
O governo do Estado do Pará garante a continuidade dos estudos de crianças e adolescentes em tratamento hematológico por meio da Escola Hospitalar, desenvolvida na Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa), em Belém. A iniciativa oferece atendimento pedagógico hospitalar e domiciliar, assegurando o direito à educação mesmo durante o tratamento de saúde.
Em meio à rotina de consultas, exames e transfusões, o projeto tem se consolidado como um importante elo entre o cuidado com a saúde e a formação educacional dos pacientes. Atualmente, cerca de 100 usuários participam da ação, realizada em parceria entre a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa).
Para a artesã Milene Chaves, mãe de Adriel e Andrew, em tratamento contínuo de anemia falciforme há mais de 15 anos, a iniciativa representa a possibilidade de um futuro com mais oportunidades. “O projeto transforma realidades ao levar o ensino até jovens que não podem frequentar a escola regularmente. Hoje, precisamos vir ao Hemopa duas a três vezes por semana para transfusões e outros procedimentos, o que torna inviável uma rotina escolar comum. Ter a educação em casa e também na Fundação faz toda a diferença e me permite enxergar um futuro melhor para o meu filho, com acesso à universidade e a uma profissão”, afirma.
O adolescente Adriel Madson, de 16 anos, também destaca os avanços conquistados com o acompanhamento pedagógico. “Antes, eu não conseguia manter uma rotina de estudos por causa das dores e do tratamento. Fui alfabetizado aos 14 anos e tinha dificuldade para acompanhar uma turma regular. Com o apoio dos professores do projeto, ficou mais fácil aprender e seguir estudando”, relata.
Educação como aliada do tratamento
De acordo com a pedagoga da Fundação Hemopa, Joyce Cunha, a proposta reforça o atendimento integral aos pacientes, indo além da assistência médica. “O Hemopa, como centro de referência no tratamento de doenças hematológicas, busca atender o paciente em todas as dimensões, incluindo a pedagógica. A educação contribui para o desenvolvimento social, cognitivo e emocional, além de favorecer a adesão ao tratamento”, explica.
A Escola Hospitalar integra a política de Classe Hospitalar do governo do Pará, que também está presente em outras unidades de saúde da rede estadual, como o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, a Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, o Hospital Universitário João de Barros Barreto, a Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Vianna, o Abrigo João Paulo II e o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência.
A pedagoga da Seduc, Gilda Saldanha, destaca que o atendimento ocorre de forma complementar ao ensino regular, garantindo que os estudantes não tenham prejuízos no ano letivo. “Oferecemos suporte educacional e acompanhamento junto às escolas regulares para que os pacientes continuem seus estudos durante o tratamento. A escolarização é essencial, e percebemos que as crianças ficam mais motivadas e confiantes ao manter o vínculo com a aprendizagem, o que também contribui para enfrentar a rotina hospitalar”, ressalta.
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