
“Proteja-nos, Senhor, pois confiamos em Ti. Seja nosso colete, nossa arma, nosso guia para sempre. Radiopatrulha. Amém”, diz o trecho final da Oração do Radiopatrulheiro. No meio militar, cada área de especialidade possui seu rito particular, expresso em forma de brado. Os radiopatrulheiros seguem essa tradição com toda a vibração que lhes é peculiar.
E foi assim que juntos e ostentando o raio vermelho no braço, que os 26 concluintes do II Curso Operacional Raio (COR), promovido pela Polícia Militar do Estado de Sergipe (PMSE), entoaram a prece.
O momento aconteceu durante a cerimônia de formatura, após receberem os brevês das mãos de seus respectivos padrinhos e madrinhas. O encerramento do II COR da PMSE ocorreu na sede do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp), no bairro 13 de Julho, em Aracaju, na segunda-feira (22).
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Entre as únicas três policiais femininas no dispositivo de concludentes, uma se destacava por vestir uma farda de cor diferente da dos demais integrantes. O uniforme cáqui contrastava com os trajes escuros dos outros formandos perfilados. Era a 2ª sargento Kadjyla Viana, da Polícia Militar de Alagoas (PM-AL), a única que não pertencia às fileiras da PMSE.
O COR é promovido pelo Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp) da coirmã sergipana com o objetivo de especializar policiais na doutrina e procedimentos de radiopatrulhamento tático, com alto nível técnico e exigência física. A militar é uma das três mulheres da turma, que iniciou o curso com 38 inscritos. Ao longo da jornada, a aluna foi um elemento diferenciado no turno. Não apenas por ser de faixa etária acima da média ou pela antiguidade na hierarquia, já que a boa parte era de soldados recém-incorporados à PMSE, mas por ser inspiração aos demais.
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As atividades do curso em si se encerraram no sábado (20), à meia-noite. Ao perceber que a jornada de longos dias, noites e madrugadas tinha sido completada, não conteve as lágrimas. Segundo ela, foi momento de olhar para trás e perceber que a etapa foi vencida com sucesso.
Ao rever todo o processo, a sargento Kadjyla resumiu: “É difícil estar longe de casa. Tem a questão da saudade e outros desafios para além do curso, mas quando você tem um sonho, a vocação, e quer representar o seu estado e sua polícia, o fato de saber que vai carregar uma glória eterna, a responsabilidade de ser exemplo servem de motivação até diante da dor. Quem sai de seu estado para buscar conhecimento, como eu vim buscar, tem que enfrentar qualquer dificuldade”.
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O subcomandante do Batalhão de Polícia de Rotam de Alagoas, capitão Sebastião Grangeiro, enalteceu o empenho da combatente. Ele representou a unidade especializada na solenidade de formatura e marcou presença junto com outros militares, a exemplo do capitão Kelmany Assis e do tenente Iago Omena, subcomandante da Companhia de Polícia Militar Independente de Ronda de Ação Intensiva Ostensiva (Raio/CPM-I).
Raio como propósito
Além de um grande desafio, o curso também foi uma volta às origens. A combatente é natural de Aracaju, mas deixou sua terra e fincou raízes em terras alagoanas ao ser aprovada e convocada para servir na PM-AL, no ano de 2010.
Após o Curso de Formação de Praças (CFP), serviu no 3º Batalhão, sediado em Arapiraca, ao longo de quatro anos. Nos anos seguintes, atuou com Operações de Inteligência junto à Secretaria de Segurança Pública (SSP) e realizou uma série de cursos na área, também serviu à Força Nacional e atualmente integra a equipe do Gabinete do Comando Geral.
O universo militar e, mais do que isso, a especialização operacional era um anseio antigo, anterior ao seu ingresso na corporação. Sempre sentiu que ser PM era sua vocação, porém, ao ver o filme Tropa de Elite (2007), a jovem ficou fascinada com a rotina operacional e nasceu um objetivo: “Um dia farei um curso operacional”.
Chegou a tentar o COR junto ao Batalhão de Rotam em Alagoas em anos anteriores, mas precisou interromper a jornada por motivos de saúde. Foi diagnosticada com rabdomiólise. A síndrome grave é caracterizada pela ruptura do tecido muscular esquelético, destruindo as fibras musculares. A interrupção, porém, não significou o fim do sonho.
O raio que ela foi buscar em Sergipe já é o segundo que ela conquista. No jargão peculiar dos raiados, ela acaba de se tornar uma “bi-raiada”. O primeiro, foi alcançado em setembro de 2025, quando foi uma das 35 concluintes e a única policial feminina da segunda turma do Curso de Força Tática (CFT) da PM-AL, que iniciou com 53 integrantes.
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Assim que concluiu o CFT, tomou conhecimento do edital para o curso na coirmã. Ela conta que o apoio que recebeu da PM, dos pares e superiores foi fundamental. Vencido mais um desafio, ela garante: a meta é seguir buscando aperfeiçoamento contínuo.
Força, energia e rapidez: o raio como símbolo
“O próprio desafio de buscar um curso dessa natureza é de grande complexidade. Todos os cursos que abordam essa matéria de patrulhamento tático especializado são cursos muito complexos, de uma voga muito alta e que demanda do aluno um altíssimo nível não somente técnico, mas de resiliência física e mental. Então, buscar o segundo raio, como ela fez, é buscar mais uma modalidade de patrulhamento tático especializado”, destacou o capitão Grangeiro, que esteve ao lado da sargento Kadjyla e do capitão Assis no curso de Força Tática da PM-AL em 2025.
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“O raio vermelho trisseccionado representa força, energia e rapidez. Por isso, simboliza os cursos de patrulhamento tático especializado”, explicou o capitão Grangeiro. “A sargento Kadjyla agora está habilitada a propagar, defender e ministrar instruções em todas as modalidades abordadas pelo Batalhão de Rotam [Ronda Ostensiva Tática Motorizada]”, finalizou o subcomandante da unidade especializada, enfatizando que a militar também se tornou uma agente multiplicadora.
II COR PMSE
Com duração de 49 dias e carga horária de 488 horas horas-aula, o curso foi desenvolvido prioritariamente nas instalações da Academia de Polícia Civil de Sergipe (Acadepol), em Aracaju, e submeteu os participantes a intensas atividades físicas, técnicas e psicológicas, voltadas ao aperfeiçoamento do patrulhamento tático especializado.
Um dos diferenciais desta edição foi a realização de uma etapa de instrução fora do território sergipano. Entre os dias 30 de maio e 12 de junho, os alunos participaram de uma visita técnica à sede da Força Nacional de Segurança Pública, em Brasília (DF), onde tiveram acesso a novas doutrinas operacionais, intercâmbio de conhecimentos e treinamento especializado.
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