
A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Diretoria de Atenção Especializada à Saúde (Daes) e da Coordenação Estadual de Saúde Mental, Álcool e outras drogas (Cesmad), dispõe de uma Equipe de Avaliação e Acompanhamento de Medidas Terapêuticas Aplicáveis à Pessoa com Transtorno Mental em Conflito com a Lei (EAP-Desinst). O serviço, que segue as diretrizes da Política Nacional de Saúde Mental (PNSM) e do Sistema Único de Saúde (SUS), atua em conjunto com o Poder Judiciário e o Sistema Único de Assistência Social (Suas), garantindo que pessoas com transtornos mentais que cometeram infrações penais tenham avaliação adequada do seu estado mental, além de cuidado apropriado e humanizado, baseado na legislação.
A EAP-Desinst atua com base em importantes legislações, como a Portaria do Ministério da Saúde nº 4876/2024, responsável por instituir a equipe; a Lei Federal nº 10.216/2001, que trata sobre a Reforma Psiquiátrica; a Resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nº 487/2023, que estabelece a Política Antimanicomial no Poder Judiciário, e o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015). Para isso, o serviço conta com uma equipe multiprofissional, composta por médico psiquiatra ou com experiência em saúde mental; enfermeiro; psicólogo; assistente social e profissional com formação em ciências sociais.
A equipe é responsável por realizar avaliações situacionais clínica e psicossocial de pessoas com transtorno mental em conflito com a lei, produzindo pareceres técnicos para subsidiar o Judiciário e propondo as intervenções terapêuticas adequadas, além de acompanhar o cumprimento das medidas terapêuticas para os indivíduos que tiveram liberdade restringida ou estão em liberdade assistida por decisão judicial. Um dos principais objetivos do serviço é a desinstitucionalização, ou seja, evitar o encarceramento indevido de pessoas com transtorno mental, direcionando-as para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps). Neste contexto, a EAP-Desinst articula a rede de saúde e assistência social para garantir a continuidade do cuidado, contribuindo para a defesa de direitos e a reinserção social daquele indivíduo.
De acordo com a coordenadora estadual de Saúde Mental da Daes, Suely Matos, Sergipe é um dos poucos estados a implantar e habilitar uma equipe de saúde destinada a atender os casos de pessoas com transtorno mental em conflito com a lei na Rede de Atenção Psicossocial (Raps). “A EAP auxilia a Justiça na tomada de decisão na sentença, da melhor forma, em audiências, assegurando os direitos humanos, além dos direitos do cuidado e da liberdade do usuário. Ela realiza avaliação psicossocial sobre o estado mental situacional do indivíduo custodiado, elaborado com base documental e em verbalizações”, explicou.
A função da EAP é estritamente técnica e segue os Direitos Humanos, promovendo decisões baseadas em dados técnicos e não punitivos, além de tratamento humanizado e territorializado, com maior taxa de recuperação. A substituição de uma lógica exclusivamente punitiva por uma abordagem terapêutica não implica isenção de responsabilidade à pessoa com transtorno mental em conflito com a lei, mas sim a adequação da resposta do Estado às condições clínicas do indivíduo.
Cenário sergipano
Desde a sua implementação no estado, em 2023, a equipe já realizou 709 atendimentos. Deste total, 381 indivíduos tiveram liberdade assistida e foram inseridos na Raps, sendo acompanhados por serviços de saúde mental, como os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), em seus municípios; 145 casos tiveram como desfecho a custódia penal, com encaminhamento ao sistema prisional e acompanhamento da EAP para garantia da assistência de medidas terapêuticas de saúde mental; 120 casos foram arquivados ou tiveram alta, e 63 indivíduos necessitaram de internação, permanecendo sob medida judicial e sendo encaminhados para leitos de saúde mental em hospitais gerais, que possuem este serviço direcionado às pessoas em conflito com a lei, como é o caso do Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória, no sertão sergipano.
Segundo o médico da EAP, Raphael Andrade, a EAP é um ponto de conexão entre as redes de justiça, saúde e serviço social. “A EAP atua em três eixos principais: na audiência de custódia, realizamos uma avaliação prévia para traduzir o estado mental do indivíduo e subsidiar a decisão judicial mais adequada; também acompanhamos os pacientes no sistema prisional, garantindo assistência em saúde e planejando a reinserção social após a saída; e monitoramos aqueles que respondem à Justiça em liberdade, assegurando o acesso à Rede de Atenção Psicossocial (Raps), como os Caps e outros serviços”, pontuou.


Legislativo - PR Deputada Ana Júlia (PT) destaca os 79 anos da APP-Sindicato e reforça defesa da educação pública
Infraestrutura... IAT emite Licença de Operação que autoriza funcionamento da Ponte de Guaratuba e acessos
Cuiabá - MT Mutirão de Sensibilização Ambiental no Jonas Pinheiro recebe avaliação positiva dos moradores
Sergipe Professor sergipano participa de formação no Laboratório Europeu de Física de Partículas em Genebra
Bahia Obra de esgotamento sanitário beneficiará 45 mil pessoas no sudoeste da Bahia
Bahia SAC amplia atendimento do Tribunal Regional Eleitoral em postos da Rede
Alagoas Casal efetua limpeza periódica na captação de estação que abastece Rio Largo
PM - MS Polícia Militar em Três Lagoas recupera bicicleta roubada e realiza prisão de receptador
Sergipe Programa Barriguinha Cheia fortalece acolhimento nutricional e beneficia mais de 120 mil estudantes na rede estadual Mín. 24° Máx. 27°