
A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) lança nesta segunda-feira (4) a campanha Maio Amarelo de 2026, que tem como tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”, conforme definido pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A edição deste ano prioriza a conscientização sobre a segurança do motociclista. Prevista em nível estadual pela lei 18.624/2015, de autoria do deputado Hussein Bakri (PSD), a campanha fomenta ações de conscientização para reduzir acidentes de trânsito. O evento ocorre no Plenário da Casa de Leis, a partir das 14h.
“Conscientizar motoristas sobre suas ações é tarefa árdua, mas necessária. É claro que investimentos nas ruas e estradas são importantíssimos, mas orientação e educação ainda são o melhor caminho. Respeitar leis de trânsito, não usar celular ao dirigir, manter velocidade adequada e sempre usar cinto de segurança são ações simples que podem salvar vidas”, frisa Hussein Bakri.
O Maio Amarelo estimula a integração entre o Poder Público, a iniciativa privada e o engajamento da sociedade para amplificar a mensagem sobre a responsabilidade de todos para a redução de mortes e sinistros nas vias e rodovias do país. As ações são realizadas nos mais diferentes locais do Paraná, como em festas, escolas, transporte público, entre outros. Por meio de peças publicitárias, informes, busdoors, programas interativos e simuladores, blitze, contação de histórias, entre outros, alertam os atores do trânsito sobre medidas: condutores, ciclistas e pedestres.
De acordo com o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), a campanha “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas” alerta para os riscos da pressa, da desatenção e da falta de cuidados, denunciando comportamentos modernos que ameaçam o trânsito seguro, como o uso de celular. As peças chamam a atenção dos condutores para grupos que correm mais risco nas estradas, como idosos, crianças e motociclistas.
Motociclistas
Neste ano, a campanha dá foco especial aos motociclistas, os condutores mais vulneráveis e afetados pelos sinistros. Eles representam hoje 40% do total das mortes no trânsito no Brasil, pontua a ONSV. As peças publicitárias mostram motociclistas junto a seus filhos, realizando entregas, reforçando a sensibilização para a segurança desses condutores e para a condução segura, bem como a importância de profissionais como entregadores e motoboys.
“Muitos motociclistas circulam ‘fora do campo de visão’ dos demais usuários das vias, seja fisicamente, nos pontos cegos, seja simbolicamente, na pressa, na distração e na rotina. A campanha pretende reforçar temas como visibilidade, distância segura, velocidade adequada, previsibilidade e atenção, elementos essenciais para reduzir riscos e proteger vidas nas vias brasileiras”, detalha o Observatório.
No cenário estadual, entre 2010 e 2024, a frota de motocicletas teve aumento de 59,5%, de acordo com o Detran/PR. A ampliação esteve acompanhada do uso maior do veículo como meio de transporte e trabalho. Neste mesmo intervalo, o número de mortes por lesões de trânsito envolvendo ocupantes de motocicletas cresceu 14,6%, de acordo com a Secretaria de Saúde do Paraná (Sesa). Foram cerca de 825 vítimas fatais em 2025. É o modal que mais atinge pessoas entre 15 e 39 anos.
O Paraná viu aumento de 41,7% nas mortes de motociclistas homens e de 72,1% de motociclistas mulheres entre 2006 e 2023, segundo o Plano Estadual de Segurança no Trânsito do Paraná (Petrans/PR). As mortes de condutores motociclistas representaram, em 2023, 30,8% do total de óbitos por lesões de trânsito no Paraná. Foram gastos R$ 10.816.296,65, no mesmo ano, com internações de moradores do Paraná por lesões de trânsito, sendo que os motociclistas representam 60,1% das internações.
Dados gerais
De acordo com a Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Paraná registrou 131,2 mil sinistros em 2025. O estado conta hoje com 2,2 milhões de condutores de motocicletas ou automóveis, segundo o Detran/PR. Cerca de 66% dos motoristas ou motociclistas são homens, enquanto 34% são mulheres. O Estado conta com uma média de 81 mil novas habilitações por ano referentes a motocicletas e automóveis.
Em todo o Brasil, no ano de 2024, 37.150 vidas foram perdidas no trânsito, considerando todos os meios de locomoção. O número representa uma média de uma morte a cada 15 minutos, segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV). Transitam hoje no país cerca de 124 milhões de veículos.
Lei 18.624/2015
A lei 18.624/2015 chega em 2026 ao seu 11º ano, em constante aperfeiçoamento desde a sua sanção. Em 2023, projeto do deputado Batatinha (MDB) passou a prever a dedicação da segunda semana do mês a ações específicas aos motociclistas, usuários do trânsito mais vulneráveis ao risco de acidentes. A semana ganhou o nome de Moto Vida. Já no ano seguinte, a sanção de um projeto de lei da deputada Marli Paulino (SD) ampliou o rol de ações preventivas no Maio Amarelo, passando a contemplar também condutores de ciclomotores, bicicletas elétricas, equipamentos de mobilidade individual, skates, patins e patinetes.
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