciona criatividade, tecnologia e empreendedorismo para um dos grandes desafios urbanos: a gestão dos resíduos sólidos.
O evento começou nesta sexta-feira (14), e segue até domingo (16), na Biblioteca Municipal Francisco Meireles, reunindo estudantes, profissionais, empreendedores e pessoas interessadas em inovação. Ao longo dos três dias, os participantes recebem mentorias e desenvolvem projetos voltados à sustentabilidade, economia circular, reciclagem e valorização do trabalho realizado pelos catadores de materiais recicláveis.

A edição conta com 68 inscritos, distribuídos em 12 grupos. Participam da maratona as equipes Samaúma, Recicl App, PortoRec, Amazonic Tecnologies, Eco.ro, Pangiz, Catação PVH, PVH Teach, Ecolink, Causos, Café Verde e Madeira Hacker Club (MHC).
As soluções são desenvolvidas a partir de quatro desafios relacionados à cadeia de resíduos sólidos: Origem Limpa, com foco em ampliar a quantidade de recicláveis e reduzir rejeitos na fonte; Catador 4.0, direcionado ao uso da tecnologia para aumentar produtividade e renda; Rota Circular, que busca soluções para uma logística mais inteligente dos recicláveis; e Amazônia Circular, voltada à rastreabilidade, utilização de dados e criação de novas possibilidades de receita.
O analista de inovação do Sebrae, Rangel Miranda, explica que o objetivo é aproximar diferentes setores da sociedade e estimular soluções que possam responder a problemas concretos.
“Estamos na segunda edição e, neste ano, trabalhando especialmente a cadeia de resíduos sólidos. A proposta é reunir academia, sociedade civil, governo e empresas para fomentar a agenda de inovação e novos negócios em Rondônia, especialmente em Porto Velho. Aqui reunimos mentes criativas e inquietas para pensar soluções reais e práticas para os desafios da cadeia de resíduos sólidos, conectadas ao Pró-Catador”.

A metodologia acompanha as equipes desde a formação dos grupos até a apresentação final. Durante aproximadamente dois dias e meio, os participantes desenvolvem, testam e validam suas propostas com o apoio de mentores, profissionais da área, empreendedores e representantes de cooperativas.
No domingo, as equipes apresentam as soluções a uma banca de especialistas, responsável pela escolha dos três projetos vencedores. Além do reconhecimento, haverá premiação, e a equipe classificada em primeiro lugar ganhará uma viagem, com despesas custeadas pelo Sebrae, para participar de um evento nacional de inovação.
TECNOLOGIA
Para o superintendente municipal de Tecnologia da Informação e Pesquisa, Cezar Marini, iniciativas como o Béra Hackathon estimulam o empreendedorismo e, ao mesmo tempo, aproximam a tecnologia das necessidades concretas da administração e da população.

“A intenção é fomentar o empreendedorismo e soluções inovadoras, estimulando startups e também estudantes que querem se desenvolver nessas áreas. Queremos que a tecnologia seja um meio catalisador para escalar soluções e fazê-las chegar até a ponta. A SMTI atua como uma pasta-meio e entendemos que nosso papel é justamente apoiar as demais áreas para ampliar o alcance das soluções e beneficiar o maior número possível de pessoas”.
O superintendente também ressalta os resultados alcançados pela edição anterior. Em 2025, o evento reuniu 23 equipes e apresentou diferentes projetos tecnológicos. A solução vencedora utilizou inteligência artificial para enfrentar gargalos relacionados à análise de processos e elaboração de minutas, demonstrando o potencial do hackathon para revelar projetos capazes de continuar evoluindo depois da competição.
Para o prefeito Léo Moraes, reunir jovens, universidades, empreendedores, poder público e iniciativa privada em torno de problemas reais é uma maneira de estimular uma cultura de inovação que também gere benefícios sociais, ambientais e econômicos para Porto Velho.

“O mais importante é ver conhecimento e criatividade sendo colocados a serviço das pessoas. Quando reunimos estudantes, empreendedores, especialistas e poder público para buscar soluções para um desafio real da nossa cidade, estamos abrindo portas para novas ideias e oportunidades. Nesta edição, temos ainda um componente muito especial, que é pensar tecnologia e inovação para fortalecer a reciclagem e valorizar quem tira dela o sustento da família. Queremos uma Porto Velho cada vez mais inteligente, sustentável e capaz de transformar boas ideias em resultados para a população”.
A maratona segue ao longo deste sábado (15), com o desenvolvimento e a validação das propostas, e encerra no domingo (16), quando os participantes entram na etapa decisiva. As equipes apresentarão os projetos desenvolvidos durante o Béra Hackathon para a banca avaliadora, que escolherá as três melhores soluções desta edição.
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Texto:Jhon Silva
Fotos:Erisson Soares
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