
Ser mãe e trabalhar em um órgão público não é nada simples. É como viver dois turnos ao mesmo tempo: um no trabalho, com horários, responsabilidades e cobranças, e outro em casa, cuidando dos filhos, resolvendo tudo que aparece e quase nunca tendo pausa.
Essa, por exemplo, é a rotina de Gabriela Leal, supervisora executiva sobre o papel de ser mãe. "O Dia das Mães representa o início de uma nova vida. É dia de renascimento. Uma nova versão, um amor incondicional e insubstituível, uma força diferente”, diz Gabriela.
Há um pensamento de muita gente que ainda pensa que, por ser serviço público, a vida é mais tranquila. Mas, na prática, não é bem assim. O trabalho continua exigindo compromisso, atenção e resultados. E quando o expediente acaba, começa outra jornada, muitas vezes ainda mais cansativa.
“O que mais me emociona é perceber o quanto eu fui forte e continuo sendo. Tudo para que, um dia, minha filha sinta orgulho da mãe que tem. É entender também que, mesmo quando eu queria estar o tempo todo ao lado dela, cada passo que dou, cada escolha, cada caminho que trilho é por ela. É para o futuro dela”, revela Ana Clara, do Núcleo de Assistência ao Superendividado do Procon-AL.
“É chegar em casa cansada, depois de um dia inteiro, e, ainda assim, encontrar meu refúgio no sorriso mais sincero, no abraço mais apertado, no ‘te amo, mãe!’, que cura tudo e também no chamado de “mãe… mãe… mãe…!” a cada um minuto, que, no fundo, é a melhor parte do meu dia. É ver e entender que tudo no final vale a pena, por eu ter ela, e ela saber que tem a mim”, completa Ana Clara.
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Conciliação e maternidade
No cotidiano do Procon Alagoas, marcado pelo atendimento direto ao público e pela necessidade por eficiência, essas mães colaboradoras enfrentam um dia-a-dia de trabalho cansativo, mas que não deixam faltar o carinho, o amor e uma dedicação invejável na sua atividade diária no trabalho e em casa.
"Conciliar a maternidade com o trabalho é um grande desafio. Trabalho há 7 anos no Procon e sei da responsabilidade que tenho com o serviço público, mas também preciso me dedicar aos cuidados da minha filha. O Procon me permite viver os dois mundos de forma saudável. É um equilíbrio diário que exige força e dedicação. É passar uma noite sem dormir e enfrentar uma agenda cheia de reuniões e compromissos no dia seguinte e, mesmo assim, estar feliz por conseguir cumprir com todas as responsabilidades”, diz Eduarda Torres, assessora jurídica sobre o cotidiano e a vida dupla.
Mães atípicas, desafio e amor
Para as mães atípicas, essa rotina é ainda mais pesada. São mães que cuidam de filhos que precisam de uma atenção especial, seja por alguma deficiência, transtorno ou outra condição. Isso significa mais consultas, terapias, idas à escola ou faculdade, preocupação constante e um desgaste emocional grande. Não é só ‘mais trabalho’, é uma realidade completamente diferente.
“Ser uma mãe atípica é viver uma rotina diferente da maioria, cheia de desafios, mas também de muito amor e aprendizado. O dia geralmente começa cedo, com cuidados que vão além do básico: pode envolver terapias, consultas médicas, medicações e uma atenção constante às necessidades específicas do filho”, relata Fabíola Moreìra, da Ouvidoria, mãe atípica sobre os desafios de ser mãe e colaboradora de órgão público.
“Muitas vezes, é preciso ter paciência para lidar com dificuldades na comunicação, na alimentação ou no comportamento. A rotina também exige organização e adaptação. Nem sempre é possível seguir planos rígidos, porque cada dia pode trazer algo inesperado”, destaca Fabíola, ao completar:
“Pequenas conquistas, que para outros passam despercebidas, aqui são celebradas com muita emoção. Ser mãe atípica também significa ser forte, mesmo nos dias difíceis e aprender a enxergar o mundo de uma forma mais sensível e empática. É estar sempre lutando por inclusão, respeito e oportunidades para o filho. No meio de tudo isso, existe um amor imenso, que motiva a continuar todos os dias, mesmo diante dos desafios. Com tudo, ser mãe é se dividir em dupla jornada, é desafiar, manter casa e trabalho, cuidar dos filhos, e ainda ser mulher. É bem desgastante, mas tenho muito orgulho de tudo isso. No Procon-AL somos comprometidas com o que fazemos ", conclui Fabíola.
Outro ponto sensível é o preconceito. Muitas vezes silencioso, que recai sobre esses profissionais. A ideia de menor disponibilidade ou comprometimento ainda persiste em alguns ambientes, desconsiderando o esforço adicional exigido dessas mães para manter o desempenho no trabalho.
Nesse contexto, reconhecer as especificidades de mães e mães atípicas no Procon Alagoas não é apenas uma questão de sensibilidade social, mas, também, de gestão eficiente. Ao promover um ambiente mais inclusivo e adaptado, o órgão contribui para o bem-estar das servidoras e para a qualidade dos serviços prestados à população.
"No fim das contas, quando o local de trabalho passa a olhar para essas mães colaboradoras com mais empatia, todo mundo ganha. O ambiente melhora, as pessoas trabalham melhor e a vida fica um pouco menos carregada. Ser mãe já é um desafio enorme e ninguém deveria ter que enfrentar tudo isso sozinho. É um dever nosso entender, reconhecer e participar desse momento lindo vivido por todas elas. Parabéns por esse dia tão especial, o Dia das Mães", afirmou Daniel Sampaio, presidente do Procon-AL.
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