
“Bora, dá tempo. Respira, respira. Não desiste. Movimenta os braços. Acelera, acelera. Vai dar tempo. Dá o sangue. Falta pouco. Vai”. As palavras de incentivo eram dadas aos gritos por Caio César Alves, que acompanhava, na manhã deste domingo (31), candidatos que participaram do Teste de Aptidão Física (TAF) do segundo concurso público da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), realizado no Parque Ayrton Senna, em Campo Grande. Também neste domingo, ocorreu a prova prática para tradutor de Língua Brasileira de Sinais (Libras).
As etapas deste domingo foram marcadas, assim como as fases anteriores, pela organização e transparência do processo, conforme avaliou Marlene Figueira da Silva, presidente da Comissão Organizadora do II Concurso Público da ALEMS. “Tudo foi feito para garantir o cumprimento rigoroso da legislação e das regras previstas no edital”, pontuou.

A presidente da comissão também enfatizou o compromisso com a legalidade do processo, em consonância com os esforços da Mesa Diretora da ALEMS, e a expectativa do ganho da sociedade com a aprovação dos melhores para fazer parte da relação de servidores do Parlamento. “Nosso presidente, o deputado Gerson Claro, recomendou que tudo fosse realizado com transparência, responsabilidade e legalidade”, destacou. “Temos uma expectativa muito boa de que serão selecionados os melhores para compor o nosso quadro de pessoal para servir a população de Mato Grosso do Sul”, completou.
Incentivos mútuos
Juntamente com essa atenção à transparência e à organização rigorosa que um concurso público exige, as pistas e salas deste domingo foram palco de superação de pessoas que, literalmente, suaram a camisa em busca de um objetivo comum. Longe de um clima de rivalidade hostil, o que se viu no Parque Ayrton Senna foi um cenário de empatia e desejo do sucesso dos candidatos.

Esse era o espírito demonstrado por Caio César Alves, que estava no parque não como candidato a uma das vagas, mas como amigo e incentivador dos que disputam uma oportunidade no cargo de policial legislativo. Junto com outras pessoas, ele gritava, do lado de fora da pista, palavras de estímulo aos candidatos, que se esforçavam para cumprir o tempo de prova.
Caio sabe por experiência da importância desse combustível psicológico. Como concurseiro, ele já realizou algumas provas do TAF e está, inclusive, esperando ser chamado para concursos nos quais foi aprovado. Também faz parte de uma assessoria voltada à preparação para o TAF, chamada Treinamento Físico Militar (TFM), além de manter uma rotina de preparação contínua para certames, o que o fez conhecer muitos concurseiros. “A gente aqui acaba se tornando amigos. Um dá força para o outro. Eu sei a importância desse incentivo. Faz toda a diferença”, disse.

Quem também percebe esse “lado B” do concurso público é Maria Eduarda Araújo Queiroz, de 28 anos. Ela estava entre as candidatas que completaram com êxito o circuito de provas do TAF. “A gente faz muita amizade e tem que se apoiar. Acho que aqui ninguém é concorrente de ninguém. Você é concorrente de si mesmo”, considerou Maria Eduarda, que tem diversos amigos concurseiros e produz conteúdo na internet sobre concursos públicos.
Ela também elogiou a condução do processo pela Fundação Carlos Chagas (FCC). “A banca FCC está conduzindo muito bem este concurso. A aplicação do teste hoje foi muito boa, eles explicaram de uma forma bem clara, certinho. Não fizeram nada para prejudicar os candidatos. Estão sendo bem justos”, avaliou. A candidata acrescentou que participar de concurso é muito mais do que fazer provas. “É preciso constância, uma rotina de dedicação, com horários, como se fosse mesmo um trabalho. Não adianta estudar oito horas em um dia e apenas uma hora no outro. É melhor estudar de forma equilibrada todos os dias”, orientou.
Bateria de testes

Tal como previsto no edital, antes das provas físicas propriamente ditas, os candidatos que realizaram o TAF passaram por uma etapa de conferência documental e identificação. Eles entregaram o documento pessoal para verificação e o atestado médico exigido pelo edital, observando o prazo de validade previsto. Em seguida, preencheram uma ficha e copiaram uma frase, procedimento adotado para a conferência de caligrafia em etapas posteriores do concurso.
Somente após essa triagem, os participantes seguiram para os testes físicos: abdominal, flexão de cotovelos em apoio no solo e corrida. Aos homens, foram exigidos 35 abdominais, 18 flexões em um minuto e o percurso de 2,4 quilômetros de corrida em 12 minutos. Já as mulheres tiveram de fazer 30 abdominais, dez flexões e correr 2 quilômetros também em 12 minutos.
Prova prática de Libras
Em outro canto da cidade, na Escola Elite Mace, seis candidatos realizaram a prova prática na busca de integrar, mais à frente, a equipe de tradutores de Libras da ALEMS. Entre os candidatos, estava Annabelle Mendes Carneiro, de 25 anos, que percorreu quase 1,5 mil quilômetros para fazer a prova em Campo Grande.
Natural da capital sul-mato-grossense, mas residindo atualmente em Niterói (RJ), Annabelle, que é tecnóloga em Radiologia, iniciou sua trajetória em Libras motivada por um laço afetivo: uma amizade de infância. "Eu tenho um amigo de infância, o Guilherme, que é surdo. Eu sentia muita vontade de aprender Libras para conversar melhor com ele. Quando era criança, achava bonito vê-lo fazendo os sinais. Mas só agora, há pouco tempo, que fui realmente estudar. Quando fiz a primeira prova, estava terminando meu curso de Libras”, contou.

Embora estivesse focada na rotina de estudos para concursos de outras áreas no Rio de Janeiro, Annabelle, incentivada pela mãe, decidiu viajar para Campo Grande e participar do certame da Assembleia. O resultado foi a classificação entre os apenas seis aprovados para a etapa prática, de um total de 58 inscritos. "Eu já assistia às sessões da Assembleia pelo YouTube e ficava observando os tradutores no cantinho da tela. Se Deus quiser vai dar certo, e o que eu espero agora é estar ali, traduzindo o que eu já acompanho de longe", projeta.
A prova prática de Libras foi realizada na Escola Elite Mace, em Campo Grande. A avaliação foi conduzida pela FCC e gravada em vídeo. A prova teve duas etapas: interpretação de vídeo em Libras com respostas escritas em Língua Portuguesa e tradução simultânea e consecutiva de conteúdo legendado em Português para Libras.
Concurso
As provas objetivas do concurso foram realizadas em 29 de março e reuniram 15.675 candidatos, o equivalente a 73,08% dos inscritos. O certame contabilizou 21.439 inscrições, número 18,8% superior ao registrado no último concurso da ALEMS, realizado em 2016.
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