
Celebrado nesta quarta-feira (17), o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca ganha um significado especial no Piauí. Exatamente um ano após o início de um projeto de recuperação ambiental em Gilbués, no sul do estado, os resultados já começam a mudar a paisagem de uma região que abriga o maior núcleo de desertificação do Brasil.
Em uma área de dez hectares, mais de mil mudas de espécies frutíferas e nativas do Cerrado foram plantadas com o auxílio de uma tecnologia brasileira desenvolvida por pesquisadores em parceria com a iniciativa privada e o Governo do Estado. Hoje, algumas dessas plantas já ultrapassam os 70 centímetros de altura, mostrando que é possível devolver vida a solos considerados severamente degradados.

O trabalho é desenvolvido no Núcleo de Pesquisa para Recuperação de Áreas Degradadas (Nuperade), mantido pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí (Semarh), com cooperação da Universidade Federal do Piauí (UFPI), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), da empresa Afert e de outros parceiros.

Além do plantio de 840 mudas de cajueiro, 180 de acerola e 240 de tamarindo, a iniciativa promoveu a introdução de espécies nativas do Cerrado, como angico e aroeira. O diferencial do projeto está no uso de um biofertilizante e de um hidrogel natural à base de polissacarídeos, capazes de aumentar a retenção de água no solo e favorecer o desenvolvimento da vegetação em uma das regiões mais castigadas pela degradação ambiental no país.

A área desertificada de Gilbués ocupa aproximadamente 805 quilômetros quadrados, extensão superior à da cidade de Nova York, e apresenta paisagens marcadas por enormes voçorocas, crateras e cânions formados pelo intenso processo erosivo. Passados doze meses do início dos trabalhos, os primeiros resultados já revelam uma nova paisagem. Onde antes predominavam apenas o solo exposto e a erosão, começa a surgir um verdadeiro oásis em meio ao cenário árido, renovando as perspectivas para a recuperação ambiental da região.

Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Feliphe Araújo, os avanços obtidos em apenas um ano demonstram que ciência, inovação e políticas públicas podem reverter processos que por muito tempo pareciam irreversíveis. “Os resultados alcançados em apenas um ano mostram que é possível recuperar áreas severamente degradadas por meio da ciência e da tecnologia. Estamos falando de uma solução desenvolvida aqui, com participação da UFPI, da iniciativa privada e do Governo do Estado. Ver mudas já ultrapassando 70 centímetros em uma área que era considerada praticamente improdutiva nos dá a certeza de que estamos no caminho certo para transformar Gilbués em uma referência nacional de combate à desertificação”, destaca.

Criado em 2005, o Nuperade é referência em estudos e no desenvolvimento de estratégias para recuperação de áreas degradadas. Agora, ao completar um ano de uma das suas iniciativas mais inovadoras, o núcleo apresenta resultados concretos e reforça que o combate à desertificação pode ser feito com tecnologia, pesquisa e preservação ambiental.
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