
A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) intensifica o atendimento a mulheres indígenas em diversas regiões do estado, com ações voltadas à inclusão produtiva, segurança alimentar e acesso a políticas públicas. O acompanhamento técnico é considerado prioritário nos relatórios da Coordenadoria de Planejamento (Cplan) e ganha destaque neste domingo (19), quando é celebrado o Dia Nacional dos Povos Indígenas.
As mulheres indígenas assistidas regularmente pelos escritórios locais e regionais da Emater vivem em territórios distribuídos nas regiões de integração do Araguaia, Carajás, Baixo Amazonas, Guamá, Lago de Tucuruí, Rio Caeté, Rio Capim, Tapajós, Tocantins e Xingu. Municípios como Brejo Grande do Araguaia, Cumaru do Norte e Terra Santa concentram parte desse atendimento.
Com idades entre 18 e 100 anos, essas mulheres representam diversas etnias, como xikrin e gavião, e desempenham papéis centrais nas comunidades, muitas como chefes de família e matriarcas. Em muitos casos, a língua materna ainda é o principal meio de comunicação, o que reforça a necessidade de estratégias específicas de atendimento.
Valorização cultural e fortalecimento produtivo
Presidente da Associação Indígena Juruna Tubyá Rural, em Altamira, Irasilda Juruna destaca o papel das políticas públicas no fortalecimento cultural e produtivo.
“A língua é um elemento essencial da nossa cultura, responsável por conectar gerações e preservar conhecimentos. Hoje, trabalhamos no resgate e na revitalização da língua juruna, com apoio de políticas públicas que respeitam nossa identidade”, afirma.
Irasilda também ressalta a parceria com a Emater no desenvolvimento de atividades produtivas. “A Emater está sempre presente, apoiando com capacitações e estrutura, como a casa de farinha. É um espaço onde trocamos conhecimentos e adaptamos nossas práticas, unindo tradição e inovação com respeito aos nossos costumes”, explica.
A associação já mantém uma casa de farinha em funcionamento e desenvolve produtos próprios, como o chocolate da marca Kunhã-Arã, produzido a partir do cacau cultivado na comunidade. A produção atual é de cerca de 50 quilos por mês, com sabores que utilizam ingredientes regionais, como muruci e pimenta-cumaçã.
Um novo projeto prevê a implantação de uma fábrica de chocolate voltada exclusivamente para mulheres, em parceria com o Consórcio Norte Energia. A iniciativa deve ampliar significativamente a produção. “A construção da fábrica será um avanço importante, garantindo um espaço próprio para fortalecer a autonomia das mulheres”, destaca a liderança.
Desafios no atendimento e inclusão linguística
No município de Jacareacanga, na região do Tapajós, a barreira linguística ainda é um desafio no atendimento às mulheres munduruku. Segundo o chefe do escritório local da Emater, Delival Batista, a atuação tem se adaptado à realidade das comunidades.
“Hoje, o contato com as mulheres é cada vez maior, já que elas participam ativamente dos sistemas produtivos, tanto no trabalho quanto na gestão. Mesmo com dificuldades no idioma, buscamos estabelecer comunicação, seja com conhecimento básico da língua munduruku ou com apoio de indígenas bilíngues”, relata.
Na Aldeia Yoto Bamuybu, a produtora Lucília Paygo participa de atividades como cultivo de mandioca e criação de galinhas, com comercialização por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
“A Emater ajuda com orientações e oportunidades. Apoia no forno e em várias atividades do dia a dia”, resume.
Políticas públicas e equidade de gênero
A atuação da Emater integra a política estadual de assistência técnica e extensão rural, com foco na promoção do etnodesenvolvimento e no respeito às tradições indígenas. As ações buscam reduzir a insegurança alimentar, a degradação ambiental e a dependência econômica, além de ampliar o acesso a programas como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o PAA.
De acordo com a coordenadora técnica da Emater, Cristiane Corrêa, o atendimento às mulheres indígenas é uma prioridade institucional.
“O Proater 2026 estabelece que pelo menos 30% dos atendimentos em subprojetos sejam destinados a mulheres, jovens e povos tradicionais. A atuação da Emater prioriza o empoderamento feminino, garantindo que essas mulheres tenham acesso direto a políticas públicas, participação nas decisões comunitárias e melhores condições de vida”, afirma.
Texto: Aline Miranda/Fabrício Nunes
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