
Neste Dia do Estudante, a rede municipal preparou um momento especial que mostra como o ensino muda a vida de muitas pessoas
Do Infantil à Educação de Jovens e Adultos (EJA), estudantes da Escola Municipal Luiz de Souza, no Serrote do Urubu, área ribeirinha de Petrolina, foram protagonistas de um ensaio fotográfico inspirado nas antigas fotografias escolares. A iniciativa reuniu diferentes gerações em uma mesma homenagem ao Dia do Estudante e mostrou que, em cada idade, a escola pode representar um começo, uma conquista ou um recomeço.
A bandeira ao fundo, os olhares diante da câmera e o jeito de posar remetem às antigas fotografias de escola. Mas, as imagens ganharam novos personagens. Entre os estudantes da EJA, estão pessoas que precisaram trocar os livros pelo trabalho na infância e que, muitos anos depois, decidiram voltar à sala de aula para aprender, realizar sonhos e abrir novos caminhos.
É o caso de Jailton Oliveira, que começou a estudar recentemente. Nas novas descobertas, uma que parece simples para muitos ganhou um significado especial para ele: aprender a fazer Pix. “Uma coisa que eu não sabia fazer era Pix e agora eu já tô sabendo. Tá sendo uma bênção pra mim”, conta.
A memória da infância, porém, ainda está presente. Para chegar à escola, eram quatro quilômetros percorridos a pé. Caderno e mochila eram artigos que nem sempre existiam. “A bolsa era uma sacolinha de plástico”, lembra. Hoje, Jailton olha para a escola e enxerga uma realidade completamente diferente. Farda, sapato, casaco, material e oportunidades. “A gente é rico e não sabe”, resume, agradecendo a Deus e a todos que fazem parte da escola.
E ele não está sozinho nessa caminhada. Jailton e a esposa, Maria Soledade, frequentam juntos a escola. O casal compartilha também a experiência de aprender lado a lado, mostrando que a educação pode ser um caminho construído em família.
A mesma escola, duas gerações
A poucos passos dessa história está Seu João Bosco, de 45 anos, que divide a rotina escolar com uma companhia muito especial: a neta, Maria Isis, de apenas 4 anos. Ela estuda pela manhã; ele, à noite. Os dois vivem, em horários diferentes, experiências que se encontram no mesmo lugar: a escola.
Para ele, voltar a estudar é também uma forma de reencontrar o menino que precisou deixar os estudos para trabalhar. Hoje, a presença da neta traz um significado ainda maior para essa caminhada.
Quando a sala de aula também vira história de amor
Na EJA, Maria Ramos encontrou muito mais do que conhecimento. Foi também na escola que conheceu Luiz Francisco, de 58 anos. Os dois se aproximaram, começaram um relacionamento e hoje dividem também as tarefas escolares.
“Eu vim estudar e nos juntamos”, conta Maria, com riso solto . Em casa, cada um faz seus trabalhos da escola. Ele não teve oportunidade de estudar na infância, mas, ao retornar à sala de aula, descobriu que ainda havia muito a aprender e, pelo caminho, encontrou também uma companheira para dividir a vida.
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