
O Museu da Casa Brasileira (MCB), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, iniciou uma nova fase de sua trajetória voltada à descentralização e abriu oficialmente ao público a exposição “Sob a casa, outras casas – Museu da Casa Brasileira na Residência Olivo Gomes”, localizada no Parque da Cidade, em São José dos Campos. A iniciativa é realizada em parceria com a APAC (Associação Pinacoteca Arte e Cultura), a Prefeitura de São José dos Campos e a Fundação Cultural Cassiano Ricardo, com patrocínio da EDP e da Embraer.
Com curadoria de Giancarlo Latorraca, Isabel Xavier e Guilherme Wisnik, a exposição parte do princípio de que a identidade da habitação nacional é composta por múltiplas narrativas simultâneas. Sob as linhas modernas da residência, emergem as experiências cotidianas de casas indígenas, rurais, ribeirinhas, sertanejas e periféricas por meio de peças produzidas por povos originários, objetos coloniais e imperiais, além de mobiliário do design moderno e contemporâneo. A narrativa do morar é complementada por ensaios fotográficos de autores como Andrés Otero, IatãCannabrava e Milton Guran, que documentam desde palafitas amazônicas até apartamentos urbanos.
“São José dos Campos reúne tradição, inovação e capacidade de realização, características que fazem da cidade um dos grandes polos de desenvolvimento do Estado de São Paulo. Receber uma exposição desta dimensão demonstra a confiança do Governo do Estado no potencial cultural do interior paulista e reforça nosso compromisso de ampliar os investimentos e as oportunidades em todas as regiões. A cultura tem um papel fundamental na formação das pessoas, na valorização da nossa história e na construção de um Estado mais integrado, desenvolvido e com oportunidades para todos.”, disse o vice-governador do Estado de São Paulo, Felicio Ramuth.
A chegada da mostra ao Vale do Paraíba consolida a proposta da gestão estadual de levar grandes acervos para além dos limites da capital paulista, movimentando o cenário cultural e a economia criativa de polos regionais.
“Trazer essa exposição do Museu da Casa Brasileira para o Vale do Paraíba é um exemplo prático de como enxergamos a descentralização da cultura. O interior paulista tem um protagonismo histórico e uma força própria que precisam ser reconhecidos e estimulados. São José dos Campos é uma potência cultural e econômica, com toda a estrutura necessária para acolher um projeto dessa magnitude, movimentando o turismo e a economia criativa da região. A cultura precisa circular, romper as fronteiras da capital e ocupar espaços emblemáticos como este”, destaca Marília Marton, Secretária da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo.
Essa articulação entre o Estado e o município se materializa justamente por meio da cooperação local, que celebra a chegada da mostra como um marco para a cidade.
“Quando trabalhamos em conjunto, em parceria com o Governo do Estado e com a iniciativa privada, o resultado é esse espaço e a possibilidade de recebermos esse importante acervo. É um presente para iniciarmos o mês de julho, que é o mês de aniversário de São José dos Campos”, reforça o prefeito Anderson Farias.
O presidente da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, Tom Freitas, destacou que a chegada do Museu da Casa Brasileira a São José dos Campos tem impacto nacional.
“É uma alegria receber o Museu da Casa Brasileira. Com a vinda deste equipamento para a nossa cidade, em parceria com a Fundação Pinacoteca e com o Governo do Estado de São Paulo, entramos no circuito de discussões do design e arquitetura no Brasil”, afirmou.
Diálogo entre patrimônios
Esse cruzamento de diferentes acervos e manifestações culturais dentro de um espaço físico com relevância histórica propõe um novo olhar sobre a preservação e difusão do patrimônio do Estado.
“Levar esse conjunto de obras, objetos e histórias para São José dos Campos é uma forma de expandir o alcance de um acervo fundamental para a compreensão da cultura brasileira. Ao ocupar a Residência Olivo Gomes, um dos mais importantes exemplares da arquitetura moderna do país, a mostra cria um diálogo singular entre diferentes patrimônios e reforça a importância de descentralizar o acesso à cultura, promovendo encontros entre coleções, territórios e comunidades”, afirma Jochen Volz, Diretor-Geral da APAC.
A viabilização desse modelo e a sustentabilidade das atividades museológicas na região contam com o investimento do setor privado, associado a ações de desenvolvimento humano e preservação da memória nacional.
“Em um ano emblemático, em que completamos 50 anos de atuação no mundo e 30 anos no Brasil, nos juntamos à APAC para apoiar essa nova fase do Museu da Casa Brasileira. Vemos a cultura e a educação como vetores importantes de transformação e de desenvolvimento social. O apoio à Pinacoteca e ao novo MCB reforça o compromisso de longo prazo da companhia com o Brasil e com a preservação e promoção do patrimônio artístico e cultural”, comenta João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul.
O suporte corporativo também partiu de indústrias profundamente conectadas com o território e com a história do próprio município paulista que acolhe a itinerância do museu.
“Para a Embraer, é uma alegria acompanhar a ampliação do escopo cultural de São José dos Campos, cidade-sede de nossa empresa. E uma honra contribuir para que as pessoas que vivem ou visitam a região tenham acesso a este acervo, valorizando a cultura, preservando nossa memória e inspirando novas reflexões para o futuro”, diz André Tachard, diretor do Instituto Embraer.
Estrutura da Mostra pelos Ambientes da Casa
A exposição organiza-se de forma contínua pelos cômodos originais projetados por Rino Levi, estabelecendo conexões entre a arquitetura modernista e os objetos cotidianos. Na ampla área social do imóvel, o público encontra o núcleo Diversas formas do sentar, que contrapõe práticas indígenas ligadas ao sentar próximo ao chão ao mobiliário moderno e industrial do século XX. O espaço reúne uma seleção de esteiras, redes, bancos, cadeiras, poltronas e sofás, que dialogam lado a lado com fotografias da série Casas do Brasil.
Ao descer para o pavimento situado na cota do jardim, o circuito apresenta o núcleo Uma aproximação ao lugar, cujo foco é resgatar a história da própria residência, do Parque Burle Marx, da antiga Tecelagem Parahyba e da ocupação histórica do Vale do Paraíba. O principal destaque desse ambiente é o retorno do sofá Olivo, peça desenhada originalmente por Rino Levi para aquela sala de estar e agora reintegrado ao seu local de origem especialmente para a mostra.
A evolução dos sistemas de armazenamento doméstico e a transição entre os modos de vida itinerantes e permanentes ganham forma no núcleo Os armários nômades, que reúne cestos indígenas, canastras e baús históricos. Em seguida, o ambiente intitulado Dois quartos distintos evidencia as profundas diferenças materiais, sociais e culturais presentes na formação do país ao recriar dois espaços opostos: um dormitório de caráter rústico, inspirado nos primeiros tempos da colonização, e outro marcado pelo refinamento ornamental do período imperial.
O percurso da exposição se completa com o núcleo O trabalho de triturar, inteiramente dedicado aos utensílios domésticos ligados à preparação de alimentos. A reunião de pilões, moedores manuais, batedeiras e liquidificadores ilustra as transformações tecnológicas na rotina doméstica e as mudanças nos modos de viver, pontuando a passagem do ambiente rural para o urbano.
Serviço
Exposição: Sob a casa, outras casas – Museu da Casa Brasileira na Residência Olivo Gomes
Dias e horário de visitação: Quinta a domingo, das 10h às 17h
Local: Residência Olivo Gomes – Parque da Cidade
Endereço: Av. Olivo Gomes, 100 – Santana, São José dos Campos – SP
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