

O dia começou com uma aula de Yoga, em que as mulheres puderam respirar fundo e relaxar. A moradora da ocupação, Jaqueline Santos, conta que a atividade serviu como um alívio no meio da semana agitada. “Foi divertido para a mulherada que fica em casa, que tá cuidando de criança, foi um dia diferente pra nós”. Jaqueline já participou de outras atividades promovidas pelo projeto da UEPG, como o lançamento da biblioteca comunitária . “Para nós, participar dessas atividades é como se um leque para o mundo fosse aberto, para tudo, para diálogo e ajuda com as nossas necessidades, é muito bom participar”, conta.
Cláudia da Silva esta com um sorriso largo durante toda a atividade. Trazer leveza para o dia a dia de mães, que estão sempre ocupadas no cuidado da casa e dos filhos, foi essencial, segundo ela. “A maioria das mulheres da ocupação ficam muito tempo em casa, cuidando e limpando, ou levando os filhos pra escola ou pro médico, então foi bom ter um tempo só pra gente”. Cláudia e Jaqueline foram as responsáveis por mobilizar as moradoras para a atividade. “Sempre que tem ação da UEPG, a gente passa nas casas, mandamos mensagem, conversamos com elas, sempre explicando o que vai acontecer”, relata. E foi mobilizando cada uma que a manhã foi repleta de risadas entre todas. “É muito bom sair, se divertir, sair de dentro de casa, esquecer um pouco das responsabilidades. Nosso mundo não gira em torno disso, muitas pessoas nos discriminam porque a gente é da Ocupação. Então participar disso faz muito diferença pra gente”.
Para quem é aluno da UEPG, realizar atividades desta natureza também faz toda a diferença. Marieli Braga, aluna do 4º ano de Serviço Social, conta que é gratificante ver como a profissão pode se articular com a sociedade. “Muitas vezes, elas precisam de redes de proteção, assistência em saúde e nós conseguimos articular essas necessidade, então como futura profissional é essencial ter esse contato com a comunidade desde cedo”. A mesma impressão ocorre para Victória Barbosa: “é durante a graduação que conseguimos medir os acertos e refinar nossas ações, para quando a gente se formar, poder atuar de forma mais certeira. Atividades assim fazem toda a diferença pra nós, alunas”.
“A atividade voltada para a saúde e autoestima da mulher foi de grande importância para fortalecer os vínculos da Universidade com a comunidade, em especial com as mulheres e crianças da comunidade Ericson John Duarte”, destaca a professora e coordenadora da atividade, Cleide Lavoratti. A atividade contou com atendimento da equipe do Núcleo Maria da Penha (Numape), que esteve presente divulgando o programa de extensão. “Em muitos depoimentos, as mulheres relataram como o Projeto tem contribuído com o bem-estar das mesmas e propiciado momentos de garantias do direito ao lazer, à saúde e ao reconhecimento mútuo de que não precisam enfrentar as dificuldades sozinhas. Dessa forma, entendemos que a UEPG cumpre sua função social, a partir o momento em que se coloca como parceira dos movimentos sociais e das comunidades”, completa. Na UEPG, a iniciativa está ligada ao Programa de Extensão da Educação Superior na Pós-Graduação (Proext-PG) e está aberta para participação de acadêmicos de todos os cursos e PPGs.
Texto e fotos: Jéssica Natal
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